O Governo Federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar suspeitas de fraudes no benefício do seguro-defeso, pago a pescadores artesanais em todo o país. A medida foi tomada após apurações da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério da Pesca e Aquicultura apontarem irregularidades graves.
Governo pede investigação urgente da PF sobre fraudes no benefício do seguro-defeso
Governo pede à PF apuração urgente sobre fraudes no seguro-defeso e promete medidas firmes. Saiba aqui tudo sobre a nova polêmica!!
Segundo os órgãos, atravessadores estariam coagindo beneficiários legítimos a repassar parte do valor recebido e ainda orientando pessoas sem direito ao auxílio a solicitarem o benefício por meio de documentos falsos. O caso levanta preocupação sobre a integridade de uma política pública essencial para a sobrevivência de milhares de famílias.

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Combate a novas fraudes do seguro-defeso é solicitada pelo Governo Federal
Finalidade do benefício
O seguro-defeso foi criado para proteger os pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca. Essa interrupção, conhecida como defeso, é fundamental para que as espécies possam se reproduzir, garantindo o equilíbrio ambiental e a sustentabilidade da atividade pesqueira.
O pagamento é feito com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e tem como objetivo assegurar renda mínima para famílias que dependem exclusivamente da pesca. Atualmente, o valor do benefício é equivalente a um salário mínimo por mês, podendo se estender por até cinco meses, conforme a região e a espécie de peixe protegida.
Importância social e ambiental
Além do caráter social, o seguro-defeso também tem impacto ambiental. Sem esse apoio, muitos pescadores seriam forçados a continuar a atividade durante o período de proibição, comprometendo a reprodução dos peixes e desequilibrando ecossistemas aquáticos.
As denúncias de fraudes
Como atuam os atravessadores
As investigações da CGU revelam que atravessadores estariam coagindo pescadores a repassar parte do benefício em troca de apoio para a liberação dos pagamentos. Em alguns casos, pessoas que não têm direito ao seguro foram induzidas a falsificar documentos para receber o auxílio, repassando uma fatia aos criminosos.
Esse esquema ameaça a integridade do programa, pois além de prejudicar os beneficiários legítimos, desvia recursos que deveriam ser destinados a famílias que realmente dependem da pesca artesanal.
O envolvimento de beneficiários irregulares
Segundo os relatórios preliminares, há indícios de que grupos criminosos estão se infiltrando no sistema para lucrar ilegalmente. Pessoas sem vínculo com a pesca foram instruídas a fraudar registros de colônia de pescadores, documentos pessoais e comprovantes de atividade.
Em troca, esses indivíduos dividiam os valores recebidos com os atravessadores. Essa prática não apenas aumenta o rombo nos cofres públicos como dificulta a fiscalização.
Ações do Governo
Auditoria em andamento
Para enfrentar as denúncias, a CGU iniciou uma auditoria em 23 localidades de sete estados onde há grande número de beneficiários do seguro-defeso. As entrevistas revelaram situações graves de coação, irregularidades cadastrais e suspeitas de falsificação de documentos.
O ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, destacou a gravidade das descobertas:
— Constatamos casos muito sérios em que pessoas sem direito ao benefício foram instruídas sobre como obtê-lo, em troca de parte do valor recebido.
Apoio do Ministério da Pesca
O ministro da Pesca, André de Paula, reforçou que o Governo Federal não permitirá que o seguro-defeso seja desvirtuado. Para ele, trata-se de uma política pública essencial para o equilíbrio ambiental e para a sobrevivência de comunidades pesqueiras.
— É muito sério ver uma política pública sendo usada para benefício de criminosos. Vamos atuar firmemente para assegurar que o pagamento chegue a quem de fato tem direito.
Papel da Polícia Federal
A Polícia Federal foi acionada para conduzir a investigação criminal e apurar responsabilidades. Com acesso aos relatórios sigilosos da CGU, a PF poderá aprofundar a identificação de organizações criminosas envolvidas no esquema e aplicar medidas legais contra os responsáveis.
Valores e benefícios extras
Seguro-defeso regular
Atualmente, o benefício corresponde a um salário mínimo, hoje em R$ 1.518, pago mensalmente enquanto durar o período do defeso. Dependendo da região e da espécie, pode variar de dois a cinco meses por ano.
Auxílios adicionais
Em situações específicas, como a seca prolongada na região Norte, o governo criou o Auxílio Extraordinário Pescador, com valor de R$ 2.824. Apesar de diferente do seguro-defeso tradicional, esse auxílio emergencial também foi alvo de suspeitas de fraudes.
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Impactos das fraudes
Prejuízo aos pescadores legítimos
As fraudes reduzem a disponibilidade de recursos para quem realmente depende do programa. Muitos pescadores artesanais, que vivem em condições de vulnerabilidade, acabam recebendo com atraso ou enfrentando dificuldades devido ao uso indevido do benefício por terceiros.
Risco ambiental
Quando pessoas que não são pescadoras acessam o seguro, aumenta a pressão para ampliar os gastos públicos, o que pode comprometer o orçamento destinado à preservação ambiental. Além disso, se o programa perder credibilidade, pescadores podem ignorar o período de defeso, colocando espécies em risco.
Abalo à confiança nas políticas públicas
A detecção de irregularidades gera desconfiança da população em relação ao governo e às instituições responsáveis pela gestão dos programas sociais. Sem confiança, torna-se mais difícil implementar medidas de preservação que exigem a colaboração direta dos beneficiários.
Caminhos para fortalecer o programa
Aperfeiçoamento da fiscalização
Uma das medidas estudadas é a ampliação do cruzamento de dados entre órgãos públicos, como INSS, Receita Federal, CGU e Ministério da Pesca. Esse processo pode reduzir o número de fraudes, dificultando a inserção de beneficiários irregulares.
Digitalização de registros
A digitalização completa dos registros de pescadores artesanais e a adoção de sistemas biométricos também são alternativas discutidas para dar mais segurança ao processo de concessão do benefício.
Incentivo à denúncia
O Governo Federal estuda formas de incentivar que pescadores denunciem práticas de coação e fraude. A ideia é criar canais de comunicação seguros e acessíveis, garantindo que as informações sejam usadas para aprimorar a fiscalização.

As suspeitas de fraudes no seguro-defeso revelam um desafio complexo: proteger uma política pública vital para pescadores e para o meio ambiente contra a ação de atravessadores e criminosos. O Governo, ao acionar a Polícia Federal e reforçar a atuação da CGU e do Ministério da Pesca, demonstra que a prioridade é assegurar que o benefício chegue às famílias que realmente necessitam dele.
O fortalecimento da fiscalização, a modernização tecnológica e a integração entre órgãos serão decisivos para recuperar a confiança dos pescadores e da sociedade. Mais do que um auxílio financeiro, o seguro-defeso é uma ferramenta de proteção ambiental e social. Combater fraudes é, portanto, garantir a sobrevivência das comunidades pesqueiras e a preservação dos recursos naturais do país.
