A Geração Z enfrenta uma contradição econômica: muitos jovens têm dificuldades para pagar aluguel, comprar uma casa e lidar com o custo de vida, mas projeções do Bank of America indicam que o grupo poderá se transformar em uma das maiores forças econômicas do mundo nas próximas décadas.
Segundo estudo do Bank of America Institute publicado em 2025, a renda global da Geração Z, que somava cerca de US$ 9 trilhões em 2023, pode chegar a US$ 36 trilhões por volta de 2030 e alcançar US$ 74 trilhões em 2040. A instituição estima ainda que a geração represente aproximadamente 30% da população mundial na próxima década.
Isso não significa, porém, que os jovens estejam enriquecendo rapidamente neste momento. A própria instituição aponta que a Geração Z enfrenta um mercado de trabalho mais difícil e possui uma relação entre poupança e consumo menos favorável do que outras gerações.
A explicação para a possível virada passa pelo crescimento da renda ao longo da vida, pelo aumento da participação dessa geração na economia e, principalmente, pela chamada Grande Transferência de Riqueza, processo em que patrimônios acumulados por gerações mais velhas passam para seus descendentes.
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Por que a Geração Z enfrenta dificuldades financeiras hoje?

A realidade econômica dos jovens está longe da imagem de uma geração prestes a ficar rica.
Em uma análise publicada pelo Bank of America em agosto de 2026, a instituição afirmou que a Geração Z apresenta a menor relação entre poupança e gastos entre as gerações analisadas. Mesmo assim, o consumo continuou crescendo, especialmente em categorias como beleza, joias, café e viagens.
O problema é que o aumento das despesas ocorre justamente em um período de pressão sobre a renda. Moradia, alimentação e outros custos básicos dificultam a formação de patrimônio para quem está começando a carreira.
O mercado de trabalho também representa um obstáculo. O Bank of America apontou aumento no número de famílias da Geração Z recebendo seguro-desemprego e dificuldades para novos trabalhadores conseguirem as horas e a renda desejadas.
Por isso, a situação atual e as projeções para as próximas décadas não são necessariamente contraditórias. Uma geração pode ter dificuldades durante os primeiros anos da vida adulta e, posteriormente, acumular uma parcela muito maior da renda e do patrimônio global.
Quanto dinheiro a Geração Z poderá movimentar?
A estimativa mais relevante do Bank of America diz respeito à renda global, e não a uma quantia que todos os jovens terão disponível em suas contas bancárias.
Em 2023, a renda global associada à Geração Z era estimada em aproximadamente US$ 9 trilhões. A projeção aponta para US$ 36 trilhões em torno de 2030 e US$ 74 trilhões por volta de 2040.
A diferença é fundamental. Renda não é sinônimo de patrimônio.
Os US$ 74 trilhões projetados representam o tamanho da renda gerada por essa população, e não dinheiro acumulado individualmente pelos jovens. A cifra também não significa que cada integrante da Geração Z ficará rico.
O que o estudo mostra é uma mudança de escala econômica: conforme essa geração envelhecer, ocupar empregos de maior remuneração, criar empresas e aumentar seu poder de consumo, sua participação na economia global tende a crescer significativamente.
A Geração Z realmente será a mais rica da história?
A projeção do Bank of America aponta que a Geração Z poderá se tornar a maior e mais rica geração do mundo em termos de renda global por volta de 2035. A instituição também estima que o grupo corresponda a cerca de 30% da população mundial na próxima década.
A expressão “mais rica da história”, porém, precisa ser interpretada com cautela.
Não existe uma garantia de que todos os integrantes da geração terão mais patrimônio do que todas as gerações anteriores. A projeção está relacionada principalmente ao tamanho da população e ao volume de renda que a geração deverá concentrar.
Além disso, desigualdades de renda, país, escolaridade, acesso a imóveis e herança podem fazer com que os resultados sejam muito diferentes entre os próprios integrantes da Geração Z.
