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Falsa ‘prova de vida’ do INSS faz aposentado perder R$ 20 mil em Rio Preto

Aposentado de 66 anos perde R$ 20 mil em São José do Rio Preto após cair no golpe da falsa prova de vida do INSS. Veja como o crime funciona e como se proteger.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
prova de vida inss

Um aposentado de 66 anos, morador do distrito de Engenheiro Schmitt, em São José do Rio Preto (SP), perdeu R$ 20 mil após cair em um golpe que usou como pretexto a realização da prova de vida do INSS. O crime foi registrado na noite de terça-feira (14) e reforça o alerta para uma onda de fraudes que vêm afetando beneficiários em todo o país.

De acordo com o boletim de ocorrência, o idoso recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como representante do Instituto Nacional do Seguro Social.

O golpista informou que a prova de vida deveria ser feita de forma virtual e orientou a vítima a seguir supostos “procedimentos de segurança” pelo celular. Minutos depois, o aposentado percebeu movimentações indevidas em sua conta bancária — o prejuízo total chegou a R$ 20 mil.

A ocorrência foi registrada como estelionato na Central de Flagrantes de São José do Rio Preto.

Leia mais:

Como funciona a prova de vida do INSS em 2025 e o que muda para aposentados


Entenda o golpe da falsa prova de vida

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Imagem: malitskiybogdan – Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

A nova tática dos criminosos

O golpe se aproveita da obrigatoriedade anual da prova de vida do INSS, exigida pela Lei nº 8.212/1991, para confirmar que aposentados e pensionistas continuam vivos e aptos a receber benefícios.
No entanto, desde 2023, o processo foi automatizado e passou a ser feito pelo cruzamento de dados de diferentes bases governamentais, dispensando o comparecimento presencial ou o envio de informações por telefone.

Mesmo assim, criminosos têm se aproveitado da falta de informação de muitos beneficiários para aplicar fraudes. Eles ligam para as vítimas, enviam mensagens de texto ou áudios automatizados e se passam por servidores do INSS.

Um dos áudios falsos que circulam nas redes sociais em 2025 diz:

“Você está no INSS, o Instituto Nacional de Seguridade Social. Você é um convocado dentre 4,3 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios de longa duração para fazer a prova de vida. Digite 1 para prosseguir com atendimento de prova de vida.”

Ao digitar o número indicado, a vítima é direcionada a uma pessoa que coleta informações pessoais, como CPF, data de nascimento, número de benefício e dados bancários. Em alguns casos, os golpistas convencem o idoso a instalar aplicativos de acesso remoto ao celular, permitindo o roubo direto de valores.


Golpes cresceram após operação da PF e CGU

Em abril de 2025, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma operação que revelou um esquema bilionário de fraudes no INSS.
Grupos criminosos vinham descontando valores irregulares dos benefícios de aposentados, alegando a filiação automática a sindicatos e associações fantasmas, que prometiam vantagens inexistentes, como descontos em academias e planos de saúde.

Após a operação, aumentou o número de ligações falsas e mensagens enganosas, aproveitando o medo e a confusão dos beneficiários diante das notícias. Segundo especialistas em segurança digital, o golpe da falsa prova de vida é uma evolução dessas práticas, com foco em roubo de dados e transferências via Pix.


Por que a ligação é falsa

O INSS não liga para beneficiários

O próprio INSS desmentiu as mensagens por meio de comunicados oficiais e da iniciativa Fato ou Fake, que classificou o conteúdo como #FAKE.
O órgão esclareceu que não realiza ligações telefônicas para convocar segurados e que nenhum servidor do instituto solicita dados bancários, senhas ou fotos para a comprovação de vida.

“A prova de vida é feita de forma automática, por meio do cruzamento de informações em bases públicas e privadas. O segurado não precisa ir a uma agência nem atender ligações”, informou o INSS em nota.

Entre os dados usados para essa verificação estão registros de acesso ao aplicativo Meu INSS, uso do cartão bancário com biometria, vacinação, consultas médicas pelo SUS e votação nas eleições.
Ou seja, qualquer atividade oficial registrada em sistemas governamentais serve para comprovar que o beneficiário está vivo.


