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Fraude no INSS: messias promete ação contra servidores responsáveis

Ministro da AGU afirma que servidores públicos envolvidos na fraude de descontos no INSS serão punidos nas esferas criminal.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou nesta terça-feira, 20 de maio de 2025, que os servidores públicos envolvidos na fraude de descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) serão punidos nas esferas criminal, civil e administrativa. A declaração foi feita durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), após revelações feitas pelo portal Metrópoles sobre um esquema de desvio de valores diretamente da folha de pagamento de aposentados e pensionistas.

Segundo o ministro, seis servidores já foram identificados, afastados de suas funções e respondem na Justiça pelos crimes cometidos. Ele também ressaltou que as investigações continuam em andamento e podem alcançar outros nomes ligados a diferentes gestões do órgão.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Fraude no INSS: o que se sabe até agora

As primeiras informações sobre a fraude bilionária vieram à tona com a deflagração da Operação Sem Desconto, uma ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). A apuração revelou que uma estrutura criminosa operava dentro do INSS desde pelo menos 2019, facilitando o lançamento de descontos não autorizados em nome de entidades associativas inexistentes ou sem legitimidade legal.

Esses valores, lançados diretamente nos benefícios previdenciários, vinham sendo cobrados mensalmente sem o consentimento dos beneficiários, totalizando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões ao longo de seis anos.

Modus operandi da quadrilha

De acordo com o que foi apurado até agora:

  • Entidades fantasmas ou associações sem representatividade eram cadastradas para realizar descontos nos benefícios;
  • Servidores públicos eram subornados para permitir esses lançamentos fraudulentos na folha de pagamento;
  • A maioria dos beneficiários não tinha conhecimento da filiação nem autorizava o desconto;
  • A estrutura era composta por duas frentes principais: entidades que pagavam propinas a servidores e outras totalmente fictícias, criadas apenas para aplicar golpes.

O esquema tinha como alvos preferenciais os aposentados e pensionistas mais vulneráveis, muitos dos quais não utilizam meios digitais ou possuem dificuldade de acesso ao sistema Meu INSS, o que dificultava a detecção do golpe.

Punição exemplar: foco do governo Lula

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Imagem: Reprodução/Miguel Schincariol/AFP

O ministro Jorge Messias foi enfático ao afirmar que o governo federal não permitirá a impunidade. Segundo ele, a ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que “não fique pedra sobre pedra”. A determinação presidencial é para que todos os envolvidos sejam responsabilizados em todas as frentes possíveis.

“Nós não queremos servidores públicos conosco que não têm compromisso ético, que não têm compromisso com a integridade e com o zelo do patrimônio público e das pessoas”, disse Messias durante a entrevista.

O ministro acrescentou que o ressarcimento integral aos aposentados e pensionistas será prioridade:

“Cada centavo descontado indevidamente será devolvido. A população pode ter certeza disso. Estamos tratando de cidadãos em uma fase da vida em que precisam ser protegidos, não lesados”, completou.

Esferas de responsabilização dos envolvidos

O ministro explicou que os servidores públicos identificados no esquema responderão em três níveis distintos:

1. Responsabilidade administrativa

Esses servidores foram afastados do serviço público e responderão a processos disciplinares internos. Caso seja comprovado o envolvimento deliberado, eles poderão ser exonerados a bem do serviço público, o que impede o retorno a funções públicas em qualquer esfera da administração federal.

2. Responsabilidade civil

Haverá a cobrança de indenizações pelos danos causados aos cofres públicos e aos segurados lesados. A AGU já estuda ações civis públicas e individuais para recuperar os valores desviados diretamente dos envolvidos.

3. Responsabilidade criminal

Além dos crimes funcionais, como corrupção passiva e falsidade ideológica, os servidores responderão por formação de organização criminosa, estelionato e apropriação indébita. As penas podem ultrapassar 12 anos de prisão, dependendo da gravidade e do papel exercido por cada agente no esquema.

Envolvimento de entidades de fachada

Segundo Jorge Messias, o esquema não se restringe a servidores públicos. As investigações apontam para o envolvimento direto de associações fraudulentas, criadas exclusivamente para aplicar o golpe. Ele destacou que houve a atuação de duas categorias distintas:

  • Entidades que subornavam servidores, oferecendo vantagem financeira para manter os descontos ativos;
  • Entidades completamente fictícias, que não tinham sequer sede física ou cadastro formal, mas conseguiram ser inseridas no sistema do INSS com a ajuda de agentes internos.

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Determinação do TCU foi marco para mudanças

O caso já vinha sendo acompanhado de perto pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que em 2023 determinou uma série de medidas ao INSS e à Dataprev para melhorar o controle sobre autorizações de descontos em folha. Entre as exigências estavam:

  • Implementação de assinatura eletrônica avançada e biometria para autorizar qualquer desconto nos benefícios;
  • Criação de sistemas para bloqueio e desbloqueio individualizado de descontos;
  • Ressarcimento aos beneficiários prejudicados;
  • Adoção de mecanismos de controle mais rigorosos contra entidades de fachada.

O INSS chegou a recorrer da decisão, alegando que já possuía mecanismos de controle eficazes, mas teve o recurso negado em maio de 2025. Desde então, a autarquia tem tomado medidas para adequar seus sistemas às exigências do tribunal, incluindo o bloqueio automático de novos empréstimos consignados e descontos associativos sem biometria.

Medidas emergenciais adotadas pelo INSS

Após a negativa do recurso, o INSS suspendeu novas averbações de consignado e descontos em folha para instituições associativas até que a nova plataforma com biometria facial e assinatura digital seja implementada. A liberação dos descontos só será possível após:

  • Autorização feita exclusivamente pelo aplicativo Meu INSS;
  • Validação por biometria facial ou impressão digital, cruzada com dados do governo;
  • Confirmação expressa do titular do benefício, com possibilidade de rastreamento do consentimento.

Essas mudanças começaram a valer para empréstimos consignados em 23 de maio de 2025, e serão gradualmente estendidas aos demais tipos de desconto, como mensalidades de sindicatos, associações e seguros.

O papel da AGU na proteção do segurado

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Imagem: Reprodução

A Advocacia-Geral da União tem atuado em conjunto com a Polícia Federal, CGU e Ministério da Previdência para identificar os envolvidos e ingressar com ações judiciais de ressarcimento. Segundo o ministro Jorge Messias, a AGU também está avaliando possíveis responsabilidades solidárias por parte das entidades financeiras e operadoras do sistema de consignado que eventualmente tenham se beneficiado do esquema.

A atuação da AGU também prevê:

  • Suporte jurídico às vítimas que buscarem reaver os valores;
  • Propostas de ajustes normativos e regulatórios no sistema de consignação;
  • Colaboração com o Congresso Nacional para legislações preventivas.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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