Um novo golpe digital tem preocupado autoridades e especialistas em segurança no Brasil. Criminosos estão utilizando tecnologia avançada de telefonia para se passar pela Caixa Econômica Federal e enganar usuários do Caixa Tem, principalmente beneficiários de programas sociais.
Criminosos usam número falso e enganam beneficiários
Golpistas usam VoIP para fingir ser a Caixa e roubar contas. Veja como funciona e como se proteger.
A fraude envolve o uso de infraestrutura VoIP com falsificação de número — técnica conhecida como spoofing — que faz a ligação parecer legítima, exibindo no celular da vítima o número oficial da Caixa (0800 726 0207).
A descoberta foi feita por meio de investigação OSINT conduzida pelo pesquisador de segurança conhecido como Clandestine, revelando um esquema estruturado e altamente escalável.
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Como funciona o golpe do Caixa Tem
Tecnologia por trás da fraude
O esquema utiliza um sistema chamado SIP (Session Initiation Protocol), que permite realizar chamadas via internet. Com ele, criminosos conseguem:
- Falsificar o número de origem da ligação
- Realizar centenas de chamadas simultâneas
- Automatizar o contato com vítimas em larga escala
Pacotes dessa infraestrutura criminosa são vendidos no mercado clandestino por valores que chegam a R$ 11 mil, incluindo discadores automáticos e ferramentas de transcrição em tempo real.
Engenharia social: o verdadeiro golpe
A tecnologia é apenas o meio. O golpe acontece por meio do chamado “vishing” (phishing por voz), que usa técnicas de manipulação psicológica.
Durante a ligação, o criminoso:
- Informa que a conta foi bloqueada ou apresenta problema
- Pede que a vítima abra o app Caixa Tem
- Solicita códigos de verificação (OTP)
- Orienta mudanças de senha, e-mail ou telefone
Em alguns casos, a vítima é induzida a compartilhar a tela do celular.
Com essas informações, o criminoso assume o controle da conta e transfere o dinheiro via Pix para contas de terceiros, geralmente “laranjas”.
Por que o Caixa Tem virou alvo
O aplicativo Caixa Tem concentra milhões de usuários em todo o Brasil, especialmente pessoas que recebem benefícios sociais.
Entre os fatores que tornam o app um alvo frequente estão:
- Grande volume de usuários ativos
- Datas previsíveis de pagamento
- Dados pessoais expostos em vazamentos antigos
Segundo especialistas, informações de bases como Cadastro Único e INSS já circularam em ambientes ilegais ao longo dos anos, facilitando a atuação dos golpistas.
Escala industrial de ataques
O que mais preocupa é a capacidade de escala desse tipo de golpe.
Com a infraestrutura identificada, um único operador pode:
- Realizar milhares de ligações por dia
- Atender múltiplas vítimas simultaneamente
- Automatizar grande parte do processo
Esse modelo transforma o golpe em uma operação quase industrial, aumentando significativamente o número de vítimas.
O número da Caixa pode ser falsificado?
Sim — e esse é um dos pontos mais perigosos.
Mesmo que a ligação apareça como sendo do número oficial da Caixa, isso não garante autenticidade. A tecnologia de spoofing permite mascarar qualquer número.
Por isso, confiar apenas no identificador de chamadas é um erro comum e arriscado.
Como se proteger do golpe do Caixa Tem
Regras básicas de segurança
A Caixa Econômica Federal reforça que:
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- Nunca solicita senhas ou códigos por telefone
- Não pede confirmação de transações por ligação
- Não orienta compartilhamento de tela
Se receber uma ligação suspeita:
- Desligue imediatamente
- Não forneça nenhum dado
- Entre em contato diretamente com a Caixa pelos canais oficiais
Boas práticas no dia a dia
Para aumentar sua segurança:
- Nunca compartilhe códigos enviados por SMS
- Evite clicar em links desconhecidos
- Ative autenticação em duas etapas quando disponível
- Mantenha o aplicativo atualizado
O que fazer se cair no golpe
Caso tenha sido vítima:
- Acesse imediatamente o app e tente recuperar o acesso
- Entre em contato com a Caixa pelo número oficial
- Registre ocorrência na polícia
- Informe o banco sobre transações suspeitas
Quanto mais rápido agir, maiores as chances de reduzir o prejuízo.
O papel das autoridades e da tecnologia
O combate a esse tipo de crime envolve múltiplos agentes:
- Bancos e instituições financeiras
- Órgãos de investigação
- Especialistas em cibersegurança
Além disso, tecnologias de monitoramento e inteligência artificial têm sido usadas para detectar padrões suspeitos e bloquear transações fraudulentas.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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