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Geração Z enfrenta dificuldades de aprendizagem e especialistas investigam as possíveis causas

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A queda no desempenho escolar de adolescentes em diferentes países levantou uma questão que preocupa educadores e famílias: a Geração Z está ficando menos inteligente? Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram dificuldades crescentes em competências como leitura e matemática, mas não permitem concluir que os jovens estejam perdendo inteligência.

A avaliação mede como estudantes de 15 anos aplicam conhecimentos para resolver problemas, interpretar informações e lidar com situações da vida real. Portanto, notas mais baixas podem indicar dificuldades de aprendizagem, mudanças nos hábitos de estudo e problemas nos sistemas educacionais, sem significar necessariamente uma redução da capacidade intelectual de toda uma geração.

A discussão ganhou força porque, em vários países, a deterioração dos resultados começou antes da pandemia de Covid-19 e se acentuou nos anos seguintes. Entre os fatores investigados estão o uso de dispositivos digitais, a distração em sala de aula, o tempo dedicado à leitura e as desigualdades educacionais.

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O que os resultados do Pisa revelam sobre os jovens?

PISA
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Pisa é uma das principais avaliações internacionais da educação. Aplicado periodicamente, ele permite comparar o desempenho de estudantes de diferentes países em leitura, matemática e ciências.

Na edição de 2022, a média dos países da OCDE caiu quase 15 pontos em matemática e 10 pontos em leitura em comparação com 2018. A queda em matemática foi especialmente expressiva em relação às variações registradas nas edições anteriores. Em ciências, a média do grupo não apresentou mudança estatisticamente significativa no mesmo intervalo.

Esses números apontam para uma dificuldade educacional ampla, mas não demonstram que a Geração Z tenha se tornado menos inteligente. O Pisa avalia competências específicas em determinado momento da vida escolar, e seus resultados também dependem das oportunidades de aprendizagem, das condições socioeconômicas e da qualidade do ensino.

A queda começou antes da pandemia?

Em parte, sim. Segundo a OCDE, o desempenho em leitura e ciências já apresentava tendências negativas em diversos sistemas educacionais antes de 2018. Em matemática, a deterioração também havia começado antes da pandemia em alguns países.

A interrupção das aulas presenciais durante a crise sanitária agravou os desafios de aprendizagem, mas não explica sozinha o fenômeno internacional. A extensão dos fechamentos escolares, a estrutura das escolas, o acesso à internet e o apoio oferecido aos estudantes variaram bastante entre os países.

Por isso, atribuir toda a queda ao coronavírus ou a uma característica geracional seria simplificar um problema com múltiplas causas.

Como está o desempenho dos estudantes brasileiros?

O Brasil também enfrenta dificuldades importantes. No Pisa 2022, os estudantes brasileiros ficaram abaixo das médias da OCDE nas três áreas avaliadas.

Em leitura, aproximadamente 50% dos participantes do país alcançaram pelo menos o nível básico de proficiência, ante 74% na média da OCDE. Em matemática, a proporção brasileira foi de 27%, comparada a 69% entre os países da organização. Em ciências, 45% dos estudantes brasileiros atingiram esse patamar, contra 76% na média internacional do grupo.

Os dados indicam que muitos adolescentes ainda não dominam habilidades fundamentais para interpretar textos, compreender informações científicas e aplicar conceitos matemáticos a situações cotidianas. Isso pode afetar a continuidade dos estudos, a entrada no mercado de trabalho e a capacidade de avaliar informações encontradas na internet.

No entanto, o resultado brasileiro também precisa ser interpretado à luz das desigualdades sociais, das diferenças entre redes de ensino e das oportunidades de aprendizagem disponíveis para cada estudante.

O uso excessivo de telas prejudica a concentração?

A relação entre tecnologia e aprendizagem é um dos pontos centrais dessa discussão. Celulares, redes sociais, vídeos curtos e notificações oferecem estímulos frequentes, que podem interromper atividades que exigem atenção prolongada.

Quando um estudante alterna constantemente entre uma aula, mensagens e vídeos, pode ter mais dificuldade para acompanhar explicações longas, organizar o raciocínio e memorizar conteúdos. A leitura de textos extensos também pode exigir um esforço maior quando o hábito de leitura contínua é pouco desenvolvido.

Dados do Pisa 2022 mostram uma associação entre distrações digitais em sala de aula e resultados inferiores. Na média da OCDE, estudantes que relataram distração com dispositivos digitais em todas ou quase todas as aulas de matemática obtiveram 15 pontos a menos nessa disciplina do que aqueles que disseram nunca ou quase nunca enfrentar esse problema, mesmo após ajustes estatísticos relacionados ao perfil socioeconômico.

Isso não significa que toda tecnologia prejudique o aprendizado. A própria avaliação identificou uma relação positiva entre o uso moderado de dispositivos para atividades educacionais e o desempenho em matemática. O efeito depende, entre outros fatores, da finalidade, do tempo de uso e da qualidade das atividades.

Ler menos pode afetar o desempenho escolar?

A leitura frequente ajuda a ampliar o vocabulário, compreender argumentos, identificar informações relevantes e reconhecer diferenças entre fatos e opiniões. Essas habilidades são importantes não apenas em português, mas também em matemática, ciências e outras disciplinas.

Quando o estudante lê somente fragmentos curtos de informação, pode ter menos oportunidades de praticar a interpretação de textos complexos. Entretanto, não é correto presumir que todos os jovens da Geração Z leiam pouco ou que o consumo de conteúdo digital seja necessariamente incompatível com a leitura aprofundada.

Livros digitais, reportagens, materiais didáticos e textos científicos também podem estimular o aprendizado. O ponto central é desenvolver o hábito de ler com atenção, comparar fontes e refletir sobre o conteúdo.

O que pode ajudar a melhorar a aprendizagem?

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Imagem: kues1 – freepik

Escolas e famílias podem adotar medidas práticas para fortalecer a concentração e recuperar habilidades essenciais. Reservar períodos de estudo sem notificações, incentivar a leitura diária e propor atividades que exijam explicações com as próprias palavras são algumas possibilidades.

No ambiente escolar, o acompanhamento individualizado, a identificação precoce de dificuldades e o reforço de conteúdos fundamentais podem contribuir para melhores resultados. Também é importante garantir condições adequadas de ensino, formação de professores e acesso a materiais educacionais de qualidade.

A tecnologia pode fazer parte desse processo, desde que seja utilizada com objetivos claros e sem substituir indiscriminadamente atividades que exigem reflexão, diálogo e prática.

Imagem: Reprodução

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