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Golpe do iMile alerta usuários: Pix falso para alfândega rouba dinheiro; saiba prevenir

Golpe da falsa taxa de entrega usa Pix e links falsos para roubar consumidores. Saiba como identificar, evitar fraudes e o que fazer se cair.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Golpes

Criminosos voltaram a aplicar um golpe conhecido, mas cada vez mais sofisticado, envolvendo falsas cobranças de taxas para liberação de encomendas. Segundo relatos de consumidores registrados no Reclame Aqui, plataforma que reúne avaliações e reclamações sobre empresas, golpistas afirmam ser responsáveis pela entrega de pacotes que teriam sido retidos pelo controle de remessas ou supostamente taxados pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior, o Siscomex.

A abordagem costuma seguir um roteiro bem definido. A vítima recebe uma mensagem informando que sua encomenda não poderá ser entregue caso uma taxa não seja paga imediatamente. Para evitar a devolução do pedido, os criminosos orientam o consumidor a acessar um link e realizar o pagamento, geralmente via Pix.

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Como funciona o golpe da falsa taxa de encomenda

Uso de links e páginas falsas

O link enviado direciona a vítima para uma página fraudulenta que imita sites oficiais de empresas de logística ou órgãos públicos. Nessas páginas, os golpistas exibem um QR Code falso para pagamento via Pix. Ao efetuar a transação, o dinheiro é desviado diretamente para contas controladas pelos criminosos, sem qualquer relação com a entrega do pacote.

Esses sites falsos costumam ter aparência profissional, com logotipos semelhantes aos originais, cores institucionais e linguagem formal. Endereços na internet como “acessosedex.com” ou “alfandega.correios360.com” são exemplos citados por especialistas como tentativas de enganar consumidores menos atentos.

Mensagens alarmantes e senso de urgência

Outra estratégia comum é o envio de mensagens alarmantes por WhatsApp, SMS ou e-mail. Os textos geralmente alertam que a encomenda será devolvida ou destruída caso o pagamento não seja realizado em poucas horas. A pressão psicológica é um dos principais fatores que levam a vítima a agir sem verificar a autenticidade da cobrança.

Para dar ainda mais credibilidade à fraude, os golpistas utilizam dados reais das vítimas, como nome completo, telefone e até endereço. Essas informações podem ter sido obtidas em vazamentos de dados ou cadastros antigos, aumentando a sensação de que a mensagem é legítima.

Empresas negam cobranças e alertam para fraudes

A iMile Delivery Brasil, citada em diversas tentativas de golpe, reforçou publicamente que não participa desse tipo de cobrança. Em comunicado divulgado no LinkedIn, a empresa afirmou que nunca solicita envio de valores ou Pix para liberação de pacotes ou reembolsos.

Segundo a companhia, qualquer mensagem solicitando pagamento para liberar encomendas deve ser encarada como suspeita. A orientação é clara: consumidores não devem fornecer dados pessoais nem realizar pagamentos fora dos canais oficiais.

Receita Federal esclarece como funcionam as cobranças reais

A Receita Federal também se manifestou sobre o tema e reforça que nunca envia cobranças por telefone, mensagem ou e-mail para liberar remessas internacionais. De acordo com o órgão, impostos de importação não são pagos por Pix, QR Code, cartão de crédito ou débito.

O único meio válido para recolhimento desses tributos é o Documento de Arrecadação de Receitas Federais, o Darf. Qualquer mensagem solicitando pagamento fora desse padrão, como a chamada “taxa da alfândega” usada no golpe, é um indício claro de fraude.

Além disso, a Receita recomenda que vítimas ou pessoas abordadas por golpistas procurem uma Delegacia de Polícia Civil especializada para registrar a ocorrência e ajudar no combate a esse tipo de crime.

Como saber se a cobrança é golpe

Sinais de alerta mais comuns

Reconhecer os indícios de fraude é fundamental para evitar prejuízos financeiros. Para o advogado Vinicius Nunes, especialista em negócios digitais, consumidores devem desconfiar de URLs com erros de grafia, pedidos excessivos de dados pessoais e pressão para concluir pagamentos rapidamente.

