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Golpe do falso gerente termina com banco condenado a pagar R$ 8 mil

Mulher vítima do golpe do falso gerente recebe decisão judicial que obriga banco a devolver valores transferidos via Pix.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
PIS/Pasep

Uma moradora de Campo Grande, de 52 anos, conseguiu na Justiça a restituição de mais de R$ 8 mil perdidos após cair no chamado golpe do falso gerente, uma das fraudes bancárias mais comuns no Brasil. O caso ocorreu em novembro de 2024 e foi analisado pela 5ª Vara Cível de Osasco (SP), cidade onde está localizada a sede da instituição financeira envolvida.

A decisão judicial determinou que o banco devolva os valores obtidos pelos criminosos por meio de empréstimos realizados em nome da vítima e transferidos via Pix. Embora tenha reconhecido falha na segurança da instituição financeira, a Justiça negou o pedido de indenização por danos morais.

O episódio evidencia um problema cada vez mais recorrente no país: a combinação entre engenharia social e vazamento de dados bancários que permite aos criminosos convencer vítimas a realizar transações sob falsas orientações de segurança.

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Como aconteceu o golpe do falso gerente

De acordo com o processo, a vítima recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como gerente do banco onde ela mantinha conta. O golpista afirmou que havia tentativas de compras fraudulentas em nome da cliente e que seria necessário realizar alguns procedimentos para bloquear as supostas transações.

O que deu credibilidade à abordagem foi o nível de detalhes apresentado pelo criminoso. Segundo a defesa da vítima, o golpista tinha informações sigilosas sobre a vida bancária da cliente, incluindo:

  • Nome verdadeiro do gerente da agência
  • Dados pessoais e endereço
  • Informações relacionadas à conta bancária

Esses dados fizeram com que a mulher acreditasse que estava realmente falando com um funcionário da instituição.

Durante cerca de 21 minutos de ligação, o criminoso orientou a cliente a realizar procedimentos no aplicativo bancário. Na prática, essas ações resultaram na contratação de dois empréstimos:

  • R$ 8.114,71
  • R$ 400,00

Logo em seguida, os valores foram transferidos por meio de Pix para contas controladas pelos golpistas.

Decisão da Justiça reconhece falha do banco

O caso foi analisado pela juíza Maria Helena Steffen Toniolo Bueno, da 5ª Vara Cível de Osasco.

Na sentença, a magistrada entendeu que havia indícios de que os criminosos possuíam acesso a informações sigilosas que deveriam estar sob guarda exclusiva da instituição financeira.

Além disso, a decisão destacou que as movimentações realizadas destoavam completamente do perfil habitual da cliente. Mesmo assim, o banco não acionou sistemas de segurança ou bloqueios preventivos.

Trecho da decisão

Na sentença, a juíza declarou inexigíveis as operações de empréstimo e transferência realizadas durante o golpe.

Isso significa que a cliente não deverá pagar os empréstimos contratados pelos golpistas e também receberá de volta valores eventualmente descontados de sua conta.

A decisão determina que o banco:

  • devolva os valores retirados da conta da cliente
  • cancele os empréstimos contratados
  • restitua eventuais parcelas já pagas

Na prática, a decisão busca recolocar a vítima na situação financeira anterior ao golpe.

Por que a Justiça negou danos morais

Apesar de reconhecer falha na prestação de serviço bancário, a juíza entendeu que houve contribuição da vítima para a ocorrência do golpe.

Segundo a decisão, a cliente seguiu orientações fornecidas pelos criminosos e realizou procedimentos no aplicativo bancário sem confirmar diretamente com a agência.

A magistrada afirmou que a vítima:

  • forneceu informações
  • executou comandos solicitados pelos golpistas
  • permaneceu por cerca de 21 minutos na ligação seguindo instruções

Por esse motivo, o pedido de indenização por danos morais de R$ 15 mil foi negado.

Ainda assim, a responsabilidade do banco pelo prejuízo material foi reconhecida.

Responsabilidade dos bancos em casos de fraude

A legislação brasileira prevê que instituições financeiras possuem responsabilidade objetiva na prestação de serviços. Isso significa que o banco pode ser responsabilizado por falhas de segurança mesmo sem comprovação de culpa direta.

