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Caso de descontos indevidos no INSS tem novo desdobramento com prisão

Investigação aponta ligação entre associação suspeita de fraudes no BRB e esquema conhecido como Farra do INSS.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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Uma das entidades investigadas no esquema de fraudes envolvendo contas de aposentados e pensionistas no Banco de Brasília (BRB) tem ligação direta com personagens já conhecidos de outra grande investigação nacional: a chamada Farra do INSS. O caso ganhou novos desdobramentos após a prisão de suspeitos durante a Operação Parasita, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

As apurações apontam que o Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos (Cassisp) teria sido criado para atuar em um esquema de descontos indevidos realizados diretamente nas contas de beneficiários, sem autorização válida dos titulares.

O caso chama atenção por envolver pessoas que já haviam sido citadas em investigações anteriores relacionadas a fraudes contra aposentados e pensionistas, ampliando as suspeitas sobre a atuação de grupos especializados nesse tipo de crime financeiro.

Leia mais: Falta de regularização coloca mais de 1 milhão de MEIs em risco

O que é o Cassisp e por que a associação está sendo investigada

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Cassisp foi constituído em abril de 2024 por Adelino Rodrigues Junior e Samuel Messias dos Santos. Poucos meses depois, a presidência da entidade passou para Regina Pacheco Cataneo, que permanece à frente da associação.

Segundo informações reunidas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a entidade teria sido criada sem possuir associados que se enquadrassem no perfil que justificaria sua existência institucional.

Para os investigadores, esse é um dos indícios de que a associação teria sido estruturada para operar um esquema de cobranças indevidas direcionado a aposentados e pensionistas vinculados ao Governo do Distrito Federal.

A suspeita é que contratos fossem utilizados para autorizar débitos automáticos diretamente nas contas dos beneficiários, sem consentimento efetivo dos titulares.

Operação Parasita levou à prisão de sete investigados

As investigações avançaram com a deflagração da Operação Parasita, realizada pela PCDF. Ao todo, sete pessoas ligadas ao Cassisp e a outras associações investigadas foram presas.

De acordo com os investigadores, parte dos detidos já possuía histórico de envolvimento em crimes semelhantes. Três deles também aparecem em apurações conduzidas anteriormente pela Polícia Federal relacionadas a fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A polícia estima que mais de 3,5 mil contas bancárias tenham sido impactadas pelo esquema. O prejuízo inicial calculado pelas autoridades ultrapassa R$ 5 milhões, embora os valores ainda possam aumentar à medida que as investigações avancem.

Como funcionava o suposto esquema

Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, as associações investigadas atuavam por meio da formalização de contratos que permitiam a realização de descontos automáticos em contas bancárias.

Na prática, aposentados e pensionistas passavam a ter valores debitados regularmente sem que tivessem autorizado ou sequer conhecimento da cobrança.

Esse tipo de fraude tem sido alvo de atenção crescente dos órgãos de controle, especialmente devido à vulnerabilidade do público atingido, composto majoritariamente por idosos e beneficiários da Previdência Social.

Ligação com a Farra do INSS amplia gravidade do caso

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O nome de Adelino Rodrigues Junior ganhou relevância nacional após sua inclusão nas investigações da Operação Sem Desconto, que apurou um amplo esquema de irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Ele foi preso preventivamente em dezembro de 2025 por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme as investigações, Adelino mantinha relação próxima com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como “Careca do INSS”, apontado pelas autoridades como uma das figuras centrais do esquema investigado.

Papel atribuído a Adelino nas investigações

Documentos das apurações indicam que Adelino teria desempenhado funções estratégicas na movimentação financeira do grupo investigado.

Segundo a Polícia Federal, sua atuação envolvia suporte operacional em transações financeiras, estruturação de empresas utilizadas nas operações, elaboração de contratos simulados e participação em mecanismos destinados a dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Os investigadores sustentam que ele teria participado de processos voltados à ocultação da movimentação financeira, prática frequentemente associada a esquemas de lavagem de dinheiro.

Empresas de fachada e movimentações suspeitas

As apurações também apontam que Adelino teria atuado em negociações relacionadas a empresas utilizadas para emissão de documentos fiscais sem lastro real em atividades econômicas.

Segundo os investigadores, essas estruturas teriam servido para justificar movimentações financeiras e criar uma aparência de legalidade para operações suspeitas.

Os relatórios da Polícia Federal indicam ainda que ele participava de ajustes societários, regularizações contratuais e repasses internos considerados relevantes para o funcionamento do esquema investigado.

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Dinheiro em espécie chamou atenção dos investigadores

Outro elemento citado nas investigações envolve a apreensão de imagens analisadas pela Polícia Federal.

De acordo com os registros, Adelino teria adquirido um cofre em 2023 e fotografado o equipamento contendo mais de R$ 500 mil em dinheiro vivo.

Embora a posse de dinheiro em espécie não constitua crime por si só, a informação passou a integrar o conjunto de elementos avaliados pelas autoridades durante o aprofundamento das investigações.

Qual foi a posição do BRB

O Banco de Brasília informou que as investigações tiveram origem em uma comunicação formal realizada pela própria instituição financeira às autoridades competentes.

Segundo o banco, foram identificadas movimentações consideradas irregulares e possíveis descumprimentos de regras internas de compliance, o que motivou o envio da notícia-crime para os órgãos responsáveis.

Como medida preventiva, três funcionários foram afastados de suas funções até a conclusão das apurações e a definição de eventuais responsabilidades.

A instituição também afirmou que os fatos investigados não possuem relação com a atual administração do banco.

Medidas adotadas pela instituição

Em comunicado oficial, o BRB reforçou que mantém colaboração integral com os órgãos de investigação e destacou seu compromisso com práticas de integridade, transparência e conformidade regulatória.

O banco declarou ainda repudiar qualquer prática criminosa, especialmente aquelas que afetem grupos vulneráveis, como aposentados e pensionistas.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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