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Geração Z lidera ranking de insatisfação no trabalho, diz pesquisa do CRA-SP

Levantamento do CRA-SP revela que apenas 22,2% da geração Z está satisfeita com o trabalho atual; saiba os motivos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
geração z desmotivados

Um levantamento inédito realizado pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) revelou dados alarmantes sobre a insatisfação dos jovens profissionais no mercado de trabalho, especialmente na área de Administração.

A pesquisa, realizada entre 27 de janeiro e 10 de fevereiro de 2025, com 429 profissionais registrados no Conselho, mostrou que os jovens entre 20 e 30 anos são os que mais expressam descontentamento com o emprego atual.

Com apenas 22,2% declarando satisfação profissional, essa faixa etária — majoritariamente composta pela geração Z — lidera o ranking da insatisfação, em contraste com os baby boomers (acima de 60 anos), entre os quais 48% disseram estar satisfeitos com seus trabalhos.

A seguir, entenda os principais motivos por trás desse cenário, como ele impacta o mercado, e o que as empresas precisam considerar para reter talentos e melhorar o clima organizacional.

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geração Z
Imagem: Imagem do solo/ shutterstock.com

Baixos salários e benefícios insuficientes

A principal queixa dos jovens entrevistados foi o baixo salário, citado por 59,3% dos participantes. A percepção de que a remuneração não acompanha o custo de vida ou as expectativas profissionais é um fator decisivo para o descontentamento.

Falta de reconhecimento e oportunidades

Dois outros itens empatados em segundo lugar foram a falta de reconhecimento pelo trabalho realizado e a escassez de oportunidades de crescimento ou desenvolvimento profissional, ambos mencionados por 48,1% dos respondentes. Para uma geração marcada pelo imediatismo e pela busca constante de propósito, a ausência de valorização afeta diretamente a motivação.

Liderança inadequada e ambiente tóxico

44,4% dos jovens também apontaram a falta de liderança ou gestão inadequada como uma causa de frustração. Em empresas onde os gestores não conseguem se comunicar com clareza, orientar ou inspirar os funcionários, a sensação de abandono se intensifica.

Além disso, 14,8% relataram conviver com ambientes de trabalho tóxicos ou relações difíceis com colegas, fator que, embora menos citado, tem grande impacto na saúde mental e na permanência no cargo.

Tarefas repetitivas e ausência de desafios

Embora o problema das tarefas mecânicas e monótonas tenha afetado mais os profissionais acima dos 50 anos, ele também é citado por parte da geração Z como algo desmotivador. A falta de inovação nas atividades diárias contribui para o sentimento de estagnação.

Jovens são os que mais buscam novas oportunidades

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Imagem: Wavebreak Media – Freepik

Segundo o levantamento, os profissionais entre 20 e 30 anos foram os que mais buscaram novas oportunidades em 2024: 80,6% deles disseram ter tentado mudar de emprego no último ano. A alta rotatividade é um reflexo direto da insatisfação e da busca por melhores condições de trabalho e crescimento.

Outros grupos etários também demonstraram interesse em novas posições:

  • 31 a 40 anos: 71,2% buscaram oportunidades
  • 51 a 60 anos: 59,4%
  • 41 a 50 anos: 59%
  • Acima de 60 anos: 48,4%

Intenção de mudança em 2025

A expectativa de mudança permanece alta: 75% dos jovens pretendem procurar uma nova colocação neste ano. Já entre os profissionais de 41 a 50 anos, 68% demonstraram a mesma intenção.

Esse dado reforça a necessidade de as empresas repensarem suas estratégias de retenção de talentos e aprimorarem as condições de trabalho para evitar a perda de profissionais capacitados.

Falta de otimismo também marca a geração Z

Apesar do desejo de mudança, o otimismo da geração Z é o menor entre todos os grupos etários: apenas 11,1% dos jovens entre 20 e 30 anos disseram estar confiantes em conseguir uma nova vaga de trabalho.

Em comparação, os mais otimistas foram os profissionais entre:

  • 31 e 40 anos: 35,6%
  • 41 a 50 anos: 27,3%
  • 51 a 60 anos: 21,9%
  • Acima de 60 anos: 13,2%

Esse contraste entre alta insatisfação e baixa confiança pode refletir um desalinhamento entre as expectativas profissionais dos jovens e a realidade do mercado de trabalho atual, especialmente em setores mais tradicionais como o da Administração.


O desafio da diversidade geracional nas empresas

Para o presidente do CRA-SP, Adm. Alberto Whitaker, os dados reforçam a necessidade de compreender as diferenças entre as gerações no ambiente corporativo:

“Vivemos um momento de muita integração e diversidade. Para os gestores e profissionais de RH, esse é um desafio enorme, pois é necessário integrar todos esses colaboradores e entender o que é importante para cada um. Isso resulta em retenção de talentos, bom clima organizacional e inúmeras outras questões que são imprescindíveis para o sucesso de uma empresa.”

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A pesquisa faz parte de um projeto institucional do CRA-SP chamado “O mercado de trabalho para os profissionais de Administração”, com o objetivo de entender melhor o perfil e as demandas dos registrados frente às transformações sociais e econômicas em curso.

O que as empresas podem fazer para reter os jovens talentos?

geração z
Imagem: kues1 – freepik

Com a geração Z cada vez mais inserida no mercado, as empresas precisam se adaptar para atrair e manter esses profissionais. Algumas estratégias incluem:

1. Remuneração competitiva e benefícios flexíveis

Oferecer salários justos e atrativos, acompanhados de benefícios personalizados, como home office, auxílio educação, plano de saúde diferenciado e bem-estar emocional, são aspectos valorizados pela nova geração.

2. Planos de carreira e desenvolvimento

A possibilidade de crescer dentro da empresa é um dos maiores motivadores para os jovens. Investir em mentorias, treinamentos e feedbacks contínuos ajuda a engajá-los e a construir vínculos de longo prazo.

3. Cultura de valorização e reconhecimento

A geração Z busca empresas com propósito e cultura clara. Reconhecer conquistas, ouvir sugestões e oferecer espaço para autonomia impacta diretamente no senso de pertencimento.

4. Liderança empática e inspiradora

Gestores capacitados para lidar com diferentes perfis e dispostos a ouvir, orientar e respeitar as individualidades são fundamentais para manter a equipe motivada.

5. Ambientes saudáveis e inovadores

Ambientes colaborativos, que estimulam a criatividade, o respeito mútuo e a diversidade, são muito mais atrativos para os jovens do que estruturas rígidas e hierarquizadas.

Considerações finais

O levantamento realizado pelo CRA-SP escancara um retrato importante da realidade profissional vivida por jovens entre 20 e 30 anos no Brasil, especialmente na área da Administração. Com baixo índice de satisfação, desejo constante de mudança e pouca confiança em novos rumos, a geração Z impõe um desafio urgente às empresas: repensar modelos de gestão, cultura organizacional e políticas de valorização profissional.

Ignorar os sinais pode significar não apenas a perda de talentos, mas também a criação de ambientes desmotivadores e improdutivos. Por outro lado, compreender o que motiva e engaja os jovens é uma oportunidade de evoluir enquanto organização — e de construir um futuro profissional mais equilibrado para todos.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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