A França anunciou um pacote de medidas para enfrentar a concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, como a Shein, que vêm dominando o mercado europeu com produtos de baixo custo enviados diretamente de fora da União Europeia.
Nova taxa sobre encomendas internacionais começa na França em 01/03
França cria taxa de 2 euros por item e UE prevê nova cobrança sobre importações de baixo custo.
A partir de março de 2026, o governo francês implementará uma taxa de 2 euros por item em pacotes vindos de países fora do bloco europeu. Paralelamente, a União Europeia planeja aplicar uma taxa fixa de 3 euros sobre pequenas encomendas a partir de julho de 2026.
A estratégia busca nivelar a concorrência entre varejistas tradicionais e plataformas digitais internacionais, além de reforçar a arrecadação fiscal e combater práticas consideradas desleais.
Para o Brasil, que também discute regulação de marketplaces internacionais e já adotou medidas como o programa Remessa Conforme da Receita Federal, a iniciativa francesa serve como importante referência global.
Leia mais:
China lidera compras de carne bovina brasileira e impulsiona recorde histórico
Como funcionará a nova taxa francesa
A medida prevê cobrança de 2 euros por item em encomendas provenientes de fora da União Europeia. O foco são produtos de baixo valor declarados, frequentemente enviados em grandes volumes por plataformas asiáticas.
Objetivos da cobrança
Segundo o governo francês, a taxa tem três finalidades principais:
- Reduzir a concorrência considerada desigual
- Aumentar a arrecadação tributária
- Incentivar o consumo de produtos nacionais
O argumento central é que varejistas locais enfrentam encargos fiscais, trabalhistas e regulatórios que não se aplicam da mesma forma a empresas estrangeiras que vendem diretamente ao consumidor europeu.
União Europeia amplia estratégia com taxa adicional
Além da medida nacional, a União Europeia propôs uma taxa fixa de 3 euros sobre pequenas encomendas importadas, com previsão de início em julho de 2026.
A proposta surge em um contexto de crescimento acelerado do comércio eletrônico transfronteiriço. Relatórios da Comissão Europeia indicam que milhões de pacotes de baixo valor entram diariamente no bloco, muitos deles com fiscalização limitada.
O objetivo da UE é harmonizar regras entre os países-membros e evitar distorções concorrenciais dentro do mercado comum europeu.
Por que plataformas como a Shein estão no centro do debate
A Shein se tornou símbolo da expansão do modelo de ultra fast fashion baseado em produção acelerada, preços extremamente baixos e logística internacional direta ao consumidor.
Esse modelo permite:
- Custos reduzidos
- Eliminação de intermediários
- Envio direto de centros logísticos fora da Europa
No entanto, varejistas europeus alegam que a prática gera:
- Competição fiscal desigual
- Pressão sobre empregos locais
- Impactos ambientais
- Risco de entrada de produtos fora dos padrões regulatórios europeus
A França sustenta que a nova taxa ajuda a restaurar equilíbrio competitivo.
Medidas para proteger o comércio francês
O comércio tradicional francês vem enfrentando dificuldades para competir com preços praticados por gigantes digitais internacionais.
Impactos no varejo local
Pequenas e médias empresas relatam:
- Redução de margens
- Perda de clientes
- Dificuldade para competir com preços subsidiados
Ao criar uma taxa adicional sobre importações de baixo custo, o governo francês espera estimular a preferência por produtos nacionais e fortalecer o comércio físico.
Proposta de suspensão de plataformas sem decisão judicial
Outro ponto relevante é a análise de um projeto que permitiria suspender operações de plataformas online sem decisão judicial prévia, caso vendam produtos ilegais ou prejudiciais.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A proposta ainda está em discussão, mas representa um avanço significativo na regulação do comércio digital no país.
Se aprovada, a medida ampliaria o poder do Estado francês na fiscalização de marketplaces estrangeiros.
O que o Brasil pode aprender com o modelo francês
O debate na França ocorre em paralelo às discussões brasileiras sobre tributação de compras internacionais.
No Brasil, a Receita Federal já implementou o programa Remessa Conforme, que passou a exigir recolhimento antecipado de tributos em plataformas internacionais.
Assim como na França, o objetivo declarado é:
- Garantir arrecadação
- Proteger varejistas nacionais
- Criar isonomia tributária
O movimento europeu reforça a tendência global de maior controle sobre o comércio eletrônico internacional de baixo custo.
Cenário global de regulação do e-commerce
A iniciativa francesa não é isolada. Países e blocos econômicos vêm revendo regras para:
- Combater subfaturamento
- Garantir padrões de segurança
- Assegurar tributação adequada
A cooperação entre França e União Europeia demonstra preocupação estruturada com os impactos econômicos das grandes plataformas digitais.
A expectativa é que 2026 marque uma nova fase na regulação do comércio eletrônico internacional.
Para consumidores, as mudanças podem significar aumento de preços em compras internacionais. Para varejistas locais, pode representar fôlego competitivo.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
Imagem: Reprodução / Freepik
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
