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Flávio defende desvincular benefícios do salário mínimo e aposentadoria aos 67 anos

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
Flávio

A relação entre integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma entidade envolvida na elaboração de propostas para a Previdência Social levanta questionamentos sobre os rumos da política previdenciária defendida pelo senador. O plano prevê elevar gradualmente a idade mínima de aposentadoria para 67 anos, tanto para homens quanto para mulheres, além de desvincular o valor mínimo dos benefícios do salário mínimo.

O Projeto Brasil de Amanhã foi apresentado a Flávio durante um encontro com empresários em São Paulo. Apesar de afirmar que não pretende promover uma nova reforma da Previdência, dois integrantes de sua equipe econômica são diretores da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), que participou da elaboração do plano.

A ligação, porém, não confirma o apoio do senador às medidas. Até o momento, ele não assumiu oficialmente as propostas de elevar a idade mínima para 67 anos ou desvincular o piso previdenciário do salário mínimo.

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Quem são os integrantes da equipe econômica ligados à fundação?

Flávio
Imagem: Sergio Lima / AFP via Getty Images

Anne Caroline Marciquevik Alves e Alexandre Ywata passaram a integrar a campanha de Flávio Bolsonaro em julho e agosto, respectivamente. Os dois constam como diretores da FIL Brasil desde abril de 2024, estabelecendo uma ligação entre a entidade e profissionais que atuam na equipe econômica do senador.

A fundação participou da construção do Projeto Brasil de Amanhã em parceria com o Instituto de Economia Gastão Vidigal, ligado à Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A agenda reúne propostas econômicas e fiscais que incluem alterações nas regras previdenciárias e nos critérios de concessão de benefícios sociais.

A conexão entre a entidade e a campanha ganhou relevância diante das declarações públicas de Flávio sobre a manutenção dos benefícios dos aposentados. A existência de propostas elaboradas por organizações próximas a integrantes de sua equipe, porém, não significa que todas elas tenham sido incorporadas ao programa eleitoral.

O que o plano propõe para a aposentadoria?

O Projeto Brasil de Amanhã prevê mudanças que, se implementadas, poderiam aumentar o tempo necessário para a aposentadoria e modificar a forma de atualização dos benefícios. As duas principais medidas são a elevação da idade mínima para 67 anos e a desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo.

Pelas regras gerais em vigor, a idade mínima é de 65 anos para homens e 62 para mulheres, observados os requisitos de contribuição aplicáveis. A proposta prevê uma transição gradual até os 67 anos para ambos os sexos.

Comparação das idades mínimas

GrupoRegra geral atualIdade proposta
Homens65 anos67 anos
Mulheres62 anos67 anos

A mudança teria efeitos diferentes entre homens e mulheres. Para elas, a idade mínima aumentaria em cinco anos, enquanto para eles o acréscimo seria de dois anos, caso a proposta fosse aprovada nos termos apresentados.

O documento também sugere rever os critérios de entrada e permanência no Bolsa Família. As consequências para os beneficiários dependeriam das regras concretas que fossem formuladas e eventualmente aprovadas.

Como a desvinculação do salário mínimo afetaria os aposentados?

Atualmente, a Constituição Federal estabelece que nenhum benefício previdenciário que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho pode ter valor mensal inferior ao salário mínimo. Por isso, mudanças nessa proteção exigiriam respeitar as regras constitucionais aplicáveis.

A desvinculação discutida no projeto envolve separar o valor mínimo das aposentadorias da política de valorização do salário mínimo. Na prática, isso poderia permitir que os benefícios recebessem reajustes diferentes dos aumentos reais concedidos ao piso nacional, conforme o modelo adotado.

Por exemplo, se o salário mínimo aumentasse acima da inflação, mas as aposentadorias fossem corrigidas apenas pela inflação, os beneficiários poderiam deixar de acompanhar os ganhos reais do piso. O efeito exato dependeria do desenho da medida e das garantias legais preservadas.

A discussão afeta especialmente quem recebe o piso previdenciário ou depende de benefícios próximos ao mínimo para pagar despesas básicas, como alimentação, moradia, medicamentos e contas domésticas.

Qual foi a participação de Paulo Guedes no projeto?

A elaboração do Projeto Brasil de Amanhã contou com o Instituto de Economia Gastão Vidigal, vinculado à Associação Comercial de São Paulo, e a Fundação Internacional para a Liberdade. Segundo Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes participou da construção da agenda.