O que é a Grande Transferência de Riqueza?
Um dos principais fatores por trás das projeções é a chamada Grande Transferência de Riqueza.
O termo descreve a transferência de patrimônio acumulado pelas gerações mais velhas para filhos, netos e outros herdeiros. O processo envolve imóveis, investimentos, empresas e outros ativos.
Uma análise do Bank of America baseada em dados da Cerulli Associates estima que cerca de US$ 105 trilhões poderão ser transferidos globalmente até 2048, sendo aproximadamente US$ 53 trilhões provenientes de famílias da geração Baby Boomer.
Em outra análise, o Bank of America cita uma estimativa de aproximadamente US$ 15 trilhões destinados à Geração Z até 2048, enquanto Millennials e Geração X receberiam parcelas maiores.
Isso ajuda a explicar por que a possível ascensão financeira da Geração Z não depende apenas dos salários.
Herança será determinante para todos os jovens?
Não.
Esse é um dos pontos que precisam ser separados da narrativa de que toda a Geração Z ficará rica.
A herança será extremamente desigual. Alguns jovens receberão imóveis, empresas e investimentos de famílias com grande patrimônio. Outros não receberão nenhum ativo significativo.
Uma reportagem da Fortune, baseada em diferentes levantamentos, citou que 38% dos integrantes da Geração Z esperam receber algum tipo de herança. Isso, entretanto, não significa que 38% se tornarão milionários ou que receberão valores semelhantes.
A própria distribuição da Grande Transferência de Riqueza deve favorecer inicialmente gerações intermediárias, como a Geração X e os Millennials, antes de uma parcela dos recursos chegar à Geração Z.
E o mercado de trabalho?
O cenário profissional também pode mudar bastante.
À medida que os integrantes mais velhos da Geração Z avançarem na carreira, uma parcela deverá deixar empregos de entrada e assumir posições de maior responsabilidade, aumentando a renda média do grupo.
O Bank of America observou que o crescimento salarial da Geração Z vinha ajudando a aliviar parte da pressão financeira, embora o mercado para novos trabalhadores continuasse difícil.
Ao mesmo tempo, o trabalho por plataformas e outras fontes alternativas de renda passaram a fazer parte da estratégia financeira de alguns jovens. Em sua análise de agosto de 2026, o banco afirmou que quase 40% do trabalho por aplicativos realizado pela Geração Z estava relacionado a plataformas de comércio social.
Isso mostra uma geração que procura novas formas de complementar a renda, mesmo diante de um mercado de trabalho menos favorável.
A Geração Z vai conseguir comprar casa?
Não há garantia de que a projeção de aumento da renda resolverá automaticamente o problema da moradia.
O preço dos imóveis, os juros, a oferta de habitação e a evolução dos salários serão determinantes. Além disso, uma renda global maior não significa necessariamente que os imóveis ficarão mais acessíveis.
A possível transferência de patrimônio pode ajudar parte dos jovens que receberem imóveis ou recursos financeiros da família. Para quem não tiver acesso a esse patrimônio, a compra da casa própria continuará dependendo principalmente da própria renda e das condições do mercado.
Portanto, a previsão do Bank of America não deve ser interpretada como uma promessa de que a Geração Z deixará de enfrentar dificuldades para comprar imóveis.
O que pode mudar na economia?
O aumento do poder econômico da Geração Z tende a produzir efeitos muito além das finanças pessoais.
O Bank of America estima que o consumo da geração poderá crescer significativamente até 2030. A instituição calcula um aumento de aproximadamente US$ 2,7 trilhões nos gastos entre 2024 e 2030, chegando a US$ 12,6 trilhões.
Isso pode influenciar setores como:
- tecnologia;
- comércio eletrônico;
- entretenimento;
- viagens;
- beleza e bem-estar;
- serviços financeiros;
- mercado imobiliário;
- educação;
- investimentos.
