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BC aumenta segurança e exclui 31 empresas do Pix

O tema “BC exclui empresas do Pix” ganhou força após o Banco Central confirmar mudanças profundas nas regras de segurança e operação dos participantes indiretos do sistema. As alterações chegam após uma sequência de ataques cibernéticos que provocaram prejuízo superior a R$ 1,5 bilhão entre junho e setembro, envolvendo contas de fachada que atuavam dentro […]

Avatar de Kayky Santos Kayky Santos · · 8 min de leitura
BC

O tema “BC exclui empresas do Pix” ganhou força após o Banco Central confirmar mudanças profundas nas regras de segurança e operação dos participantes indiretos do sistema. As alterações chegam após uma sequência de ataques cibernéticos que provocaram prejuízo superior a R$ 1,5 bilhão entre junho e setembro, envolvendo contas de fachada que atuavam dentro dessas instituições não autorizadas diretamente pelo BC.

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O novo conjunto de normas expõe uma reestruturação que afeta 31 empresas que até então operavam no Pix por meio de contratos com instituições financeiras responsáveis. Agora, elas precisam se adequar aos novos padrões de risco, segurança e transparência operacional. Caso não cumpram as exigências, serão removidas definitivamente do sistema até março de 2026.

As mudanças fazem parte da agenda de segurança anunciada pelo Banco Central e divulgada na ata do Fórum Pix, que detalhou também medidas adicionais a serem implementadas entre 2025 e 2026, incluindo algoritmos antifraude, matrizes de risco e o endurecimento do acesso ao Pix Automático.

O que muda para as empresas que operam no Pix sem autorização do BC

As instituições conhecidas como participantes indiretos — aquelas que não têm autorização do Banco Central para atuar como instituições financeiras, mas acessam o Pix por meio de empresas responsáveis — estão no centro da reestruturação.

Segundo a resolução publicada em setembro, somente instituições que apresentarem um formulário detalhado de avaliação de risco poderão assumir responsabilidade por terceiros. Esse documento inclui informações sobre valores sob custódia, movimentações, exposição ao risco e outros dados necessários para o BC avaliar a solidez e a capacidade operacional da empresa.

Além disso, cooperativas de crédito perderam o direito de tutelar a participação de instituições indiretas, o que muda significativamente a dinâmica de atuação no ecossistema de pagamentos instantâneos.

O prazo para adequação

A regra estabelece que:

  • Empresas participantes indiretas que não se adequarem até 4 de março de 2026 serão excluídas do Pix.
  • Atualmente, 39 instituições já estão adequadas ao novo padrão.
  • Outras 31 empresas precisam encontrar um novo responsável — ou encerrarão sua atuação.

Para o Banco Central, a exigência de maior rigor é essencial para impedir brechas que possam facilitar fraudes e dispersão de recursos de origem criminosa.

Como os ataques cibernéticos aceleraram a mudança

Entre junho e setembro, uma série de ataques coordenados explorou fragilidades de participantes indiretos do Pix. A principal estratégia usada pelos criminosos foi abrir contas de fachada nessas fintechs e usá-las para dispersar grandes quantias desviadas de instituições financeiras.

Um caso emblemático envolveu a empresa Soffy, que recebeu cerca de R$ 270 milhões dos R$ 541 milhões desviados da BMP Moneyplus, embora tenha afirmado posteriormente que a conta utilizada era vinculada a um cliente parceiro e não à empresa em si.

Diante disso, o BC concluiu que a falta de critérios rígidos de controle entre participantes indiretos representava risco sistêmico e exigia correção imediata.

O que diz a Associação Nacional dos Analistas do Banco Central

Segundo a ANBCB, apesar das novas exigências, o acesso dos participantes indiretos continua sendo contemplado pela regulamentação vigente. Porém, as condições para permanência podem ser modificadas conforme o Banco Central avance no monitoramento de riscos e na definição das regras que devem prevalecer no futuro.

A entidade reforça que a decisão final sobre manter, ajustar ou extinguir essa modalidade de participação dependerá exclusivamente das avaliações técnicas do Banco Central.

O que muda para quem usa o Pix no dia a dia

Para o usuário comum, a exclusão de instituições que não cumprirem os requisitos não altera o funcionamento do Pix. As medidas reforçam a segurança e buscam eliminar brechas que são usadas por fraudadores, reforçando a confiabilidade do sistema.

O Banco Central também pretende implementar restrições para pessoas com histórico de fraude, dificultando a reincidência e o uso de contas de laranjas para golpes digitais.

Novas exigências de segurança para 2025 e 2026

A agenda de segurança divulgada pelo BC no Fórum Pix prevê uma série de medidas que serão implementadas de forma gradual. Elas atingem tanto instituições financeiras quanto usuários, com o objetivo de reduzir fraudes e aumentar a rastreabilidade de operações suspeitas.

