Um novo golpe bancário de alta complexidade tem gerado preocupação em todo o país. Conhecido como Golpe da Mão Fantasma, ele utiliza aplicativos legítimos de acesso remoto, como TeamViewer e AnyDesk, para invadir celulares e realizar transferências via Pix sem que a vítima perceba a ação em tempo real.
Cuidado! Golpe silencioso invade celular e faz transferências por Pix
Alerta: novo golpe invade celulares com apps remotos. Veja como se proteger do Pix silencioso! Leia agora!
A Kaspersky, empresa referência em segurança cibernética, já identificou mais de 10 mil tentativas desse golpe no Brasil, sendo 6.667 registros em 2024 e 3.495 só nos primeiros meses de 2025.
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Como funciona o Golpe da Mão Fantasma?

Etapa 1: A ligação falsa do “banco”
O golpe começa com uma ligação telefônica fraudulenta, na qual o criminoso se apresenta como um suposto funcionário do banco. Com um tom de urgência, ele alerta a vítima sobre transações suspeitas ou problemas de segurança no aplicativo bancário.
Etapa 2: Pedido para instalar um app de suporte
A vítima é então orientada a instalar um aplicativo de acesso remoto para que o “suporte técnico” possa “verificar” o problema. Os apps mais utilizados são:
- TeamViewer;
- AnyDesk;
- Zoho Assist;
- QuickSupport.
Etapa 3: Acesso completo ao celular
Ao fornecer o código de acesso remoto, a vítima entrega o controle total do aparelho ao golpista. Com isso, ele consegue navegar, abrir aplicativos, digitar senhas e fazer transferências como se fosse o próprio usuário.
Etapa 4: Transferência via Pix
O momento mais crítico do golpe é quando o fraudador convence a vítima a abrir o app do banco e digitar sua senha. Neste instante, ele age rapidamente, realizando transferências via Pix para contas laranja — tudo sob os olhos impotentes da vítima.
Por que esse golpe é tão perigoso?
Uso de apps legítimos dificulta a identificação
Um dos principais fatores que tornam o golpe da mão fantasma tão eficaz é o uso de aplicativos legítimos e amplamente disponíveis nas lojas oficiais. Isso impede que antivírus ou sistemas de proteção acusem comportamento malicioso.
Roubo silencioso e em tempo real
Diferente de golpes tradicionais, que exigem cliques em links falsos ou downloads de arquivos maliciosos, este golpe é totalmente interativo e disfarçado de atendimento bancário. Muitas vítimas só percebem o que aconteceu após o dinheiro já ter sido transferido.
De onde veio esse novo método?
Fim dos golpes com malware ATS
Até 2023, os golpes mais comuns envolviam o uso de malwares ATS (Automated Transfer System), que automatizavam transferências bancárias. Após uma série de prisões e investigações da Polícia Federal, esse modelo de golpe perdeu força.
Ascensão do uso de RMMs por criminosos
Com a queda dos ataques por malware, os fraudadores rapidamente se adaptaram, passando a usar RMMs (Remote Monitoring and Management Tools) — ferramentas legítimas, porém manipuladas para fins criminosos.
“Fraudadores aprendem e adaptam seus métodos com rapidez. É essencial que usuários e instituições estejam sempre atualizados sobre as novas artimanhas”, alerta Fabio Assolini, diretor da Kaspersky.
Como se proteger do Golpe da Mão Fantasma?
Desconfie de ligações de “suporte bancário”
- Bancos nunca ligam pedindo para instalar aplicativos de acesso remoto.
- Em caso de dúvida, desligue e ligue diretamente para o número oficial do banco.
Não forneça acesso remoto a ninguém
- Jamais compartilhe códigos de acesso remoto com desconhecidos.
- Evite instalar apps como AnyDesk ou TeamViewer a pedido de terceiros.
Ative autenticação em duas etapas no app do banco
- A autenticação por biometria ou reconhecimento facial dificulta o controle total do aplicativo, mesmo com acesso remoto.
Monitore suas notificações bancárias
- Cadastre-se para receber alertas por SMS ou e-mail de movimentações financeiras.
- Qualquer notificação suspeita deve ser comunicada ao banco imediatamente.
Bloqueie ou exclua apps suspeitos
Se você instalou algum app de acesso remoto a pedido de terceiros:
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- Desinstale imediatamente;
- Troque suas senhas bancárias;
- Comunique o banco e registre boletim de ocorrência.
O que fazer se for vítima do golpe?
- Entre em contato com o banco imediatamente;
- Solicite o bloqueio das contas envolvidas;
- Registre um boletim de ocorrência online ou na delegacia;
- Notifique o Procon e plataformas como o Reclame Aqui;
- Altere senhas e monitore sua movimentação bancária.
Papel das instituições financeiras
Investimentos em segurança
Bancos têm investido em tecnologias de biometria, inteligência artificial e monitoramento de padrões suspeitos. No entanto, a colaboração com os usuários ainda é o principal fator de proteção.
Necessidade de campanhas de conscientização
Especialistas em cibersegurança alertam para a necessidade de campanhas educativas, que expliquem claramente o funcionamento dos golpes e como evitá-los.
Legislação e punições

Uso de acesso remoto com intenção criminosa é crime
Segundo o Código Penal, a prática se enquadra em crimes como:
- Furto mediante fraude (Art. 155);
- Invasão de dispositivo informático (Art. 154-A);
- Estelionato eletrônico (Art. 171, §2º-A).
As penas podem chegar a 8 anos de prisão, além de multa.
Tendência: Golpes digitais cada vez mais sofisticados
O Golpe da Mão Fantasma representa uma nova fase da criminalidade digital: menos malware, mais engenharia social. O elo mais fraco continua sendo o fator humano — e é nele que os criminosos apostam.
Conclusão
O avanço da tecnologia bancária trouxe agilidade e conveniência, mas também abriu portas para golpes cada vez mais criativos. O Golpe da Mão Fantasma é um exemplo claro de como apps legítimos podem ser transformados em armas virtuais nas mãos erradas. Estar atento, informado e desconfiar de contatos não solicitados é a melhor forma de proteção.
Imagem: Sergey Mironov / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital
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