O governo federal deu início a um dos maiores programas sociais voltados à segurança energética das famílias brasileiras: o Gás do Povo, lançado oficialmente em setembro de 2025. A iniciativa tem como objetivo fornecer gratuitamente botijões de gás de cozinha (GLP) para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Os valores de referência dos botijões variam entre R$ 91 e R$ 122, conforme o estado, e foram definidos em uma portaria conjunta dos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia, publicada em edição extra do Diário Oficial da União no sábado, 18 de outubro de 2025. A previsão inicial é de que 15,5 milhões de famílias sejam beneficiadas, totalizando um investimento público estimado em R$ 3,57 bilhões em 2025, com expectativa de aumento para R$ 5,1 bilhões em 2026.
Gás do Povo entra em vigor com botijão gratuito para famílias de baixa renda: veja quem tem direito e valores em cada estado
Gás do Povo começa em 2025 e distribuirá botijões gratuitos para 15,5 milhões de famílias do CadÚnico. Veja valores, regras e como receber.
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Por que o Gás do Povo foi criado
O programa surge como uma resposta ao alto custo do gás de cozinha, que continua pesando no orçamento das famílias mais pobres. Durante o anúncio oficial em evento em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a disparidade entre o preço de saída da Petrobras e o valor cobrado nas revendas. “Um botijão de 13 quilos sai da Petrobras a R$ 37, mas chega a custar R$ 150 em algumas regiões. É um absurdo a diferença entre o preço da origem e o preço final”, afirmou Lula. O Gás do Povo busca corrigir essas desigualdades regionais e garantir o acesso universal a um item essencial para a alimentação e higiene doméstica.
Quanto custará o botijão em cada estado
Os valores de referência estabelecidos pelo governo variam conforme os custos logísticos e tributários de cada região. Em média, o preço do botijão para efeito de reembolso ficará entre R$ 91 e R$ 122. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o valor de referência será R$ 93,96, enquanto estados do Norte e Nordeste, que enfrentam desafios de transporte e distribuição, terão preços próximos ao teto de R$ 122. Esses valores servem de base para que o governo reembolse as revendas credenciadas, garantindo que o produto chegue gratuitamente ao beneficiário final.
Quem tem direito ao Gás do Povo
O benefício será destinado exclusivamente às famílias que se enquadram nos seguintes critérios: estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico); ter renda mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 759 em 2025); e ter prioridade se já for beneficiário do Bolsa Família. A distribuição dos botijões seguirá uma cota anual definida de acordo com o tamanho da família. Famílias com dois integrantes terão direito a até três botijões por ano. Famílias com três integrantes poderão retirar até quatro unidades anuais. Já aquelas com quatro ou mais membros terão direito a até seis botijões por ano.
Como será feito o pagamento e o reembolso
O Gás do Povo não repassa dinheiro diretamente às famílias. Em vez disso, os beneficiários receberão um voucher digital ou impresso, que servirá para retirar o botijão em revendas credenciadas. O valor será reembolsado diretamente às empresas participantes pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), mediante comprovação de entrega do produto. A logística do reembolso e do controle de beneficiários será realizada em parceria com a Caixa Econômica Federal, responsável pela base de dados do CadÚnico e pelo gerenciamento eletrônico dos vales.
Canais para acessar o benefício
Os beneficiários poderão utilizar diferentes canais para consultar, retirar e acompanhar seus créditos. O aplicativo oficial do Gás do Povo, desenvolvido pelo MDS, permitirá localizar revendas próximas e gerar o vale eletrônico para retirada. Também será possível utilizar o cartão físico do programa, emitido para famílias sem acesso a smartphones. Outro meio será o vale impresso, disponível em agências da Caixa ou casas lotéricas. O cartão do Bolsa Família também poderá ser usado para identificação e retirada do benefício. As revendas participantes terão identidade visual padronizada, com logotipo do programa e informações de transparência sobre o valor reembolsado pelo governo.
Fiscalização e transparência
O MDS informou que o programa contará com um sistema de rastreabilidade dos botijões, permitindo acompanhar desde a compra até a entrega final ao consumidor. A medida visa evitar fraudes e garantir que os recursos públicos sejam aplicados corretamente. Cada transação ficará registrada no sistema nacional, com identificação do beneficiário, número de série do botijão e localização da revenda. Além disso, haverá auditorias periódicas conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Comparação com o antigo Auxílio Gás

O Gás do Povo substitui e amplia o antigo Auxílio Gás dos Brasileiros, criado em 2021 durante o período de alta inflacionária do GLP. Enquanto o programa anterior repassava um valor equivalente a 50% do preço médio do botijão a cada dois meses, o novo modelo garante gratuidade integral, além de controle de estoque e fiscalização mais eficiente. Outra diferença é que o Gás do Povo tem previsão orçamentária permanente e integração direta com o CadÚnico e o Bolsa Família, tornando o benefício contínuo e estruturado.
Impacto social e econômico
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A criação do Gás do Povo representa um avanço social significativo, com potencial para reduzir o número de famílias que recorrem a meios inseguros de cocção, como lenha, álcool e carvão, que ainda são comuns em regiões carentes. De acordo com o Ministério da Fazenda, o impacto fiscal é considerado sustentável, uma vez que o programa utiliza recursos do Fundo Social e de royalties do petróleo, garantindo financiamento sem aumento de impostos. Para o comércio, a medida também traz ganhos: as revendas credenciadas terão maior volume de vendas garantido e pagamento direto do governo, reduzindo o risco de inadimplência.
Reações ao programa
A iniciativa foi elogiada por entidades ligadas à segurança alimentar e ao combate à pobreza, que destacaram o caráter de urgência da medida diante da persistência da desigualdade energética no país. Por outro lado, analistas econômicos alertam para o desafio de manter o controle fiscal e o alcance efetivo do benefício, considerando que mais de 25 milhões de famílias estão registradas no CadÚnico. Ainda assim, o governo reforça que o programa será acompanhado de mecanismos de atualização cadastral e cruzamento de dados, evitando sobreposição de benefícios e desperdício de recursos.
Como acompanhar o cronograma
O cronograma de distribuição do Gás do Povo seguirá um calendário trimestral, ajustado conforme a disponibilidade orçamentária e logística de cada estado. O primeiro ciclo de entregas está previsto para novembro de 2025, com distribuição simultânea nas capitais e principais regiões metropolitanas. Os beneficiários poderão consultar a data de retirada do próximo botijão diretamente no aplicativo, que também informará quantos créditos ainda estão disponíveis.
Declarações oficiais
Durante o lançamento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o programa é um exemplo de política social com responsabilidade fiscal. Segundo ele, o financiamento virá de fontes sustentáveis e o controle digital permitirá transparência total no uso dos recursos públicos. O ministro Wellington Dias, titular do MDS, destacou que o programa “vai garantir dignidade para milhões de brasileiros que ainda vivem sem acesso a um item básico”.
O Gás do Povo é mais do que um benefício assistencial: representa um passo estrutural na política de inclusão energética do país. Ao garantir botijões gratuitos para famílias de baixa renda e fiscalizar de forma digital o processo de distribuição, o governo busca equilibrar justiça social e sustentabilidade fiscal. O sucesso do programa dependerá da manutenção dos repasses, da eficiência logística e da transparência na execução, fatores que definirão se o Gás do Povo será um legado duradouro de política pública.
