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Marca de roupas icônica declara falência e fecha mais de 300 lojas no mundo

Descubra por que a Forever 21 declarou falência e fechou 300 lojas. Veja o impacto global e o futuro da marca!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Malhete batendo em um porquinho, que representa as finanças. O objeto tem um curativo em um dos olhos. O fundo da imagem está em vermelho.

A Forever 21, por décadas símbolo da moda jovem e acessível, declarou falência nos Estados Unidos e anunciou o fechamento de mais de 300 lojas físicas.

O movimento surpreende, mas também confirma o que especialistas do setor já vinham alertando: o modelo tradicional de fast fashion enfrenta dificuldades crescentes frente à transformação digital e mudanças no comportamento do consumidor.

Fundada em 1984 em Los Angeles, a Forever 21 cresceu rapidamente e se tornou referência global com suas roupas a preços baixos e tendências atualizadas com frequência. Porém, o crescimento acelerado e a falta de adaptação ao novo mercado acabaram levando a marca a um colapso financeiro.

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Causas da falência da Forever 21

Forever 21
Imagem: Forever 21 / Divulgação

Mudanças no comportamento do consumidor

Um dos principais fatores para o declínio da Forever 21, culminando na falência, foi a mudança no comportamento dos consumidores, principalmente entre os jovens.

A nova geração prioriza marcas que oferecem sustentabilidade, ética na produção e transparência — áreas onde a Forever 21 foi fortemente criticada ao longo dos anos.

Além disso, a ascensão do e-commerce e das redes sociais como canais de venda diretos reduziu drasticamente a necessidade de grandes redes com presença física massiva.

Concorrência com gigantes do fast fashion

A marca também enfrentou forte concorrência com empresas como Zara, H&M, Shein e outras plataformas digitais que conseguiram se adaptar mais rapidamente às novas exigências do mercado.

Essas empresas adotaram tecnologias para entender as tendências em tempo real, otimizar cadeias de suprimentos e oferecer experiências digitais mais atrativas.

Gestão interna e erros estratégicos

A expansão agressiva, especialmente nos anos 2000, levou a Forever 21 a abrir lojas em dezenas de países. No Brasil, por exemplo, a rede chegou a ter 15 unidades, mas encerrou operações no país em 2022.

Essa estratégia gerou um aumento expressivo nos custos fixos, como aluguel e manutenção de lojas, o que agravou a situação financeira da empresa durante períodos de queda nas vendas.

Além disso, a gestão de estoque era frequentemente criticada por não acompanhar o ritmo acelerado das tendências de moda, levando à obsolescência de produtos ainda nas prateleiras.

Histórico da crise: de 2019 até hoje

Pedido de proteção contra falência em 2019

O sinal mais claro da crise foi dado em 2019, quando a Forever 21 entrou com pedido de Chapter 11 — um tipo de proteção judicial contra falência nos EUA — com o objetivo de reestruturar suas operações. Na época, a empresa anunciou o fechamento de mais de 100 lojas em diversos países.

Apesar de tentativas de recuperação com apoio de novos investidores e uma reconfiguração do modelo de negócios, os resultados foram insuficientes.

Encerramento definitivo de mais de 300 lojas

Agora, em 2025, a marca confirmou a falência definitiva das operações nos Estados Unidos e o encerramento de mais de 300 lojas em território americano, marcando o maior retrocesso da empresa desde sua fundação.

E o que acontece com as lojas da Forever 21 fora dos EUA?

Apesar da falência nos Estados Unidos, as operações internacionais da Forever 21 continuam ativas. A Authentic Brands Group (ABG), empresa que detém os direitos da marca, avalia estratégias para manter a Forever 21 viva em outros mercados por meio de licenciamento da marca para operadores locais.

Isso significa que, embora a marca tenha deixado de existir como uma gigante do varejo nos EUA, ela pode continuar presente em países onde operadores regionais veem potencial de mercado. No Brasil, as lojas já haviam sido encerradas em 2022, após uma tentativa de expansão malsucedida.

O que a queda da Forever 21 ensina sobre o futuro do varejo?

Digitalização é indispensável

O caso da Forever 21 reforça uma lição que o setor varejista já conhece, mas que muitos ainda resistem em aplicar: a transformação digital é inadiável.

Marcas que não priorizam canais digitais, experiências de compra online personalizadas e uma comunicação direta com os consumidores tendem a perder relevância rapidamente.

Consumidor exige responsabilidade social

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Os novos consumidores não se contentam apenas com preço e estética. Eles querem saber quem produziu, como produziu e qual é o impacto daquilo que compram.

A falta de transparência da Forever 21 em relação às condições de trabalho e práticas ambientais foi amplamente criticada e afetou sua imagem pública.

Moda rápida está em xeque

Embora ainda exista demanda por produtos acessíveis e tendência rápida, o conceito de fast fashion está sendo redefinido.

Marcas como Shein adotam uma abordagem baseada em dados e produção sob demanda, enquanto outras empresas investem em coleções cápsula, moda circular e reaproveitamento de tecidos.

Forever 21 tem futuro?

Imagem de um cofre, em formato de porco, quebrado por um malhete.
Imagem: ADragan / Shutterstock.com

Plano da Authentic Brands Group

A Authentic Brands Group já anunciou que pretende continuar a explorar o potencial da marca Forever 21 por meio de licenciamentos, concentrando-se em operações online e parcerias locais.

Isso significa que a marca pode se transformar em um player digital, oferecendo seus produtos apenas por e-commerce ou lojas parceiras.

Possível retorno em formato diferente

Não está descartada a possibilidade de um retorno da Forever 21 ao mercado em um novo formato — mais enxuto, com presença digital reforçada e foco em responsabilidade social.

Impacto no setor de moda e varejo

O fim da Forever 21 como a conhecemos pode sinalizar uma nova era para o varejo de moda. Empresas que apostam em inovação, sustentabilidade e relacionamento com o cliente saem na frente.

Investidores, consumidores e outros players do mercado devem observar com atenção os próximos passos da ABG para entender se a Forever 21 ainda poderá representar algo relevante para o público jovem ou se será apenas mais uma marca icônica a desaparecer.

Imagem: Tattoboo / Shutterstock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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