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Pix: usuários relatam crescimento de fraudes após chegada do botão de contestação

Avatar de Helena Serpa Helena Serpa · · 5 min de leitura
Pix

A implementação do botão de contestação no Pix, criada para facilitar a comunicação de suspeitas de fraude, produziu efeitos imediatos no comportamento dos usuários. Desde a entrada em vigor da função, o número de solicitações disparou — mas a taxa de ressarcimento permanece baixa, inferior a 10%. Os dados mais recentes do Banco Central indicam um movimento paradoxal: mais contestação, mas pouca recuperação efetiva do dinheiro.

O que mudou com o botão de contestação no Pix

Leia mais: BC aumenta segurança e exclui 31 empresas do Pix

O botão de contestação foi lançado em outubro de 2025 como parte do aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Até então, quem sofria um golpe precisava acionar o atendimento do banco ou da fintech para solicitar a análise do caso, o que tornava o processo menos ágil e, muitas vezes, burocrático.

Acesso rápido e direto

Com a nova ferramenta, o cliente aciona a contestação diretamente pelo aplicativo, sem precisar conversar com atendentes. A medida buscava:

  • Aumentar a velocidade de comunicação da fraude
  • Ampliar a chance de os recursos ainda estarem na conta do fraudador
  • Automatizar parte do fluxo interno dos bancos
  • Estimular a confiança no sistema de pagamentos

Contudo, o cenário inicial não confirmou a expectativa de ressarcimento mais eficiente.

Explosão de contestações após a mudança

Entre janeiro e agosto de 2025, o Pix registrava média mensal de 1,3 milhão de operações contestadas. Com o lançamento do botão, em outubro, foram 3,5 milhões de solicitações — alta de 169%. Em novembro, o volume continuou elevado, com 3,4 milhões de pedidos.

Por que houve esse salto?

Diversos fatores influenciam esse aumento expressivo:

  • A facilidade de uso estimulou usuários a denunciarem casos antes ignorados
  • Muitos aproveitaram a agilidade do novo método para tentar reaver valores
  • A percepção de segurança aumentou, incentivando mais registros
  • A contestação automática reduziu barreiras de entrada

Ainda assim, mesmo com a escalada do número de pedidos, as devoluções não acompanharam o ritmo.

Devoluções permanecem baixas apesar do aumento das denúncias

O número de pedidos aceitos caiu proporcionalmente após a criação do botão. De janeiro a agosto, cerca de 26% das solicitações eram aprovadas. Em outubro, a taxa caiu para 12% e, em novembro, recuou novamente para 9%.

Valores devolvidos continuam limitados

Em termos financeiros:

  • Média de janeiro a agosto: R$ 56 milhões devolvidos (9,2% do total contestado)
  • Outubro: R$ 70,3 milhões (9,2%)
  • Novembro: R$ 62,8 milhões (7,1%)

A queda do percentual de ressarcimento mostra que o aumento das contestações não significou mais dinheiro devolvido.

Principais motivos para a baixa taxa de ressarcimento

Segundo o Banco Central, cerca de 80% dos casos não resultam em devolução por um motivo simples: não há saldo na conta de destino.

Saldo insuficiente: o obstáculo mais crítico

Quem aplica golpes via Pix costuma movimentar o dinheiro com muita rapidez. Em poucos minutos, os valores são:

  • Pulverizados entre diversas contas
  • Convertidos em outros meios de pagamento
  • Transferidos para contas de terceiros
  • Sacados imediatamente

A agilidade característica do Pix, vantagem para os usuários, também facilita o escoamento rápido dos valores por criminosos.

Limitações do antigo MED

Até a atualização recente, o Mecanismo Especial de Devolução só conseguia alcançar a primeira conta que recebia os recursos fraudulentos. Golpistas, porém, utilizam redes complexas de movimentação que envolvem múltiplas contas e pequenas transações.

A nova versão do MED: expectativa de melhora

O Banco Central apresentou no Fórum Pix a nova versão do MED, que inclui uma funcionalidade essencial: a possibilidade de “perseguir” o caminho do dinheiro.

Como funciona o novo rastreamento

Com a atualização:

  • Os bancos poderão acompanhar várias etapas da transferência
  • Será possível identificar contas usadas como “ponte”
  • O monitoramento passa a mapear a trajetória completa dos recursos

Essa ferramenta já está disponível de forma facultativa e se tornará obrigatória em fevereiro de 2026.

Crescimento dos golpes no Pix acende alerta entre consumidores

O aumento expressivo das contestações mostra que o Pix continua sendo alvo frequente de criminosos, sobretudo em golpes como:

  • Falso empréstimo
  • Perfis falsos em redes sociais
  • Engenharia social envolvendo conhecidos
  • Golpe do pagamento antecipado
  • Falso suporte bancário

Ambiente digital mais arriscado

As fraudes tendem a se intensificar em períodos em que novas ferramentas são lançadas. Criminosos testam vulnerabilidades, enquanto usuários ainda estão se adaptando às mudanças.

O BC reforça campanhas de conscientização, mas também depende da ação dos bancos, que precisam aprimorar protocolos de segurança e detecção automática de atividades suspeitas.

O papel dos bancos e das fintechs na análise das contestações

As instituições financeiras são responsáveis por avaliar cada pedido de contestação. Com o aumento das solicitações, houve:

  • Sobrecarga das equipes
  • Pressão para decisões mais rápidas
  • Revisão de protocolos internos
  • Investimento em inteligência antifraude

FAQ – Perguntas frequentes

O número de fraudes realmente aumentou após o botão?

Os pedidos de contestação aumentaram, mas isso não significa necessariamente mais fraudes — e sim mais denúncias facilitadas.

A taxa de devolução de dinheiro aumentou?

Não. Mesmo com mais contestações, o percentual de ressarcimentos permanece abaixo de 10%.

Por que os bancos negam tantos pedidos?

O principal motivo é a falta de saldo na conta do fraudador, que esvazia rapidamente os valores recebidos.

Considerações finais

A criação do botão de contestação tornou o processo de denúncia mais acessível e contribuiu para um aumento significativo nas solicitações, mas não trouxe avanços imediatos na recuperação dos valores. O cenário só deve mudar de forma consistente com a implementação do novo MED, que permitirá rastrear o caminho do dinheiro de forma mais completa.

Enquanto isso, consumidores, bancos e o próprio Banco Central precisam atuar em conjunto para mitigar fraudes e fortalecer a confiança no sistema de pagamentos instantâneos que se tornou o mais utilizado do País.

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