Guedes comandou a política econômica durante o governo Jair Bolsonaro e defendeu medidas de controle das despesas públicas. Em 2022, sua equipe estudou mudanças nos mecanismos de correção do salário mínimo e dos benefícios previdenciários, incluindo alternativas baseadas em projeções de inflação.

Uma fórmula que utilizasse uma previsão de inflação inferior à variação efetiva dos preços poderia provocar perda de poder de compra. Essa possibilidade ajuda a contextualizar o debate sobre a correção dos benefícios, mas não significa que todas as medidas discutidas naquele período tenham sido adotadas ou integrem automaticamente o plano atual.

A participação do ex-ministro na elaboração da agenda também não comprova que ele tenha sido o único responsável pelas propostas. O projeto foi construído com a participação das entidades envolvidas.

Flávio Bolsonaro já confirmou essas mudanças?

Não há confirmação de que Flávio Bolsonaro tenha aprovado oficialmente a elevação da idade mínima para 67 anos ou a desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo.

Em declarações públicas, o senador afirmou que pretende preservar os benefícios dos aposentados e não pretende promover uma nova reforma da Previdência. Essas posições contrastam com algumas das medidas previstas no Projeto Brasil de Amanhã.

O recebimento do documento e a presença de diretores da FIL Brasil na equipe econômica não significam que o candidato tenha assumido o compromisso de implementar todas as propostas.

É necessário distinguir três pontos: as medidas elaboradas por entidades empresariais, as discussões conduzidas por integrantes da equipe econômica e as posições declaradas oficialmente pelo candidato. Até que haja uma proposta formal, não é possível afirmar que as mudanças serão implementadas caso ele seja eleito.

O que a reforma da Previdência de 2019 tem a ver com a discussão?

A reforma da Previdência aprovada em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, alterou as condições para a concessão de aposentadorias, estabeleceu idades mínimas e criou regras de transição para trabalhadores que já contribuíam para o sistema.

Flávio Bolsonaro votou a favor da reforma. Esse histórico ajuda a contextualizar o debate sobre sua posição previdenciária, mas não permite concluir, isoladamente, que ele apoie todas as mudanças sugeridas no Projeto Brasil de Amanhã.

Uma nova alteração nas idades mínimas ou nas garantias constitucionais dos benefícios exigiria a tramitação legislativa adequada. Medidas que modificassem a Constituição dependeriam de aprovação de uma proposta de emenda constitucional, com votação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e apoio de três quintos dos parlamentares em cada Casa.

Para aposentados e trabalhadores que ainda não se aposentaram, a principal questão é saber quais regras seriam efetivamente propostas, quem seria atingido e quais mecanismos de transição seriam previstos.

O que aposentados e trabalhadores devem acompanhar?

Flávio
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Neste momento, não há motivo para alterar planos de aposentadoria com base apenas no projeto empresarial. As regras vigentes continuam sendo a referência para consultar direitos e calcular quando será possível solicitar o benefício.

Quem está próximo de se aposentar pode conferir seu histórico de contribuições e as regras aplicáveis por meio do portal ou aplicativo Meu INSS. Também é recomendável acompanhar as declarações oficiais da campanha e eventuais propostas legislativas antes de considerar qualquer mudança como certa.

O debate sobre a Previdência envolve tanto a sustentabilidade das contas públicas quanto a proteção da renda de milhões de brasileiros. Por isso, a distinção entre sugestões econômicas, discussões internas e compromissos oficiais é essencial para avaliar o impacto real das medidas.

Conclusão

A ligação entre integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro e a Fundação Internacional para a Liberdade reacende o debate sobre possíveis mudanças nas regras da aposentadoria. Entre as medidas discutidas estão o aumento gradual da idade mínima para 67 anos e a desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo, alterações que poderiam afetar milhões de brasileiros caso fossem adotadas.

Apesar da repercussão, ainda não há confirmação de que o senador tenha assumido essas propostas como compromissos oficiais. Até que haja um posicionamento definitivo e medidas concretas sejam apresentadas, as regras atuais continuam valendo. Para aposentados e trabalhadores que planejam solicitar o benefício nos próximos anos, acompanhar as declarações da campanha e eventuais iniciativas legislativas será fundamental para entender se haverá mudanças e quais grupos poderão ser afetados.

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