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Fraude de R$ 114 mil no Uber envolve IA, Pix e paradas adicionadas

Criminosos usam IA e vulnerabilidade no Pix para fraudar Uber, criar contas falsas e causar prejuízo de R$ 114 mil.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Uber Amazon

A Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou nesta quarta-feira (13) um esquema de fraude contra a Uber que usou inteligência artificial para criar contas falsas e explorar uma vulnerabilidade no sistema de pagamentos via Pix. Segundo as investigações, o golpe resultou em um prejuízo de R$ 114 mil para a plataforma, com mais de 2.000 viagens fraudulentas.

A operação, batizada de Rota Falsa, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em bairros da zona norte e centro-sul do Rio: Alto da Boa Vista, Tijuca, Maracanã e Honório Gurgel. Dois suspeitos, cujas identidades não foram reveladas, são apontados como principais articuladores do esquema, com possível participação de outros comparsas.

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Como funcionava a fraude

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Imagem: panitanphoto e DG-Studio / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

O método envolvia três elementos-chave:

  1. Manipulação de imagens com IA
    Os golpistas fraudavam o sistema de verificação facial da Uber utilizando imagens manipuladas digitalmente. “Eles utilizavam inteligência artificial para manipular imagens digitalmente e também usavam imagens físicas, com rostos impressos em papel, colocados sobre a face real”, explicou a Polícia Civil.
  2. Uso exclusivo do Pix
    Todas as corridas fraudulentas eram pagas via Pix, modalidade na qual a cobrança é imediata e o motorista só é acionado após a confirmação. Isso garantia o pagamento rápido aos falsos motoristas antes que a empresa pudesse detectar o golpe.
  3. Paradas adicionais para inflar o valor da corrida
    Perfis de passageiros falsos adicionavam múltiplas paradas. Nesse modelo, a Uber paga primeiro ao motorista e depois tenta cobrar o passageiro — valor que, no caso, nunca era quitado.

Dimensão do golpe

As investigações revelam que foram criadas 480 contas falsas entre motoristas e passageiros. Em um caso, 478 contas foram registradas no mesmo endereço residencial de um dos investigados. As contas de motoristas recebiam pagamentos em contas bancárias vinculadas a outro suspeito.

De acordo com a Polícia Civil, a maior parte das contas falsas foi abandonada logo após o uso, dificultando a recuperação dos valores pela Uber.

Resposta da Uber e investigações

A denúncia partiu da própria empresa. Em nota enviada ao UOL, a Uber destacou seus esforços em detectar e impedir fraudes:

“Nossas equipes de detecção de fraudes usam análises manuais e sistemas automatizados de aprendizado que analisam mais de 600 tipos de sinais diferentes à procura de comportamentos fraudulentos”, afirmou a companhia, que também confirmou colaboração com as autoridades.

A operação Rota Falsa busca não apenas punir os responsáveis, mas também entender se a vulnerabilidade no sistema de pagamentos via Pix foi explorada de forma isolada ou se há grupos maiores atuando em outras regiões.

Segurança digital e desafios da verificação facial

O caso evidencia um desafio crescente para empresas que dependem de verificação facial: a evolução das técnicas de manipulação de imagens. O uso de IA para criar “deepfakes” ou falsificações fotográficas realistas ameaça sistemas automatizados de autenticação, exigindo a implementação de múltiplas camadas de segurança.

Especialistas apontam que, além da verificação facial, o cruzamento de dados geográficos, biométricos e comportamentais pode reduzir o risco de fraudes. No entanto, criminosos adaptam-se rapidamente às barreiras tecnológicas, como mostra este caso.

Impactos para a Uber e para usuários

Embora o prejuízo financeiro de R$ 114 mil seja significativo, a maior preocupação da Uber é o dano à confiança do usuário. Golpes desse tipo não afetam apenas as finanças da empresa, mas também a credibilidade do sistema e a segurança de motoristas e passageiros.

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Além disso, o golpe pode inspirar criminosos em outras regiões a tentar explorar mecanismos semelhantes, ampliando a necessidade de respostas rápidas e investimentos em cibersegurança.

Próximos passos das investigações

Uber procon
Imagem: Sundry Photography / shutterstock.com

A Polícia Civil deve periciar os equipamentos apreendidos para identificar todas as transações envolvidas e mapear a rede de beneficiários. É possível que o caso resulte em mudanças no protocolo de pagamentos da Uber e até na forma como o Pix é integrado à plataforma.

A expectativa é de que novas prisões possam ocorrer nos próximos dias, especialmente se for comprovado que outras pessoas receberam valores oriundos das viagens fraudulentas.

Proteção contra golpes no transporte por aplicativo

O caso serve de alerta para usuários e empresas. Entre as medidas preventivas recomendadas estão:

  • Uso de autenticação multifator em contas de motoristas e passageiros.
  • Monitoramento constante de padrões incomuns em corridas e pagamentos.
  • Reforço na análise de verificação facial, incluindo detecção de imagens impressas ou digitais.
  • Revisão de protocolos de pagamento antecipado.

Enquanto isso, a Uber afirma que continuará investindo em tecnologia e colaborando com autoridades para coibir fraudes.

Com informações de: UOL

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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