A mudança também pode afetar a forma como empresas desenvolvem produtos e se relacionam com consumidores.
Jovens estão mudando a forma de investir?
Há sinais de que sim, especialmente entre os integrantes mais ricos da geração.
Em estudo de 2026 sobre investidores de alta renda, o Bank of America constatou que investidores mais jovens — grupo que inclui Geração Z e Millennials — demonstram maior interesse por investimentos alternativos, criptomoedas e outros ativos fora da combinação tradicional de ações e títulos.
Entre esses investidores, 58% declararam possuir criptomoedas, enquanto 92% disseram possuir ou ter interesse nesse tipo de ativo.
Mas esse levantamento tem uma limitação importante: ele ouviu pessoas com pelo menos US$ 3 milhões em ativos investíveis nos Estados Unidos. Portanto, seus resultados não representam a Geração Z inteira.
A previsão significa que a Geração Z ficará rica rapidamente?
Não.
O crescimento projetado é uma tendência de longo prazo, não uma mudança imediata na vida financeira dos jovens.
A própria análise do Bank of America publicada em agosto de 2026 mostra que a Geração Z ainda enfrenta baixa capacidade de poupança, pressão sobre o orçamento e dificuldades de entrada no mercado de trabalho.
A possível transformação deve ocorrer gradualmente, conforme os jovens avancem profissionalmente, aumentem sua renda, acumulem patrimônio e, em alguns casos, recebam ativos de gerações anteriores.
Por isso, existe uma diferença significativa entre a situação financeira da Geração Z hoje e o peso econômico que ela poderá ter no futuro.
O que esperar nos próximos anos?
Os próximos anos serão importantes para determinar se as projeções se concretizarão.
O avanço da renda será um dos principais fatores. Também serão decisivos o comportamento do mercado imobiliário, as condições de crédito, a criação de empregos qualificados e a velocidade da transferência de patrimônio entre gerações.
Outro ponto será a capacidade dos próprios jovens de transformar renda em patrimônio. Ganhar mais não necessariamente significa acumular riqueza se o aumento dos salários vier acompanhado por crescimento ainda maior das despesas.
A trajetória, portanto, não está determinada. As projeções do Bank of America apontam para um enorme potencial econômico, mas não garantem que todos os jovens participarão desse crescimento da mesma maneira.
O que os dados realmente mostram sobre a Geração Z?

A principal conclusão é menos simples do que a ideia de que uma geração pobre se tornará rica de uma hora para outra.
A Geração Z está passando por uma fase de entrada na vida adulta marcada por custos elevados, dificuldades de moradia e desafios profissionais. Ao mesmo tempo, sua população é numerosa e sua renda global deve crescer fortemente nas próximas décadas.
O Bank of America projeta uma renda global de US$ 36 trilhões por volta de 2030 e US$ 74 trilhões em 2040, enquanto a Grande Transferência de Riqueza poderá colocar uma quantidade histórica de patrimônio nas mãos das gerações mais jovens.
Isso faz da Geração Z uma força econômica que empresas, governos e investidores precisarão acompanhar de perto.
Para o jovem que está enfrentando dificuldades financeiras hoje, entretanto, a projeção não resolve problemas imediatos. Aluguel, salário, emprego e acesso à casa própria continuam sendo questões concretas que dependem das condições econômicas de cada país.
Conclusão
A Geração Z ainda enfrenta dificuldades para comprar imóveis, pagar aluguel e construir patrimônio, mas esse cenário pode mudar nas próximas décadas. Com o aumento da renda, avanço profissional e transferência de riqueza entre gerações, os jovens poderão ganhar cada vez mais peso na economia global.
Isso não significa que todos ficarão ricos, mas indica uma possível mudança importante: a geração que hoje enfrenta um dos períodos mais difíceis da vida adulta poderá se tornar uma das maiores forças econômicas do futuro.