Cadastro obrigatório de aparelho

A partir de 2025, o uso do Pix exigirá o cadastro de pelo menos um dispositivo autorizado. Isso significa que transações feitas a partir de aparelhos não registrados serão bloqueadas automaticamente.

Limites de valor para transações

O BC definirá valores máximos para transações via Pix, ajustáveis conforme o perfil e o histórico de segurança de cada usuário. A medida reforça o controle sobre transferências de alto risco.

MED obrigatório a partir de fevereiro de 2026

O Mecanismo Especial de Devoluções (MED), hoje opcional, se tornará obrigatório. Isso garantirá mais agilidade na análise de golpes e maior capacidade de estorno quando houver fraude comprovada.

Atualmente, o MED enfrenta dificuldades porque a maioria dos pedidos não é atendida por falta de evidências — o que deve mudar com a implantação de algoritmos de análise de dados.

Expansão do rastreamento

O número de transferências monitoradas pelo MED subirá de uma para cinco, permitindo rastrear caminhos usados por fraudadores para dispersão rápida de valores roubados.

Pix automático com mais segurança

O Pix Automático, previsto para pagamentos recorrentes, exigirá critérios rigorosos de segurança para uso. Somente instituições adaptadas poderão oferecer o recurso a partir de novembro de 2026.

Indicador de probabilidade de fraude

A partir de 2026, o BC empregará um algoritmo capaz de identificar comportamentos suspeitos e gerar alertas automáticos. Isso permitirá bloquear transações em segundos.

A matriz de risco que está em desenvolvimento

A autoridade monetária está desenvolvendo uma matriz de risco para identificar participantes com falhas recorrentes de segurança ou controles internos insuficientes. Essa matriz servirá para priorizar auditorias, suspender operações temporariamente ou excluir definitivamente instituições que representem risco ao sistema.

Criação de critérios para suspeita de fraude

Hoje, a maioria dos pedidos de devolução via MED não é atendida por falta de evidências. Para resolver o problema, o BC trabalha em critérios objetivos e padronizados para identificar o que caracteriza “fundada suspeita de fraude”.

Com isso, espera reduzir negativas e aumentar a taxa de recuperação de valores desviados.

Aumento do número de pedidos de devolução preocupa o BC

Desde a criação do autoatendimento do MED — que permite ao usuário solicitar devolução sem falar com o banco — houve forte aumento nos pedidos.

Só em outubro:

  • 3.496.163 pedidos de devolução foram registrados;
  • Apenas 422 mil foram aceitos.

O Banco Central afirmou que, sem critérios mais rígidos, o sistema pode ficar sobrecarregado, o que reforça a necessidade das novas políticas de segurança.

O cronograma completo das novas regras do Pix

AGENDA DE SEGURANÇA DO PIX – 2025 E 2026

2025
– Cadastro obrigatório de aparelho para execução de Pix
– Limite máximo de valor para transações
– Adesão opcional ao MED (ainda opcional nessa fase)

Fevereiro de 2026
– MED se torna obrigatório
– Expansão do rastreio de uma para cinco transferências
– Instituições começam a enviar mensagens sobre status das devoluções

Março de 2026
– Exclusão das 31 empresas que não encontrarem novo responsável

Julho de 2026
– Expansão total do escopo do MED

Novembro de 2026
– Entrada dos critérios de segurança para o Pix Automático

Em desenvolvimento
– Matriz de risco sistêmico
– Algoritmo de probabilidade de fraude
– Novos critérios de suspeita de fraude
– Restrições a usuários com histórico de golpes

O impacto da exclusão das empresas no setor financeiro

O afastamento de instituições despreparadas tende a fortalecer o Pix, que hoje é responsável por mais de 80% das transferências digitais no país. A presença de participantes sem estrutura robusta aumenta o risco de fraudes, vazamentos e dispersão de valores desviados — o que compromete a credibilidade do sistema como um todo.

Com a nova regulamentação, o BC busca:

  • reduzir riscos sistêmicos;
  • tornar o Pix mais seguro e transparente;
  • evitar fraudes de grande escala;
  • aumentar a proteção aos usuários.

O novo capítulo da segurança do Pix

A exclusão da BC das 31 empresas e a implementação de novas regras marcam uma virada histórica na segurança do Pix. A partir de 2025, o sistema ficará mais rígido, mais rastreável e mais protegido contra criminosos digitais.

Para o usuário comum, o impacto será positivo: mais segurança, menos golpes e uma experiência mais confiável. Para as empresas, porém, o recado é claro: quem não se adequar às exigências será excluído do ecossistema.

Com isso, o BC dá início a um novo ciclo, onde tecnologia e controle caminham juntos para evitar brechas e proteger o sistema de pagamentos mais usado do país.

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