Como verificar a prova de vida pelo aplicativo Meu INSS

Passo a passo seguro

O beneficiário pode acompanhar sua situação exclusivamente pelos canais oficiais do INSS. Veja como fazer:

  1. Acesse o site ou aplicativo Meu INSS (disponível para Android e iOS).
  2. Faça login com a conta gov.br.
  3. No menu principal, clique em “Prova de Vida”.
  4. Verifique o status:
    • Se aparecer “data da última prova de vida”, significa que está tudo em dia.
    • Se constar “comprovação de vida não realizada”, o sistema ainda não registrou movimentações recentes.

O INSS também informou que nenhum benefício será suspenso por falta de prova de vida até julho de 2025, período em que está sendo concluído o processo de digitalização total do sistema.


Como se proteger de golpes envolvendo o INSS

Atenção aos sinais de fraude

Para não cair em armadilhas como a que vitimou o aposentado de Rio Preto, é importante adotar medidas de precaução:

  • Desconfie de ligações, mensagens ou e-mails que solicitem informações pessoais.
  • O INSS não faz atendimentos ativos por telefone ou WhatsApp.
  • Nunca clique em links enviados por SMS com promessas de atualização cadastral.
  • Use apenas canais oficiais, como o Meu INSS, Central 135 e agências físicas.
  • Em caso de dúvida, não forneça dados bancários nem envie fotos de documentos.
  • Se perceber movimentações suspeitas, comunique imediatamente seu banco e registre boletim de ocorrência.

O instituto também recomenda que aposentados orientem familiares e vizinhos idosos sobre os golpes mais recentes, pois a faixa etária acima de 60 anos segue sendo o principal alvo dos criminosos.


O impacto emocional e financeiro do golpe

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Imagem: Freepik e Canva

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Além da perda de R$ 20 mil, o aposentado de São José do Rio Preto relatou à polícia o abalo psicológico sofrido após o crime.
Especialistas em segurança digital explicam que esse tipo de fraude causa trauma e desconfiança, especialmente porque se aproveita da imagem de instituições públicas, como o INSS, para gerar credibilidade.

“O criminoso se apresenta com termos técnicos, usa linguagem formal e simula gravações automáticas. Tudo para dar a impressão de legitimidade”, explica o perito cibernético Rafael Monteiro.
Ele alerta que idosos que vivem sozinhos ou têm pouca familiaridade com tecnologia são os mais vulneráveis e precisam de apoio familiar constante.


Como denunciar golpes ao INSS e à Polícia Federal

Vítimas ou pessoas que receberem mensagens suspeitas podem denunciar por diferentes canais:

  • Polícia Federal: pelo site oficial (pf.gov.br) ou presencialmente.
  • INSS: por meio do aplicativo Meu INSS, acessando o serviço “Comunicação de irregularidades”.
  • Ouvidoria do Ministério da Previdência Social: 135 (opção 9).
  • Procon: para registrar reclamações contra instituições financeiras envolvidas.

Essas denúncias ajudam a identificar os grupos criminosos e evitam que mais aposentados sejam prejudicados.


O que diz a lei sobre o crime de estelionato

O crime cometido contra o aposentado é classificado como estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal Brasileiro, com pena de um a cinco anos de prisão, além de multa.
Quando a vítima é idosa, o caso se enquadra na Lei nº 14.155/2021, que agrava a pena em até um terço.

Desde 2022, golpes praticados pela internet, telefone ou aplicativos de mensagem são considerados estelionato eletrônico, o que facilita a investigação de rastreamento de IPs e transações financeiras.


Educação digital é a principal defesa

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Imagem: rafapress /shutterstock.com

O caso de São José do Rio Preto reforça a importância da educação digital entre aposentados e pensionistas.
Campanhas do INSS, da Polícia Federal e de bancos públicos têm sido intensificadas para explicar o funcionamento da prova de vida automatizada e alertar sobre falsos contatos.

Com o avanço da tecnologia, criminosos adaptam suas táticas, mas a informação continua sendo a ferramenta mais eficaz contra golpes.
A recomendação das autoridades é simples: não atenda ligações suspeitas, não compartilhe dados e sempre confirme informações nos canais oficiais.


Considerações finais

O golpe da falsa prova de vida representa uma das faces mais cruéis da criminalidade digital, pois explora a vulnerabilidade emocional e financeira de idosos que confiam nas instituições públicas.

O caso do aposentado que perdeu R$ 20 mil em São José do Rio Preto serve como alerta: nenhum procedimento do INSS é feito por telefone ou mensagem privada.
Fique atento, compartilhe essa informação com familiares e ajude a proteger quem mais precisa.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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