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Analistas do Boletim Focus cortam projeção da inflação pela nona semana seguida

O mercado financeiro brasileiro segue ajustando suas expectativas macroeconômicas diante de um cenário de estabilidade monetária e controle gradual dos preços. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central do Brasil, os analistas consultados revisaram para baixo, pela nona semana consecutiva, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor […]

Avatar de Bianca Borges Bianca Borges · · 5 min de leitura
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O mercado financeiro brasileiro segue ajustando suas expectativas macroeconômicas diante de um cenário de estabilidade monetária e controle gradual dos preços.

De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central do Brasil, os analistas consultados revisaram para baixo, pela nona semana consecutiva, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025.

A nova estimativa indica inflação de 5,09%, ligeiramente abaixo dos 5,10% registrados na semana anterior. O relatório semanal, que compila as previsões das principais instituições financeiras do país, também trouxe ajustes para câmbio, PIB, taxa Selic e índices gerais de preços.

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Inflação: queda leve, mas persistente

inflação
Imagem: RHJPhtotoandilustration / Shutterstock.com

Expectativas seguem trajetória de queda

A redução contínua da projeção para o IPCA demonstra a leitura do mercado de que as pressões inflacionárias estão sendo gradualmente contidas, mesmo diante de incertezas externas e internas.

Em um cenário que inclui instabilidades globais e revisão das metas fiscais, o recuo consecutivo nas projeções reflete confiança moderada na política monetária do Banco Central.

Detalhamento das projeções inflacionárias

Projeções do IPCA:

  • 2025: passou de 5,10% para 5,09%
  • 2026: recuou de 4,45% para 4,44%
  • 2027: manteve-se em 4,00%
  • 2028: permaneceu em 3,80%

Projeções do IGP-M:

  • 2025: de 1,72% para 1,60%
  • 2026: de 4,45% para 4,42%
  • 2027: manteve-se em 4,00%
  • 2028: caiu de 3,98% para 3,96%

Esses números indicam que o mercado vê estabilização progressiva no comportamento dos preços a longo prazo, apesar das resistências observadas em setores específicos, como energia e combustíveis.

Preços administrados impactam o cenário

Aumento pontual nas projeções para 2025

Um dos dados que destoam do movimento geral de queda é a alta nas projeções para os preços administrados dentro do IPCA de 2025, que subiram de 4,64% para 4,69%.

Esses preços, que incluem tarifas públicas como energia elétrica, água e transportes, tendem a sofrer maior influência de decisões políticas e reajustes contratuais.

Projeções de preços administrados:

  • 2025: de 4,64% para 4,69%
  • 2026: mantida em 4,19%
  • 2027: em 4,00%
  • 2028: permanece em 3,70%

Essa diferença em relação à inflação geral pode indicar um desafio extra para o controle inflacionário, especialmente se choques externos pressionarem setores regulados.

Câmbio: leve apreciação do real

Expectativa de câmbio abaixo de R$ 5,65 para 2025

Outro dado relevante do boletim é o recuo da projeção para o dólar em 2025, de R$ 5,65 para R$ 5,60. O movimento reflete expectativas de maior entrada de capital estrangeiro, além de uma leitura de que o país pode apresentar avanços fiscais que reduzam a percepção de risco.

Projeções para o câmbio:

  • 2025: R$ 5,60 (queda de R$ 0,05)
  • 2026 a 2028: mantido em R$ 5,70

Esse comportamento indica estabilidade cambial de médio a longo prazo, embora pressões externas, como aumento das taxas de juros nos EUA ou desaceleração da China, ainda possam interferir.

PIB: estabilidade com leve alta em 2026

Crescimento segue moderado

As expectativas para o crescimento da economia brasileira permaneceram estáveis em 2025, com projeção mantida em 2,23%. Para 2026, a mediana das projeções subiu discretamente de 1,88% para 1,89%, sinalizando uma leve melhora nas expectativas futuras.

Projeções para o PIB:

  • 2025: mantida em 2,23%
  • 2026: de 1,88% para 1,89%
  • 2027 e 2028: permanecem em 2,00%

Essa estabilidade sugere que a economia está crescendo em ritmo moderado, compatível com a política monetária restritiva atual, mas com espaço para expansão se os juros forem gradualmente reduzidos.

Selic: estabilidade nos juros

Taxa básica permanece em 15% para 2025

Pela quinta semana seguida, os analistas mantiveram a previsão da taxa básica de juros (Selic) em 15% para 2025. Apesar da desaceleração da inflação, o mercado ainda espera que o Banco Central mantenha a taxa elevada por mais tempo, como forma de consolidar o processo desinflacionário.

Projeções para a Selic:

  • 2025: 15,00% (estável)
  • 2026: 12,50%
  • 2027: 10,50%
  • 2028: 10,00% (mantida por 31 semanas)

A manutenção dessas projeções reflete cautela do mercado quanto ao ritmo da flexibilização monetária, que dependerá do avanço da política fiscal, inflação global e indicadores de confiança.

Cenário internacional e seus reflexos

EUA e China em foco

A retomada das negociações tarifárias entre EUA e China também contribui para o atual comportamento das expectativas econômicas no Brasil. A possibilidade de um cenário externo mais colaborativo e menos tensionado reduz a pressão sobre o câmbio e favorece um ambiente de maior previsibilidade.

O que esperar nas próximas semanas?

Tendência de manutenção ou leve revisão

Se a política monetária seguir consistente e não houver choques inesperados nos preços, é possível que o Boletim Focus continue apontando leve redução nas projeções inflacionárias. Contudo, fatores como:

  • Volatilidade no preço do petróleo
  • Impactos climáticos sobre alimentos
  • Acompanhamento das contas públicas

…podem influenciar futuras revisões.

Panorama geral das projeções do Boletim Focus – 28/07/2025

Inflação acumulada selic
Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Indicador2025202620272028
IPCA (%)5,09 ↓4,44 ↓4,00 →3,80 →
IGP-M (%)1,60 ↓4,42 ↓4,00 →3,96 ↓
Câmbio (R$)5,60 ↓5,70 →5,70 →5,70 →
PIB (%)2,23 →1,89 ↑2,00 →2,00 →
Selic (%)15,00 →12,50 →10,50 →10,00 →

Setas indicam direção da revisão em relação à semana anterior.

Conclusão

A nona redução consecutiva na projeção da inflação mostra que o mercado começa a vislumbrar um cenário de maior controle sobre os preços, mesmo que lentamente.

A manutenção da Selic em patamar elevado, somada a melhoras pontuais nas projeções para PIB e câmbio, sugere que a política econômica atual está surtindo efeito — ainda que os efeitos reais sobre a economia possam levar meses para se concretizarem.

À medida que o segundo semestre avança, os próximos relatórios Focus devem continuar sendo acompanhados de perto por analistas, investidores e agentes econômicos.

O foco estará na capacidade do Banco Central de promover uma transição suave na política monetária, sem abrir mão da estabilidade e da confiança dos mercados.

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