Segundo ele, esses elementos são indicativos claros de potenciais golpes. A ausência de informações verificáveis e a tentativa de criar um clima de urgência devem sempre acender um sinal de alerta.

Orientação de especialistas em cibersegurança

Daniel Barbosa, pesquisador de Segurança da empresa de cibersegurança ESET no Brasil, reforça a importância da desconfiança em abordagens não solicitadas.

“Desconfie das mensagens que receber passivamente, sem ter solicitado, e das informações muito discrepantes da realidade. O que é bom demais para ser verdade tem tudo para ser golpe e fraude”, afirma o especialista.

Recomendações para evitar golpes em compras online

Especialistas listam uma série de cuidados essenciais para quem realiza compras internacionais ou nacionais pela internet. Seguir essas orientações pode reduzir significativamente o risco de cair em fraudes semelhantes.

Boas práticas de segurança digital

Prefira aplicativos oficiais, pois eles oferecem infraestrutura mais segura e respaldo do Código de Defesa do Consumidor. Evite sites desconhecidos e ofertas muito abaixo do mercado, já que preços exageradamente baixos e URLs estranhas costumam indicar risco.

Também é importante desconfiar de ofertas extremamente atrativas, que prometem vantagens fora da realidade. Em muitos casos, essas propostas escondem armadilhas financeiras.

Cuidados com pagamentos e dados pessoais

Não combine envios fora do site oficial da plataforma, pois isso retira o comprador da proteção oferecida pelo marketplace. Nunca compartilhe dados pessoais ou financeiros diretamente com vendedores e utilize apenas os métodos de pagamento disponibilizados oficialmente.

Evite preencher links suspeitos com informações sensíveis, como CPF, senhas ou dados bancários. Esses formulários podem capturar informações e ser usados posteriormente em novas fraudes.

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Orientações jurídicas adicionais

Do ponto de vista jurídico, Vinicius Nunes recomenda o uso de cartões virtuais ou temporários para transações pontuais. Essa prática reduz o impacto de possíveis vazamentos de dados. Guardar comprovantes de pagamento e verificar políticas de troca e devolução das lojas também é essencial.

O advogado Lucas Pinheiro, especialista em direito de Família e Consumidor, reforça que compradores não devem realizar pagamentos diretamente ao vendedor, mesmo que solicitado. Negociações fora do ambiente seguro da loja aumentam significativamente o risco de golpe.

O que fazer se você caiu no golpe

Ação rápida pode reduzir prejuízos

Caso a fraude já tenha ocorrido, agir rapidamente é fundamental. O primeiro passo é comunicar imediatamente o banco ou instituição financeira sobre a transação indevida, especialmente quando envolve Pix. Quanto mais rápido o aviso, maiores são as chances de bloqueio da operação e eventual recuperação do valor.

Registro e denúncias são fundamentais

Em seguida, é necessário registrar um Boletim de Ocorrência. Esse documento serve como prova oficial do crime e pode ser utilizado em investigações futuras. Lucas Pinheiro acrescenta que a vítima também pode denunciar o caso ao Procon, ao Reclame Aqui ou à plataforma Consumidor.gov.br.

Essas medidas ajudam não apenas na apuração do golpe da falsa taxa de entrega, mas também na criação de um histórico que contribui para a prevenção de novos casos e para alertar outros consumidores.

A importância da informação na prevenção de fraudes

O aumento de golpes digitais mostra que criminosos estão cada vez mais atentos ao comportamento dos consumidores e às novas tecnologias de pagamento. Por isso, manter-se informado é uma das principais formas de proteção.

Compartilhar experiências, denunciar tentativas de fraude e buscar informações em fontes confiáveis são atitudes que fortalecem a segurança coletiva. Quanto maior a conscientização, menores são as chances de sucesso desse tipo de golpe.

Conclusão

O golpe da falsa taxa de entrega combina engenharia social, uso indevido de dados pessoais e páginas falsas para enganar consumidores. Reconhecer os sinais, desconfiar de cobranças fora dos padrões oficiais e agir rapidamente em caso de fraude são atitudes essenciais para evitar prejuízos.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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