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Golpe com biometria facial: banco terá de indenizar cliente; entenda o caso

Entenda como banco foi condenado a ressarcir cliente após golpe com biometria facial e danos morais. Confira detalhes do caso.

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 4 min de leitura
biometria facial consignado

O Núcleo de Justiça 4.0, Turma I, confirmou decisão da 4ª Vara Cível de Mauá/SP que determinou que um banco restitua uma cliente vítima de golpe envolvendo biometria facial. A instituição financeira terá de ressarcir aproximadamente R$ 50 mil e pagar R$ 5 mil por danos morais.

O caso evidencia a vulnerabilidade de sistemas de autenticação digital e levanta questões sobre a responsabilidade de bancos em fraudes tecnológicas.

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O que aconteceu: o golpe de biometria facial

Pix
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Segundo os autos do processo, a vítima recebeu em sua residência um indivíduo que se apresentou como entregador. Sob o pretexto de confirmar a entrega de itens, o golpista solicitou uma fotografia do rosto da cliente.

Posteriormente, ao tentar sacar sua aposentadoria na agência bancária, a mulher descobriu que valores já haviam sido retirados de sua conta. Além disso, terceiros realizaram seis empréstimos e várias transferências via Pix, totalizando prejuízo aproximado de R$ 50 mil.

Impacto financeiro para a vítima

O golpe deixou a cliente não apenas sem acesso a seus recursos, mas também responsável por dívidas fraudulentas. Com os contratos de empréstimo feitos sem sua autorização, ela corria o risco de ter seu nome negativado.

A decisão judicial determinou que todos os empréstimos fossem anulados, a cliente fosse isenta de débitos e os valores fossem restituídos, garantindo proteção financeira imediata.

Defesa do banco e a decisão judicial

O banco argumentou que não havia responsabilidade pelo ocorrido, alegando culpa exclusiva da cliente e ausência de danos morais. No entanto, o relator do recurso, Marco Antônio Barbosa de Freitas, rejeitou tais alegações.

Biometria facial isolada não é suficiente

O relator destacou que a biometria facial, isoladamente, não permite a contratação de contratos ou operações financeiras. Ele reforçou que não há evidência de que a cliente tenha fornecido senhas ou outros dados sigilosos que pudessem comprometer a segurança de sua conta.

“Malgrado as alegações do réu quanto à existência e validade dos empréstimos objetos desta lide, certo é que não trouxe espeque probatório suficiente a corroborar sua versão dos fatos”, concluiu o magistrado.

Danos morais reconhecidos

Além da restituição financeira, o banco foi condenado a pagar R$ 5 mil por danos morais. A decisão reforça que a exposição a situações de fraude bancária causa abalo emocional relevante, independentemente da extensão do prejuízo financeiro.

Lições sobre segurança digital e biometria

O caso serve como alerta sobre riscos associados à autenticação por biometria facial. Especialistas em segurança digital apontam que, embora a tecnologia seja segura, ela não é infalível e deve ser combinada a outros mecanismos de proteção, como senhas fortes, tokens e alertas de transação.

Como se proteger de golpes com biometria

  1. Não forneça fotos do rosto a desconhecidos, mesmo sob pretexto legítimo.
  2. Ative autenticação em dois fatores sempre que possível.
  3. Monitore suas contas bancárias diariamente.
  4. Desconfie de entregadores ou contatos inesperados solicitando dados pessoais.
  5. Informe imediatamente o banco caso identifique movimentações suspeitas.

Responsabilidade dos bancos

Cadastro biométrico
Imagem: goffkein.pro / shutterstock.com

O episódio reforça a obrigação das instituições financeiras em garantir mecanismos de segurança e suporte ao cliente em casos de fraude. A decisão judicial confirma que bancos devem agir de forma preventiva e ressarcir vítimas quando houver falha no processo de autenticação.

Tendência de jurisprudência

Casos como esse tendem a criar precedentes importantes, reforçando que a responsabilidade civil dos bancos é ampla quando sistemas de segurança falham. A jurisprudência recente evidencia a proteção do consumidor digital frente a fraudes tecnológicas.

Conclusão

A condenação do banco a indenizar a cliente vítima de golpe com biometria facial destaca a importância da segurança digital e da responsabilidade das instituições financeiras.

Além do ressarcimento financeiro, o reconhecimento dos danos morais representa um avanço na proteção dos consumidores diante de fraudes complexas.

Clientes devem estar atentos às medidas de segurança e desconfiar de solicitações suspeitas, enquanto bancos precisam aprimorar suas tecnologias de proteção e protocolos de verificação.

Imagem: Freepik

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