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Preço de celulares Samsung dispara no Brasil e alguns modelos chegam ao dobro

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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Quem acompanha os preços de celulares costuma esperar uma queda de valor depois que um aparelho deixa de ser novidade. No caso de alguns modelos da linha Galaxy A, porém, o movimento observado no Brasil foi diferente: aparelhos lançados com preços mais baixos passaram por reajustes posteriores e, em determinados casos, a alta chegou a mais de 100%.

O fenômeno chama atenção principalmente porque a família Galaxy A ocupa uma faixa importante do mercado intermediário e de entrada. São smartphones destinados a consumidores que procuram equilíbrio entre preço, armazenamento, câmera, bateria e tempo de suporte.

A mudança também ocorre em um cenário internacional de forte pressão sobre o custo dos componentes de memória. Portanto, o aumento não deve ser analisado apenas como uma alteração isolada de preço no varejo brasileiro.

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Quanto os Galaxy A07 e A17 ficaram mais caros?

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Imagem: Robert Way / shutterstock.com

Quando foram apresentados no Brasil, em setembro de 2025, o Galaxy A07 LTE partia de R$ 899 na configuração de 128 GB e chegava a R$ 1.099 na versão de 256 GB. O Galaxy A17 LTE começava em R$ 1.399, enquanto a configuração de 256 GB custava R$ 1.599. A Samsung também lançou versões 5G do A17.

Desde então, determinados aparelhos da família passaram por novas alterações de preço. O caso que mais chama atenção é o Galaxy A07 de 256 GB, cujo valor informado no levantamento de mercado chegou a R$ 2.299. Em comparação com os R$ 1.099 do lançamento, a diferença ultrapassa 100%.

A versão de 128 GB também sofreu aumento expressivo, passando de R$ 899 para R$ 1.299 no cenário apresentado.

O Galaxy A17 igualmente entrou nesse movimento. A versão LTE de 256 GB, lançada por R$ 1.599, passou a ser encontrada por R$ 2.399 no preço de referência analisado. Já o A17 5G de 256 GB saiu de R$ 1.849 para R$ 2.699.

Esses valores são preços de referência e não significam necessariamente quanto o consumidor pagará em uma promoção. Em smartphones, ofertas de varejistas, cupons, cashback e campanhas da própria fabricante podem criar diferenças consideráveis entre o preço oficial e o valor efetivamente praticado.

Por que os celulares estão ficando mais caros?

Um dos principais fatores está nos chips de memória utilizados pelos smartphones. Eles incluem componentes como DRAM, responsável pela memória de trabalho, e NAND Flash, utilizada no armazenamento.

Em 2026, os preços desses componentes passaram por fortes altas no mercado internacional. Segundo a TrendForce, os preços contratuais de soluções de memória LPDDR4X e LPDDR5X usadas em smartphones dispararam no segundo trimestre, enquanto a procura por memória para servidores de inteligência artificial pressionou a capacidade disponível para outros segmentos.

A pressão não ficou restrita ao início do ano. Para o terceiro trimestre de 2026, a consultoria projetou novas altas nos preços de DRAM convencional e NAND Flash, embora em ritmo mais moderado diante dos níveis já elevados e da menor capacidade de pagamento do consumidor.

A inteligência artificial também influencia o preço

Pode parecer estranho que a expansão da inteligência artificial tenha relação com o preço de um celular intermediário. A conexão está justamente na cadeia de produção dos semicondutores.

Servidores utilizados para inteligência artificial demandam grandes quantidades de memória de alto desempenho. Com fabricantes direcionando parte da capacidade produtiva para produtos mais rentáveis destinados a servidores e aplicações de IA, aumenta a pressão sobre os demais mercados.

A TrendForce aponta que esse deslocamento de capacidade continua sendo um fator relevante para manter os preços de memória elevados.

Para as fabricantes de smartphones, isso cria uma escolha difícil: absorver o aumento e reduzir margens, diminuir especificações, alterar a quantidade de aparelhos produzidos ou repassar parte dos custos ao consumidor.

Por que o aumento pode ser maior em alguns modelos?

O custo de memória não explica sozinho a diferença percentual entre os aparelhos.

Um smartphone que originalmente custava R$ 899 pode apresentar um aumento percentual muito maior do que um aparelho de R$ 2 mil ou R$ 3 mil mesmo quando o acréscimo absoluto é semelhante. Além disso, capacidade de armazenamento e memória RAM influenciam diretamente os custos.

O Galaxy A07, por exemplo, foi lançado em configurações de até 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. O A17 também chegou ao país com opções de até 8 GB de RAM e 256 GB.

Isso ajuda a entender por que as versões com maior capacidade podem sofrer pressões diferentes ao longo da cadeia de fornecimento.

Samsung não é a única afetada

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Imagem: depositphotos

A pressão sobre componentes eletrônicos ultrapassa a linha Galaxy A e a própria Samsung. O mercado global de smartphones vem enfrentando custos maiores de memória, enquanto fabricantes tentam equilibrar produção, margens e demanda.

Em fevereiro de 2026, a TrendForce estimava que o custo de memória, que historicamente representava uma parcela menor da estrutura de materiais de um smartphone, havia aumentado significativamente e poderia pressionar os preços finais e o volume mundial de produção.

Isso significa que novos reajustes ou mudanças nas configurações dos aparelhos não podem ser descartados enquanto o mercado de semicondutores permanecer pressionado.

Foto: Bloomberg

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