O Brasil enfrenta um aumento preocupante no número de tentativas de golpes relacionados à renegociação de dívidas. Segundo pesquisa recente da Serasa, mais de 11 milhões de fraudes foram registradas em 2025, um crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior.
Golpe da falsa renegociação de dívidas faz milhões de vítimas no Brasil, aponta Serasa
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O crescimento desse tipo de crime digital expõe a vulnerabilidade de milhões de consumidores e evidencia a sofisticação das quadrilhas especializadas nesse tipo de fraude.
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Crescimento das fraudes em dívidas

Atualmente, o país conta com mais de 71 milhões de consumidores com o nome negativado nos serviços de proteção ao crédito.
Essa situação tem levado empresas, bancos, operadoras de telefonia e concessionárias de serviços públicos a intensificar campanhas de quitação de dívidas, mas, ao mesmo tempo, cria oportunidades para criminosos explorarem o desespero de cidadãos que desejam regularizar suas pendências financeiras.
De acordo com Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (Igeoc), as quadrilhas não apenas simulam contatos legítimos das empresas, mas montam cenários altamente convincentes para enganar até mesmo consumidores atentos.
“As empresas estão investindo cada vez mais em segurança, em autenticação e em canais certificados. A fraude digital não lesa somente o consumidor, ela compromete a estrutura da economia no Brasil”, explica Mandaliti.
Técnicas usadas pelos criminosos
Os golpes têm se tornado cada vez mais sofisticados. Entre as estratégias mais comuns estão:
- Sites falsos: Criação de páginas que reproduzem o layout de empresas e instituições financeiras legítimas.
- Centrais de atendimento falsas (0800): Telefone de contato que simula atendimento real.
- Uso de dados pessoais da deep web: Informações roubadas que dão veracidade à abordagem.
Esses recursos aumentam a credibilidade da fraude e dificultam a identificação do golpe pelos consumidores.
Cuidados essenciais na renegociação de dívidas
A Serasa recomenda que os consumidores adotem medidas preventivas antes de qualquer negociação:
- Verificar o site oficial: Confirme se o endereço é realmente da empresa ou instituição financeira.
- Evitar fornecer dados por telefone: Nunca passe informações pessoais em ligações não solicitadas.
- Conferir o boleto bancário: Cheque os dados do beneficiário antes do pagamento.
- Priorizar canais homologados: Use sempre plataformas e contatos oficiais.
- Desconfiar de descontos excessivos: Ofertas muito vantajosas podem indicar fraude.
Pressão e ameaças como estratégia
Os golpistas costumam pressionar as vítimas a pagar rapidamente, muitas vezes utilizando ameaças de bloqueio de contas ou ações judiciais. Essa tática visa criar pânico e reduzir a análise crítica da pessoa.
Casos reais de vítimas
Exemplo 1 – Balconista J.R.R.
A vítima recebeu uma ligação de um criminoso que possuía todos os seus dados pessoais e cobrou uma dívida do cartão de crédito. Sob pressão, ela realizou um pagamento inicial de R$ 99,66 via Pix, acreditando que seu nome seria limpo em cinco dias. Após o prazo, o nome permaneceu negativado, e o contato do golpista estava inoperante.
Exemplo 2 – Aposentado João Carlos das Neves
O aposentado recebeu um e-mail com oferta de desconto de 95% para quitar uma dívida. O link enviado direcionava a um site falso que simulava o do banco. Graças à atenção da filha, João percebeu que se tratava de golpe antes de efetuar o pagamento.
“Quis fazer o acordo logo para me livrar de uma dívida que me tira o sono. Nessas horas, a pressa joga contra a gente”, admite João.
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Impactos econômicos dps golpes

Além do prejuízo direto às vítimas, os golpes de renegociação de dívidas têm efeitos mais amplos na economia:
- Comprometem a confiança no sistema financeiro: Consumidores podem se tornar reticentes em buscar regularização de dívidas.
- Custos com prevenção e segurança: Empresas investem cada vez mais em tecnologia para proteger clientes.
- Sobrecarga judicial: Casos de fraude podem gerar processos e complicar a recuperação de crédito.
Estratégias de prevenção pelas empresas
As instituições financeiras têm adotado medidas rigorosas para reduzir os riscos:
- Canais de comunicação autenticados: Sistemas certificados para garantir que o contato é oficial.
- Alertas de tentativas de fraude: Informar clientes sobre golpes em circulação.
- Educação financeira: Campanhas que orientam sobre os riscos de ofertas suspeitas.
Conclusão
O golpe da falsa renegociação de dívidas é uma ameaça crescente, que atinge milhões de brasileiros todos os anos. Consumidores devem manter atenção redobrada, verificando sempre os canais oficiais das empresas, desconfiando de ofertas vantajosas demais e evitando agir sob pressão.
A conscientização e a educação financeira são ferramentas fundamentais para reduzir o impacto desse tipo de fraude, protegendo tanto o bolso quanto a credibilidade do sistema financeiro no país.
Imagem: Freepik e Canva
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