O mercado financeiro brasileiro segue ajustando suas expectativas macroeconômicas diante de um cenário de estabilidade monetária e controle gradual dos preços.
Analistas do Boletim Focus cortam projeção da inflação pela nona semana seguida
Focus indica nova queda na projeção da inflação para 2025, passando de 5,10% para 5,09%, com revisão no câmbio e manutenção da Selic.
De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central do Brasil, os analistas consultados revisaram para baixo, pela nona semana consecutiva, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025.
A nova estimativa indica inflação de 5,09%, ligeiramente abaixo dos 5,10% registrados na semana anterior. O relatório semanal, que compila as previsões das principais instituições financeiras do país, também trouxe ajustes para câmbio, PIB, taxa Selic e índices gerais de preços.
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Inflação: queda leve, mas persistente

Expectativas seguem trajetória de queda
A redução contínua da projeção para o IPCA demonstra a leitura do mercado de que as pressões inflacionárias estão sendo gradualmente contidas, mesmo diante de incertezas externas e internas.
Em um cenário que inclui instabilidades globais e revisão das metas fiscais, o recuo consecutivo nas projeções reflete confiança moderada na política monetária do Banco Central.
Detalhamento das projeções inflacionárias
Projeções do IPCA:
- 2025: passou de 5,10% para 5,09%
- 2026: recuou de 4,45% para 4,44%
- 2027: manteve-se em 4,00%
- 2028: permaneceu em 3,80%
Projeções do IGP-M:
- 2025: de 1,72% para 1,60%
- 2026: de 4,45% para 4,42%
- 2027: manteve-se em 4,00%
- 2028: caiu de 3,98% para 3,96%
Esses números indicam que o mercado vê estabilização progressiva no comportamento dos preços a longo prazo, apesar das resistências observadas em setores específicos, como energia e combustíveis.
Preços administrados impactam o cenário
Aumento pontual nas projeções para 2025
Um dos dados que destoam do movimento geral de queda é a alta nas projeções para os preços administrados dentro do IPCA de 2025, que subiram de 4,64% para 4,69%.
Esses preços, que incluem tarifas públicas como energia elétrica, água e transportes, tendem a sofrer maior influência de decisões políticas e reajustes contratuais.
Projeções de preços administrados:
- 2025: de 4,64% para 4,69%
- 2026: mantida em 4,19%
- 2027: em 4,00%
- 2028: permanece em 3,70%
Essa diferença em relação à inflação geral pode indicar um desafio extra para o controle inflacionário, especialmente se choques externos pressionarem setores regulados.
Câmbio: leve apreciação do real
Expectativa de câmbio abaixo de R$ 5,65 para 2025
Outro dado relevante do boletim é o recuo da projeção para o dólar em 2025, de R$ 5,65 para R$ 5,60. O movimento reflete expectativas de maior entrada de capital estrangeiro, além de uma leitura de que o país pode apresentar avanços fiscais que reduzam a percepção de risco.
Projeções para o câmbio:
- 2025: R$ 5,60 (queda de R$ 0,05)
- 2026 a 2028: mantido em R$ 5,70
Esse comportamento indica estabilidade cambial de médio a longo prazo, embora pressões externas, como aumento das taxas de juros nos EUA ou desaceleração da China, ainda possam interferir.
PIB: estabilidade com leve alta em 2026
Crescimento segue moderado
As expectativas para o crescimento da economia brasileira permaneceram estáveis em 2025, com projeção mantida em 2,23%. Para 2026, a mediana das projeções subiu discretamente de 1,88% para 1,89%, sinalizando uma leve melhora nas expectativas futuras.
Projeções para o PIB:
- 2025: mantida em 2,23%
- 2026: de 1,88% para 1,89%
- 2027 e 2028: permanecem em 2,00%
Essa estabilidade sugere que a economia está crescendo em ritmo moderado, compatível com a política monetária restritiva atual, mas com espaço para expansão se os juros forem gradualmente reduzidos.
Selic: estabilidade nos juros
Taxa básica permanece em 15% para 2025
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Pela quinta semana seguida, os analistas mantiveram a previsão da taxa básica de juros (Selic) em 15% para 2025. Apesar da desaceleração da inflação, o mercado ainda espera que o Banco Central mantenha a taxa elevada por mais tempo, como forma de consolidar o processo desinflacionário.
Projeções para a Selic:
- 2025: 15,00% (estável)
- 2026: 12,50%
- 2027: 10,50%
- 2028: 10,00% (mantida por 31 semanas)
A manutenção dessas projeções reflete cautela do mercado quanto ao ritmo da flexibilização monetária, que dependerá do avanço da política fiscal, inflação global e indicadores de confiança.
Cenário internacional e seus reflexos
EUA e China em foco
A retomada das negociações tarifárias entre EUA e China também contribui para o atual comportamento das expectativas econômicas no Brasil. A possibilidade de um cenário externo mais colaborativo e menos tensionado reduz a pressão sobre o câmbio e favorece um ambiente de maior previsibilidade.
O que esperar nas próximas semanas?
Tendência de manutenção ou leve revisão
Se a política monetária seguir consistente e não houver choques inesperados nos preços, é possível que o Boletim Focus continue apontando leve redução nas projeções inflacionárias. Contudo, fatores como:
- Volatilidade no preço do petróleo
- Impactos climáticos sobre alimentos
- Acompanhamento das contas públicas
…podem influenciar futuras revisões.
Panorama geral das projeções do Boletim Focus – 28/07/2025

| Indicador | 2025 | 2026 | 2027 | 2028 |
|---|---|---|---|---|
| IPCA (%) | 5,09 ↓ | 4,44 ↓ | 4,00 → | 3,80 → |
| IGP-M (%) | 1,60 ↓ | 4,42 ↓ | 4,00 → | 3,96 ↓ |
| Câmbio (R$) | 5,60 ↓ | 5,70 → | 5,70 → | 5,70 → |
| PIB (%) | 2,23 → | 1,89 ↑ | 2,00 → | 2,00 → |
| Selic (%) | 15,00 → | 12,50 → | 10,50 → | 10,00 → |
Setas indicam direção da revisão em relação à semana anterior.
Conclusão
A nona redução consecutiva na projeção da inflação mostra que o mercado começa a vislumbrar um cenário de maior controle sobre os preços, mesmo que lentamente.
A manutenção da Selic em patamar elevado, somada a melhoras pontuais nas projeções para PIB e câmbio, sugere que a política econômica atual está surtindo efeito — ainda que os efeitos reais sobre a economia possam levar meses para se concretizarem.
À medida que o segundo semestre avança, os próximos relatórios Focus devem continuar sendo acompanhados de perto por analistas, investidores e agentes econômicos.
O foco estará na capacidade do Banco Central de promover uma transição suave na política monetária, sem abrir mão da estabilidade e da confiança dos mercados.
