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PF revela: entidades envolvidas em fraudes no INSS usavam várias contas, entenda como

Entidade AAPPS Universo aumentou em 1.050% os descontos de aposentados do INSS entre 2022 e 2023. PF e CGU investigam fraudes!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) e investigações da Polícia Federal (PF) revelaram um esquema de arrecadação irregular de recursos de aposentados e pensionistas do INSS por parte da entidade AAPPS Universo, sediada em Sergipe. A organização é uma das protagonistas da chamada “farra dos descontos indevidos”, que motivou a Operação Sem Desconto, iniciada ainda em 2023 e que teve mais uma fase executada em junho de 2025.

O caso ganhou repercussão nacional após a revelação de que os descontos mensais em contracheques de beneficiários cresceram mais de 1.000% em apenas um ano, levantando suspeitas sobre a origem e destino dos valores arrecadados.

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Imagem: Freepik e Canva

Descontos cresceram de R$ 5 milhões para R$ 57,9 milhões em um ano

Segundo dados oficiais da CGU anexados ao inquérito da PF, a Universo Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral da Previdência Social (AAPPS Universo) arrecadou R$ 5 milhões em 2022 por meio de descontos realizados diretamente na folha de pagamento de aposentados. Já em 2023, o valor saltou para R$ 57,9 milhões, um aumento de 1.050% em apenas 12 meses.

Esse crescimento vertiginoso acendeu o alerta entre os órgãos de controle. O relatório destaca que não houve proporcionalidade entre o aumento de associados e o volume arrecadado, indicando indícios de fraude sistêmica e manipulação de dados junto ao INSS.

Uso de múltiplas contas para dificultar rastreamento

Uma das principais estratégias identificadas pela Polícia Federal para mascarar a origem dos recursos foi o uso de diversas contas bancárias vinculadas à AAPPS Universo e a outras entidades coligadas. Entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024, pelo menos R$ 95 milhões circularam por essas contas, muitas vezes migrando entre associações diferentes antes de serem destinados a indivíduos e operadores financeiros.

Segundo o relatório da PF, essa prática configura um claro indício de dissimulação patrimonial, com a intenção de dificultar o rastreamento e a identificação dos beneficiários finais dos recursos.

Associações atuavam em conjunto para esconder movimentações

Além da AAPPS Universo, outra entidade mencionada nos relatórios é a APDAP PREV (Associação de Proteção e Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas), que teria recebido parte dos valores transferidos pela primeira associação. O documento da PF sugere que as duas organizações atuavam de forma coordenada para distribuir e fragmentar recursos, gerando uma teia de transações financeiras opacas.

O fluxo típico de movimentação envolvia a circulação dos valores entre as contas da AAPPS Universo, da APDAP PREV e, por fim, transferências a indivíduos ligados diretamente às associações, alguns dos quais já estavam na condição de investigados ou presos desde a primeira fase da operação.

Operação Sem Desconto: nova fase mira bens e devolução dos valores

A nova fase da Operação Sem Desconto, realizada em junho de 2025, teve como foco o bloqueio e apreensão de bens das pessoas ligadas às entidades investigadas. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em Sergipe, onde as associações têm sede, visando localizar documentos, registros bancários, e elementos que comprovem o destino dos valores descontados indevidamente.

O objetivo da operação, segundo a corporação, é reunir provas suficientes para possibilitar a restituição dos recursos desviados aos aposentados e pensionistas lesados.

“Transferências pessoais disfarçadas”, segundo a PF

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

A PF classifica como “transferências pessoais disfarçadas” os repasses feitos a nomes ligados diretamente à AAPPS Universo. A suspeita é de que parte dos valores, após circular por contas de entidades sem fins lucrativos, era enviada para pessoas físicas, caracterizando enriquecimento ilícito por meio da fraude em desconto associativo.

Essa prática, segundo os investigadores, se baseava no uso do convênio com o INSS para viabilizar os descontos diretamente da folha de pagamento, sem que houvesse autorização expressa dos beneficiários. Muitos aposentados sequer tinham ciência de que estavam associados às entidades.

Descontos associativos indevidos são alvo de denúncias há anos

O problema dos descontos não autorizados em contracheques de beneficiários do INSS não é novo. Associações de aposentados, sindicatos e entidades de previdência são frequentemente apontados por usarem brechas legais para impor mensalidades, taxas administrativas e cobranças fictícias sem consentimento.

A diferença neste caso é a escala da operação e o volume financeiro envolvido, o que levou o governo a autorizar uma força-tarefa entre PF, CGU, Ministério da Previdência e Dataprev para mapear o fluxo financeiro dessas entidades.

Estimativa de prejuízo chega a R$ 6,3 bilhões

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Na primeira fase da Operação Sem Desconto, o prejuízo estimado pelas autoridades já ultrapassava R$ 6,3 bilhões. Esse montante abrange os valores desviados por diversas associações entre 2019 e 2024. A expectativa é de que, com os avanços na investigação da AAPPS Universo e da APDAP PREV, novos montantes sejam incorporados ao cálculo total.

A CGU destacou em seu relatório que, além da arrecadação suspeita, houve falhas na fiscalização do INSS, que permitiram a continuidade dos descontos sem verificação criteriosa da regularidade.

Como identificar e contestar descontos indevidos

Diante dos escândalos, o INSS orienta aposentados e pensionistas a consultarem regularmente seu contracheque pelo portal Meu INSS ou pelo aplicativo, buscando identificar valores descontados por associações, clubes ou sindicatos que não tenham sido autorizados.

Em caso de suspeita, o beneficiário deve:

  1. Solicitar a exclusão do desconto via aplicativo Meu INSS, telefone 135 ou presencialmente;
  2. Registrar reclamação na Ouvidoria da Previdência ou na CGU;
  3. Solicitar o ressarcimento dos valores pagos indevidamente, com análise caso a caso.

O governo também anunciou que vai implementar um sistema de autorização expressa digital, exigindo que qualquer novo desconto seja precedido de um consentimento via aplicativo ou portal oficial.

Repercussão política e medidas legislativas

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Imagem: Freepik e Canva

O escândalo teve ampla repercussão no Congresso Nacional. Parlamentares da base e da oposição cobraram mais rigor na concessão de convênios com entidades associativas e pedem a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a atuação dessas associações.

O Ministério da Previdência, por sua vez, estuda a suspensão de todos os convênios com entidades que realizam descontos facultativos, até que um novo modelo regulatório seja implantado. A Dataprev também deverá ser submetida a auditorias internas para apurar sua atuação no controle de sistemas de pagamento.

Imagem: Seu Crédito Digital / Freepik

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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