Essa interpretação é baseada no Código de Defesa do Consumidor (CDC), amplamente aplicado em casos envolvendo fraudes bancárias.

Diversas decisões judiciais no país têm seguido entendimento semelhante quando há indícios de:

  • falha nos sistemas de segurança
  • vazamento de dados bancários
  • ausência de bloqueios preventivos em transações suspeitas

Quando o banco precisa devolver o dinheiro

Em geral, tribunais brasileiros costumam determinar restituição quando:

  • a fraude ocorreu por falha de segurança do banco
  • as movimentações fogem do padrão do cliente
  • houve uso indevido de dados sigilosos

No entanto, cada caso é analisado individualmente.

Quando a vítima fornece voluntariamente senhas ou autoriza transações sem qualquer indício de falha do banco, a decisão pode ser diferente.

Golpe do falso gerente cresce no Brasil

O golpe do falso gerente se tornou uma das fraudes digitais mais comuns no país.

Segundo alertas do Banco Central e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), criminosos utilizam técnicas de engenharia social para enganar clientes e induzi-los a realizar operações bancárias.

Entre as abordagens mais comuns estão:

  • ligação informando compra suspeita
  • suposta tentativa de invasão da conta
  • necessidade de atualizar sistema de segurança

Em todos esses casos, o objetivo final é convencer a vítima a realizar transferências ou liberar acesso ao aplicativo bancário.

Como se proteger do golpe do falso gerente

Especialistas em segurança digital recomendam algumas medidas fundamentais para evitar esse tipo de fraude.

Nunca siga instruções por telefone

Bancos não pedem transferências, Pix ou empréstimos por telefone para bloquear transações suspeitas.

Se alguém fizer esse tipo de pedido, desligue imediatamente.

Não compartilhe dados bancários

Nunca forneça por telefone ou mensagem:

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  • senhas
  • códigos de verificação
  • números de token
  • dados do cartão

Funcionários de banco não solicitam essas informações.

Confirme sempre pelos canais oficiais

Se receber uma ligação suspeita:

  1. desligue
  2. aguarde alguns minutos
  3. ligue para o telefone oficial do banco

Isso evita que a chamada seja redirecionada para criminosos.

Ative alertas de movimentação

A maioria dos aplicativos bancários permite configurar notificações para:

  • transferências
  • contratação de empréstimos
  • alterações cadastrais

Esses alertas ajudam a identificar fraudes rapidamente.

O que fazer se você cair em um golpe

Caso perceba que foi vítima de fraude, agir rápido pode aumentar as chances de recuperar o dinheiro.

Especialistas recomendam seguir os seguintes passos:

  1. Entre em contato imediatamente com o banco
  2. Solicite bloqueio de transações e contas envolvidas
  3. Registre um boletim de ocorrência
  4. Guarde comprovantes e registros de conversa
  5. Procure orientação jurídica

Também é possível registrar reclamações em órgãos como:

  • Banco Central
  • Procon
  • plataforma Consumidor.gov.br

Esses registros ajudam a documentar o caso e podem fortalecer uma eventual ação judicial.

Recurso pode mudar decisão sobre danos morais

O advogado da vítima informou que pretende recorrer da decisão judicial para tentar obter também a indenização por danos morais.

Segundo a defesa, a culpa seria exclusivamente do banco, já que os criminosos tinham acesso a dados extremamente sensíveis da cliente.

Caso o recurso seja aceito por instâncias superiores, a decisão ainda poderá ser modificada.

Situações semelhantes já levaram tribunais a reconhecer danos morais quando se comprova falha grave na proteção de dados dos clientes.

Conclusão

O caso reforça a crescente preocupação com fraudes bancárias no Brasil, especialmente aquelas baseadas em engenharia social e uso indevido de informações sigilosas. A decisão judicial mostra que instituições financeiras podem ser responsabilizadas quando falhas de segurança permitem que criminosos tenham acesso a dados confidenciais dos clientes. Ao mesmo tempo, o episódio também evidencia a importância de os consumidores adotarem cuidados básicos ao lidar com contatos telefônicos envolvendo operações bancárias.

Em um cenário de digitalização acelerada dos serviços financeiros, a combinação entre segurança tecnológica e conscientização do usuário se tornou fundamental para evitar prejuízos.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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