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Cuidado! Golpe silencioso invade celular e faz transferências por Pix

Alerta: novo golpe invade celulares com apps remotos. Veja como se proteger do Pix silencioso! Leia agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Hacker mexendo no computador

Um novo golpe bancário de alta complexidade tem gerado preocupação em todo o país. Conhecido como Golpe da Mão Fantasma, ele utiliza aplicativos legítimos de acesso remoto, como TeamViewer e AnyDesk, para invadir celulares e realizar transferências via Pix sem que a vítima perceba a ação em tempo real.

A Kaspersky, empresa referência em segurança cibernética, já identificou mais de 10 mil tentativas desse golpe no Brasil, sendo 6.667 registros em 2024 e 3.495 só nos primeiros meses de 2025.

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Como funciona o Golpe da Mão Fantasma?

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Imagem: Canva

Etapa 1: A ligação falsa do “banco”

O golpe começa com uma ligação telefônica fraudulenta, na qual o criminoso se apresenta como um suposto funcionário do banco. Com um tom de urgência, ele alerta a vítima sobre transações suspeitas ou problemas de segurança no aplicativo bancário.

Etapa 2: Pedido para instalar um app de suporte

A vítima é então orientada a instalar um aplicativo de acesso remoto para que o “suporte técnico” possa “verificar” o problema. Os apps mais utilizados são:

  • TeamViewer;
  • AnyDesk;
  • Zoho Assist;
  • QuickSupport.

Etapa 3: Acesso completo ao celular

Ao fornecer o código de acesso remoto, a vítima entrega o controle total do aparelho ao golpista. Com isso, ele consegue navegar, abrir aplicativos, digitar senhas e fazer transferências como se fosse o próprio usuário.

Etapa 4: Transferência via Pix

O momento mais crítico do golpe é quando o fraudador convence a vítima a abrir o app do banco e digitar sua senha. Neste instante, ele age rapidamente, realizando transferências via Pix para contas laranja — tudo sob os olhos impotentes da vítima.

Por que esse golpe é tão perigoso?

Uso de apps legítimos dificulta a identificação

Um dos principais fatores que tornam o golpe da mão fantasma tão eficaz é o uso de aplicativos legítimos e amplamente disponíveis nas lojas oficiais. Isso impede que antivírus ou sistemas de proteção acusem comportamento malicioso.

Roubo silencioso e em tempo real

Diferente de golpes tradicionais, que exigem cliques em links falsos ou downloads de arquivos maliciosos, este golpe é totalmente interativo e disfarçado de atendimento bancário. Muitas vítimas só percebem o que aconteceu após o dinheiro já ter sido transferido.

De onde veio esse novo método?

Fim dos golpes com malware ATS

Até 2023, os golpes mais comuns envolviam o uso de malwares ATS (Automated Transfer System), que automatizavam transferências bancárias. Após uma série de prisões e investigações da Polícia Federal, esse modelo de golpe perdeu força.

Ascensão do uso de RMMs por criminosos

Com a queda dos ataques por malware, os fraudadores rapidamente se adaptaram, passando a usar RMMs (Remote Monitoring and Management Tools) — ferramentas legítimas, porém manipuladas para fins criminosos.

“Fraudadores aprendem e adaptam seus métodos com rapidez. É essencial que usuários e instituições estejam sempre atualizados sobre as novas artimanhas”, alerta Fabio Assolini, diretor da Kaspersky.

Como se proteger do Golpe da Mão Fantasma?

Desconfie de ligações de “suporte bancário”

  • Bancos nunca ligam pedindo para instalar aplicativos de acesso remoto.
  • Em caso de dúvida, desligue e ligue diretamente para o número oficial do banco.

Não forneça acesso remoto a ninguém

  • Jamais compartilhe códigos de acesso remoto com desconhecidos.
  • Evite instalar apps como AnyDesk ou TeamViewer a pedido de terceiros.

Ative autenticação em duas etapas no app do banco

  • A autenticação por biometria ou reconhecimento facial dificulta o controle total do aplicativo, mesmo com acesso remoto.

Monitore suas notificações bancárias

  • Cadastre-se para receber alertas por SMS ou e-mail de movimentações financeiras.
  • Qualquer notificação suspeita deve ser comunicada ao banco imediatamente.

Bloqueie ou exclua apps suspeitos

Se você instalou algum app de acesso remoto a pedido de terceiros:

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  1. Desinstale imediatamente;
  2. Troque suas senhas bancárias;
  3. Comunique o banco e registre boletim de ocorrência.

O que fazer se for vítima do golpe?

  1. Entre em contato com o banco imediatamente;
  2. Solicite o bloqueio das contas envolvidas;
  3. Registre um boletim de ocorrência online ou na delegacia;
  4. Notifique o Procon e plataformas como o Reclame Aqui;
  5. Altere senhas e monitore sua movimentação bancária.

Papel das instituições financeiras

Investimentos em segurança

Bancos têm investido em tecnologias de biometria, inteligência artificial e monitoramento de padrões suspeitos. No entanto, a colaboração com os usuários ainda é o principal fator de proteção.

Necessidade de campanhas de conscientização

Especialistas em cibersegurança alertam para a necessidade de campanhas educativas, que expliquem claramente o funcionamento dos golpes e como evitá-los.

Legislação e punições

golpe
Imagem: Grustock / Shutterstock.com

Uso de acesso remoto com intenção criminosa é crime

Segundo o Código Penal, a prática se enquadra em crimes como:

  • Furto mediante fraude (Art. 155);
  • Invasão de dispositivo informático (Art. 154-A);
  • Estelionato eletrônico (Art. 171, §2º-A).

As penas podem chegar a 8 anos de prisão, além de multa.

Tendência: Golpes digitais cada vez mais sofisticados

O Golpe da Mão Fantasma representa uma nova fase da criminalidade digital: menos malware, mais engenharia social. O elo mais fraco continua sendo o fator humano — e é nele que os criminosos apostam.

Conclusão

O avanço da tecnologia bancária trouxe agilidade e conveniência, mas também abriu portas para golpes cada vez mais criativos. O Golpe da Mão Fantasma é um exemplo claro de como apps legítimos podem ser transformados em armas virtuais nas mãos erradas. Estar atento, informado e desconfiar de contatos não solicitados é a melhor forma de proteção.

Imagem: Sergey Mironov / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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