Depois de um início de semana agitado no mercado financeiro, os investidores voltam suas atenções nesta quarta-feira (12) ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ele participa de dois eventos-chave, nos quais deve comentar a política monetária brasileira e indicar possíveis caminhos para a taxa Selic nos próximos meses.
Galípolo em foco: IPCA, ata e Selic podem agitar o Ibovespa nesta quarta (12)
Após a divulgação do IPCA e da ata do Copom, o foco do mercado volta-se a Gabriel Galípolo que participa de dois eventos nesta quarta (12).
A movimentação ocorre após um dia de forte reação do mercado à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro e da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
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O IPCA, principal indicador de inflação do país, registrou alta de apenas 0,09% em outubro, o menor resultado para o mês desde 1998. A leitura veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava um avanço de 0,16%. Em setembro, o índice havia subido 0,48%.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,68%, nível mais baixo em nove meses e próximo do teto da meta de 4,75% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Impacto no cenário econômico
Esse resultado trouxe alívio e confiança aos investidores, reforçando a percepção de que a política monetária começa a surtir efeito sobre os preços. Apesar disso, a ata do Copom, divulgada simultaneamente, manteve um tom de cautela ao reafirmar que o cenário prospectivo da inflação segue desafiador.
Segundo o documento, fatores como a volatilidade internacional e o aumento dos gastos públicos ainda exigem vigilância por parte do Banco Central.
Expectativas para a Selic: cortes à vista?
Mesmo diante da cautela do Copom, o mercado começou a ajustar suas expectativas em relação à política monetária. Analistas já consideram possível o início de um ciclo de cortes na Selic entre janeiro e março do próximo ano.
A incorporação da isenção do Imposto de Renda nas projeções do Banco Central também contribuiu para um leve alívio nas expectativas inflacionárias. Isso porque a medida pode aumentar a renda disponível das famílias, mas, ao mesmo tempo, reduz o impacto fiscal esperado inicialmente.
Ibovespa em novo recorde e dólar em queda
No último pregão, o Ibovespa (IBOV) encerrou em alta de 1,60%, atingindo 157.748,60 pontos, novo recorde nominal. Durante a sessão, o índice chegou a superar os 158 mil pontos pela primeira vez na história.
O dólar à vista (USBRL) recuou 0,64%, fechando a R$ 5,2732 — o menor nível desde junho de 2024. Já o iShares MSCI Brazil (EWZ), principal ETF brasileiro negociado em Nova York, subiu 0,36% no after-market, para US$ 33,61.
Mercados internacionais: foco no “shutdown” dos EUA
Nos Estados Unidos, a atenção se volta para as negociações sobre o orçamento federal, que buscam evitar um novo “shutdown” — a paralisação temporária das atividades do governo.
Na noite de segunda-feira, o Senado americano aprovou um projeto de lei de gastos que garante o financiamento do governo até 30 de janeiro. O texto ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes, onde deve ser votado nesta quarta.
Reflexos nos mercados globais
A expectativa positiva sobre a aprovação do projeto contribui para avanços nos futuros de Nova York, enquanto as bolsas asiáticas e europeias operam de forma mista.
Commodities e criptomoedas: queda no petróleo e no bitcoin
Os preços das commodities mostram leve recuo nesta manhã. O petróleo tipo Brent cai 0,91%, cotado a US$ 64,57 o barril, enquanto o WTI recua 0,98%, para US$ 60,44.
O minério de ferro avança 1,20%, a US$ 108,76 por tonelada em Dalian, sustentado pela demanda chinesa.
Já o ouro sobe 0,34%, atingindo US$ 4.130,05 por onça-troy.
Criptomoedas em baixa
O mercado cripto, por sua vez, opera no negativo.
- Bitcoin (BTC): -0,5%, cotado a US$ 104.537
- Ethereum (ETH): -2,1%, negociado a US$ 3.484,10
Agenda econômica e política desta quarta (12)
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Indicadores econômicos
- 08h: Relatório de Estabilidade Financeira – Brasil
- 09h: Pesquisa de Serviços – IBGE
- 14h30: Fluxo cambial semanal – Banco Central
Compromissos do governo
- Presidente Lula: reuniões com Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Marcelo Weick e Marco Aurélio Marcola
- Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: agenda não divulgada
- Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo: participação em dois eventos econômicos
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Por que o IPCA de outubro foi importante para o mercado?
Porque o índice ficou abaixo das projeções, sinalizando controle da inflação e fortalecendo a expectativa de cortes futuros na Selic.
2. O que o mercado espera das falas de Gabriel Galípolo?
Analistas esperam uma postura cautelosa, mas com possíveis indicações sobre o início da flexibilização monetária.
3. A queda do dólar influencia o Ibovespa?
Sim. Um dólar mais baixo reduz custos de importação e favorece setores como varejo e consumo interno, impulsionando o índice.
4. Quais empresas divulgam balanço hoje (12)?
Entre as principais estão Banco do Brasil, Copel, MRV, Hapvida, Ultrapar e Rede D’Or.
5. Quando o Banco Central pode começar a cortar a Selic?
O mercado aposta que o início do ciclo de cortes pode ocorrer entre janeiro e março de 2026, caso o cenário inflacionário siga favorável.
Considerações finais
O mercado financeiro brasileiro inicia o dia em compasso de expectativa. A leitura favorável do IPCA trouxe alívio, mas as palavras de Gabriel Galípolo podem redefinir o rumo dos próximos pregões.
Enquanto isso, os investidores seguem atentos às pautas internacionais e aos resultados corporativos que ainda serão divulgados.
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