O Núcleo de Justiça 4.0, Turma I, confirmou decisão da 4ª Vara Cível de Mauá/SP que determinou que um banco restitua uma cliente vítima de golpe envolvendo biometria facial. A instituição financeira terá de ressarcir aproximadamente R$ 50 mil e pagar R$ 5 mil por danos morais.
O caso evidencia a vulnerabilidade de sistemas de autenticação digital e levanta questões sobre a responsabilidade de bancos em fraudes tecnológicas.
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O que aconteceu: o golpe de biometria facial

Segundo os autos do processo, a vítima recebeu em sua residência um indivíduo que se apresentou como entregador. Sob o pretexto de confirmar a entrega de itens, o golpista solicitou uma fotografia do rosto da cliente.
Posteriormente, ao tentar sacar sua aposentadoria na agência bancária, a mulher descobriu que valores já haviam sido retirados de sua conta. Além disso, terceiros realizaram seis empréstimos e várias transferências via Pix, totalizando prejuízo aproximado de R$ 50 mil.
Impacto financeiro para a vítima
O golpe deixou a cliente não apenas sem acesso a seus recursos, mas também responsável por dívidas fraudulentas. Com os contratos de empréstimo feitos sem sua autorização, ela corria o risco de ter seu nome negativado.
A decisão judicial determinou que todos os empréstimos fossem anulados, a cliente fosse isenta de débitos e os valores fossem restituídos, garantindo proteção financeira imediata.
Defesa do banco e a decisão judicial
O banco argumentou que não havia responsabilidade pelo ocorrido, alegando culpa exclusiva da cliente e ausência de danos morais. No entanto, o relator do recurso, Marco Antônio Barbosa de Freitas, rejeitou tais alegações.
Biometria facial isolada não é suficiente
O relator destacou que a biometria facial, isoladamente, não permite a contratação de contratos ou operações financeiras. Ele reforçou que não há evidência de que a cliente tenha fornecido senhas ou outros dados sigilosos que pudessem comprometer a segurança de sua conta.
“Malgrado as alegações do réu quanto à existência e validade dos empréstimos objetos desta lide, certo é que não trouxe espeque probatório suficiente a corroborar sua versão dos fatos”, concluiu o magistrado.
Danos morais reconhecidos
Além da restituição financeira, o banco foi condenado a pagar R$ 5 mil por danos morais. A decisão reforça que a exposição a situações de fraude bancária causa abalo emocional relevante, independentemente da extensão do prejuízo financeiro.
Lições sobre segurança digital e biometria
O caso serve como alerta sobre riscos associados à autenticação por biometria facial. Especialistas em segurança digital apontam que, embora a tecnologia seja segura, ela não é infalível e deve ser combinada a outros mecanismos de proteção, como senhas fortes, tokens e alertas de transação.
Como se proteger de golpes com biometria
- Não forneça fotos do rosto a desconhecidos, mesmo sob pretexto legítimo.
- Ative autenticação em dois fatores sempre que possível.
- Monitore suas contas bancárias diariamente.
- Desconfie de entregadores ou contatos inesperados solicitando dados pessoais.
- Informe imediatamente o banco caso identifique movimentações suspeitas.
Responsabilidade dos bancos

O episódio reforça a obrigação das instituições financeiras em garantir mecanismos de segurança e suporte ao cliente em casos de fraude. A decisão judicial confirma que bancos devem agir de forma preventiva e ressarcir vítimas quando houver falha no processo de autenticação.
Tendência de jurisprudência
Casos como esse tendem a criar precedentes importantes, reforçando que a responsabilidade civil dos bancos é ampla quando sistemas de segurança falham. A jurisprudência recente evidencia a proteção do consumidor digital frente a fraudes tecnológicas.
Conclusão
A condenação do banco a indenizar a cliente vítima de golpe com biometria facial destaca a importância da segurança digital e da responsabilidade das instituições financeiras.
Além do ressarcimento financeiro, o reconhecimento dos danos morais representa um avanço na proteção dos consumidores diante de fraudes complexas.
Clientes devem estar atentos às medidas de segurança e desconfiar de solicitações suspeitas, enquanto bancos precisam aprimorar suas tecnologias de proteção e protocolos de verificação.
Imagem: Freepik
