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Fortaleza registra maior número de concessões do BPC via judicial no país

Fortaleza lidera ranking nacional de concessões judiciais do BPC em 2025, com mais de 20 mil casos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Fortaleza, capital do Ceará, alcançou em 2025 o posto de município com o maior número de concessões judiciais do Benefício de Prestação Continuada (BPC) no Brasil. Segundo dados atualizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) em abril, cerca de 20,3 mil pessoas da cidade conquistaram o direito ao benefício após decisão judicial.

Esse número coloca Fortaleza no topo do ranking nacional, à frente de grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, evidenciando um fenômeno que preocupa autoridades públicas e órgãos de controle: o crescimento acelerado das concessões do BPC por via judicial.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O que é o BPC e quem tem direito?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) foi instituído em 1993, pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), e tem como objetivo garantir um salário mínimo mensal (atualmente R$ 1.518) a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Critérios de elegibilidade:

  • Idosos com 65 anos ou mais, sem meios de prover a própria manutenção.
  • Pessoas com deficiência, de qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial.

Além disso, a renda por pessoa do grupo familiar deve ser igual ou inferior a ¼ do salário mínimo, o que corresponde a R$ 379,50 por mês em 2025.

O avanço das concessões judiciais: o caso de Fortaleza

De acordo com os números oficiais, Fortaleza registrou 20.300 concessões judiciais de BPC até abril de 2025. O fenômeno tem sido atribuído a uma combinação de fatores socioeconômicos e institucionais.

Ranking das cidades com mais concessões judiciais do BPC em 2025:

  1. Fortaleza (CE): 20,3 mil
  2. São Paulo (SP): 16,7 mil
  3. Maceió (AL): 16 mil
  4. Brasília (DF): 14,1 mil
  5. Rio de Janeiro (RJ): 12,9 mil
  6. Salvador (BA): 10,7 mil
  7. Recife (PE): 9,8 mil
  8. Campo Grande (MS): 8 mil
  9. Goiânia (GO): 7,5 mil
  10. João Pessoa (PB): 7,4 mil

Por que tantas concessões são feitas por decisão judicial?

A maior parte das concessões do BPC ocorre de forma administrativa, após análise e aprovação direta pelo INSS. No entanto, uma fatia crescente dos benefícios tem sido obtida por meio da Justiça.

Em abril de 2025, o Brasil somava:

  • 5,4 milhões de beneficiários com concessão administrativa
  • 921,6 mil concessões via decisão judicial

Esse número representa um crescimento de 20,7% em relação a abril de 2024 no total de benefícios concedidos judicialmente.

Principais motivos do crescimento judicial:

  1. Exclusão de benefícios na via administrativa: Muitos pedidos negados pelo INSS são revertidos na Justiça.
  2. Interpretação ampliada dos critérios pela Justiça: Juízes têm aplicado entendimentos mais flexíveis quanto à renda familiar e à caracterização de deficiência.
  3. Judicialização da assistência social: O acesso ao Poder Judiciário tornou-se um caminho frequente para garantir direitos sociais.
  4. Aumento da população idosa e de pessoas com deficiência: Reflexo do envelhecimento populacional e de maior acesso a diagnósticos, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Perfil dos beneficiários que conseguiram o BPC na Justiça

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Do total de 921,6 mil beneficiários por decisão judicial em 2025, os dados do MDS indicam que:

  • 800 mil são pessoas com deficiência
  • 121,6 mil são idosos

Esse perfil demonstra que o grupo de pessoas com deficiência é o mais afetado pelas negativas administrativas e que mais busca a Justiça para assegurar o direito ao benefício.

Mudanças recentes nas regras e revisões

Desde o ano passado, o governo federal implementou novas regras de revisão bianual dos benefícios do BPC, como forma de combater possíveis irregularidades e garantir que apenas pessoas dentro dos critérios permaneçam recebendo o auxílio.

Revisão a cada dois anos

Os beneficiários precisam comprovar, periodicamente, que continuam atendendo aos requisitos de renda e condição de saúde.

O objetivo da medida é:

  • Reduzir fraudes;
  • Corrigir eventuais erros de concessão;
  • Garantir a sustentabilidade do programa.

O impacto fiscal do aumento das concessões

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O crescimento do número de benefícios concedidos por via judicial representa um desafio adicional ao Orçamento da União.

Em 2025, o gasto total com o BPC está estimado em R$ 112 bilhões, valor que já se aproxima das despesas com o Bolsa Família, que deve consumir R$ 158,6 bilhões.

Com o avanço contínuo das concessões, principalmente por meio de decisões judiciais, o Ministério da Fazenda e órgãos de controle, como o TCU, acompanham com atenção a evolução desses gastos.

O que diz o governo federal

O Ministério do Desenvolvimento Social reconhece o aumento das concessões judiciais, mas destaca que o fenômeno é reflexo de um processo de democratização do acesso a direitos sociais.

Segundo a pasta, as principais causas para o aumento da demanda incluem:

  • Envelhecimento populacional
  • Ampliação de diagnósticos de deficiência
  • Mudanças na legislação
  • Programas de redução de fila no INSS
  • Judicialização decorrente de negativa administrativa

A busca por equilíbrio entre acesso e controle de gastos

Especialistas em políticas públicas alertam que, embora a expansão do BPC atenda a uma demanda social legítima, é necessário buscar equilíbrio entre a proteção social e a responsabilidade fiscal.

Possíveis soluções discutidas:

  • Melhorias nos critérios de análise pelo INSS, evitando judicialização desnecessária;
  • Parcerias entre Ministério do Desenvolvimento Social, Justiça e INSS para uniformizar os critérios de concessão;
  • Investimentos em tecnologia e automação para agilizar os processos administrativos.

O que o segurado pode fazer em caso de negativa do BPC

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Caso o pedido do BPC seja negado na via administrativa, o cidadão tem direito de recorrer:

  1. Recursos administrativos no próprio INSS
  2. Ação judicial, caso o recurso interno também seja indeferido

É recomendável buscar orientação jurídica, preferencialmente junto à Defensoria Pública, que oferece assistência gratuita a quem não pode arcar com honorários advocatícios.

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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