Um novo esquema criminoso vem atingindo milhares de aposentados brasileiros por meio do aplicativo Meu INSS, ferramenta oficial usada para consultar benefícios previdenciários. A fraude consiste no cadastramento de um falso curador judicial na conta do segurado, prática que permite ao criminoso assumir o controle total da renda do idoso.
Golpe no Meu INSS rouba valores de aposentados com descontos não autorizados
Criminosos usam falsos curadores no Meu INSS para roubar aposentados. Entenda como funciona o golpe e as falhas que permitiram fraudes.
Com documentos falsificados, os golpistas convencem o sistema a registrar que o aposentado não possui condições de administrar sua própria vida civil. Dessa forma, passam a movimentar valores, transferir benefícios, alterar dados bancários e até contrair dívidas em nome da vítima.
Em muitos casos, os idosos só percebem o golpe quando já estão sem recursos para pagar despesas básicas, como remédios e alimentação.
Leia Mais:
Leilão de imóveis do Banco do Brasil: 142 unidades com até 52% de desconto!
Como funciona a fraude do falso curador

O acesso ao gov.br
Para aplicar o golpe, os criminosos precisam primeiro invadir a conta gov.br da vítima, que funciona como porta de entrada para os serviços digitais do governo. Com dados pessoais vazados na internet ou obtidos em outras fraudes, esse acesso é facilitado.
A inclusão do curador
Uma vez dentro da plataforma, os golpistas inserem um pedido de cadastramento de curador, anexando documentos falsos. Embora apresentem erros evidentes — timbres adulterados, assinaturas inexistentes e números de processos inválidos —, o INSS tem validado esses registros.
O prejuízo ao segurado
Com o curador aprovado, o criminoso assume poderes amplos: pode transferir o benefício para outra conta, autorizar empréstimos consignados, alterar dados bancários e até impedir o aposentado de ter acesso ao seu próprio dinheiro.
Falhas do INSS agravam a situação
O que mais chama atenção é a facilidade com que a fraude se consolida. Enquanto os criminosos conseguem registrar um curador em minutos, o aposentado precisa enfrentar um processo lento, burocrático e judicial para reverter o golpe.
O Instituto Nacional do Seguro Social não aceita pedidos administrativos para excluir o falso curador. Ou seja, a vítima é obrigada a ingressar na Justiça, arcando com custos e enfrentando a morosidade do sistema.
Advogados da área previdenciária apontam que essa vulnerabilidade gera enorme insegurança:
“O criminoso cria um curador em minutos. Para o aposentado recuperar sua vida financeira, leva meses e depende de uma decisão judicial”, explicou um especialista.
Relatório da CGU expõe fragilidade no sistema
Críticas ao descumprimento de recomendações
Um relatório recente da Controladoria-Geral da União (CGU) reforçou a gravidade da situação. O documento aponta que o INSS não seguiu integralmente recomendações feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2024, que exigiam medidas de segurança mais rígidas.
Falta de autenticação avançada
Entre os principais problemas está a ausência de autenticação biométrica avançada e de assinatura eletrônica qualificada para aprovar alterações sensíveis. Sem essas barreiras, qualquer documento digitalizado, mesmo com erros grosseiros, acaba aceito pelo sistema.
Implementação parcial de soluções
Em março de 2024, a Instrução Normativa nº 162 determinou a adoção de controles mais robustos. Porém, apenas em julho o INSS implementou parte das mudanças, consideradas pela CGU como “precárias” e insuficientes.
Além disso, o órgão não suspendeu ou bloqueou temporariamente novos cadastros de curadores até que uma solução eficaz estivesse em vigor, o que manteve o sistema vulnerável e abriu espaço para a ação criminosa.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Impactos para os aposentados

Os prejuízos não são apenas financeiros. Muitos aposentados relatam forte abalo psicológico ao descobrir que perderam o controle de sua renda, justamente em uma fase da vida em que dependem desse dinheiro para sobreviver.
Além das dívidas indevidas, as vítimas enfrentam gastos adicionais com advogados e longas esperas pela decisão judicial. Em alguns casos, famílias inteiras precisam se mobilizar para garantir a sobrevivência do idoso até que a situação seja revertida.
Especialistas pedem resposta urgente
Entidades de defesa do consumidor e sindicatos de aposentados pressionam o governo a adotar medidas imediatas. Entre as sugestões estão:
- Bloqueio temporário de cadastros de curadores até a implementação de autenticação biométrica obrigatória.
- Criação de um canal emergencial no Meu INSS para contestação de curadorias suspeitas.
- Notificações automáticas via SMS e e-mail sempre que houver alteração cadastral.
- Integração com o Judiciário, permitindo consulta direta sobre a veracidade das decisões apresentadas.
Segundo especialistas, essas ações poderiam reduzir significativamente os riscos e devolver segurança ao sistema previdenciário.
O que o aposentado pode fazer para se proteger
Embora o golpe revele falhas graves na proteção do INSS, algumas medidas individuais podem dificultar a ação dos criminosos:
- Manter senha forte e atualizada na conta gov.br.
- Ativar a verificação em duas etapas para acesso ao sistema.
- Evitar compartilhar dados pessoais em ligações ou mensagens suspeitas.
- Acompanhar regularmente os extratos no aplicativo Meu INSS.
Caso identifique movimentações estranhas ou descontos não autorizados, a vítima deve registrar boletim de ocorrência, procurar um advogado e acionar a Justiça o mais rápido possível.
Imagem: IA/Edição Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
Pode ser do seu interesse:

