Um esquema que movimentava milhões de reais foi descoberto pela Operação Sangradouro da Polícia Federal, no Mato Grosso. A quadrilha é suspeita de aplicar golpes relacionados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação foi iniciada no final do mês de junho.
Os envolvidos usavam documentos falsos em nome de indígenas para liberar benefícios previdenciários e até mesmo conseguir empréstimos consignados disponibilizados pela autarquia com melhores condições aos segurados.
Segundo informações apuradas pelas investigações e divulgadas pelo Terra, estima-se que a fraude no INSS causou um prejuízo de R$ 64 milhões aos cofres públicos. As modificações alteravam a idade das pessoas para que fosse possível ter acesso a determinados auxílios, como a aposentadoria.
Fraude do INSS
O modelo dessa fraude do INSS já foi localizado em 48 aldeias, com a criação de 552 pessoas fictícias com datas de nascimento adulteradas para facilitar a concessão de determinados auxílios pela autarquia.
De acordo com Murilo de Oliveira, delegado da PF, em entrevista ao Fantástico, em alguns casos, em média, os “beneficiários” tinham 17 anos a mais do que sua idade real. Isso permitia que eles recebessem a aposentadoria, uma vez que o INSS avalia a liberação com base nos documentos apresentados.
Duplicação de documentos para a fraude
Ainda, com base na investigação, a PF afirma que foi possível constatar a duplicação de documentos, com informações como nome e idades distintos, mas com a mesma impressão digital. Após a comprovação das suspeitas, mais de 500 benefícios foram suspensos por determinação.
Em um caso citado como exemplo, em que o beneficiário do INSS tinha como nome “Zé Mané”, a partir da criação da documentação falsa, foi possível receber a aposentadoria e conseguir cerca de R$ 40 mil em empréstimos consignados.
A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) alega que está em colaboração com as investigações e que todos os funcionários envolvidos no esquema fraudulento já foram afastados. O Ministério da Previdência Social também trabalha em conjunto com a PF para compartilhar os dados necessários.
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