Desde o início da pandemia de COVID-19, a biometria facial se tornou uma solução amplamente adotada por órgãos públicos, bancos e empresas privadas para autenticação digital.
Biometria facial pode ser usada em fraudes? Entenda como os golpistas agem
Descubra como funcionam os golpes com biometria facial e veja dicas para evitar fraudes. Proteja-se agora!
A tecnologia, que analisa características únicas do rosto humano, é tida como um dos métodos mais seguros de identificação.
Contudo, nos últimos anos, criminosos têm se aproveitado da popularização do reconhecimento facial para aplicar golpes sofisticados, explorando falhas em sistemas e a desinformação da população.
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Como funcionam os golpes com biometria facial?

Criminosos usam o rosto como “senha” para roubo de identidade
De acordo com especialistas em cibersegurança, o rosto humano se tornou a nova “senha mestra” em diversos sistemas. A partir do momento em que a biometria facial é usada para desbloquear contas bancárias, realizar transações ou assinar documentos, ela se torna altamente visada por criminosos.
Exemplo real: o caso das falsas agentes de saúde
Um dos casos mais alarmantes ocorreu em São Bernardo do Campo (SP). Golpistas se passaram por agentes comunitárias de saúde e visitaram residências com a justificativa de antecipar cirurgias do SUS. Durante as visitas, as criminosas fingiam tirar fotos para cadastro médico, mas, na verdade, coletavam dados biométricos das vítimas.
Com essas imagens em mãos, os golpistas solicitaram empréstimos consignados em nome dos moradores, gerando descontos automáticos nos benefícios recebidos por aposentados e pensionistas. Algumas das suspeitas foram presas pela Polícia Civil, mas as investigações continuam.
Como os criminosos conseguem aplicar esse tipo de golpe?
Coleta de dados biométricos por meios enganosos
Os métodos variam, mas costumam envolver engenharia social, ou seja, manipulação psicológica para obter dados pessoais. As abordagens mais comuns incluem:
- Se passar por agentes de saúde, funcionários públicos ou empresas de tecnologia.
- Criar aplicativos falsos ou links maliciosos que solicitam autorização de câmera.
- Utilizar fotos das redes sociais combinadas com inteligência artificial para simular expressões faciais.
Falsificação digital e uso de deepfake
Com o avanço da inteligência artificial, já é possível usar vídeos e imagens reais de uma pessoa para criar deepfakes — falsificações digitais que imitam movimentos e expressões. Essa técnica permite a aprovação de autenticações faciais em serviços que não exigem movimento ou voz ao vivo.
Quais são os impactos para as vítimas?
Prejuízos financeiros e burocracia para resolver o problema
As vítimas enfrentam graves consequências financeiras, especialmente nos casos em que os empréstimos fraudulentos são descontados diretamente do benefício do INSS. Além disso, recuperar o dinheiro pode exigir meses de disputa com instituições financeiras.
Riscos à privacidade e exposição de dados
A coleta indevida de imagens não compromete apenas a conta bancária, mas também a privacidade. Uma vez capturado, o dado biométrico não pode ser trocado, como acontece com senhas ou cartões.
Como se proteger de fraudes com biometria facial
1. Desconfie de abordagens presenciais incomuns
Nenhum agente de saúde, funcionário público ou profissional autorizado deve tirar fotos ou coletar dados biométricos sem autorização oficial ou documentação. Ao suspeitar de uma abordagem:
- Peça a identificação do agente.
- Consulte a unidade de saúde ou órgão responsável.
- Não permita registros faciais sem motivo justificado.
2. Cuidados com aplicativos e links
- Evite baixar aplicativos de fontes desconhecidas.
- Nunca permita acesso à câmera ou microfone sem necessidade.
- Desconfie de links enviados por SMS, WhatsApp ou e-mails não verificados.
3. Proteja suas redes sociais
- Evite publicar selfies em alta resolução, que podem ser copiadas para fraudes.
- Reforce as configurações de privacidade dos seus perfis.
- Evite informar dados sensíveis publicamente, como nome completo, CPF ou endereço.
4. Denuncie imediatamente qualquer transação suspeita
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- Entre em contato com o banco ou instituição financeira.
- Registre um boletim de ocorrência (BO).
- Acompanhe o andamento da investigação junto ao Procon ou Ministério Público, quando necessário.
O que dizem os especialistas em segurança digital
Biometria é segura, mas exige vigilância
Segundo especialistas, a biometria facial continua sendo uma tecnologia confiável, desde que usada com critérios rigorosos de autenticação, como detecção de vida (liveness detection) e validação cruzada com outros dados.
Contudo, eles alertam que o ponto fraco está nos processos humanos, como falta de treinamento de funcionários, brechas em aplicativos mal programados ou ausência de critérios para verificação da identidade.
O que fazer se for vítima de fraude com biometria facial

Passo a passo para agir rapidamente
- Bloqueie imediatamente sua conta no banco e notifique o atendimento.
- Registre um BO detalhado, mencionando datas, valores e nomes envolvidos.
- Reúna provas, como mensagens, fotos ou recibos.
- Procure o Procon, Defensoria Pública ou um advogado especializado.
- Acompanhe o processo e exija cancelamento do débito e devolução dos valores.
Legislação e proteção de dados
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) protege os dados pessoais dos cidadãos brasileiros, incluindo biometria. O uso indevido pode ser punido com multas e sanções às empresas envolvidas.
Além disso, a Polícia Federal e Civil contam com núcleos especializados em crimes digitais. Denúncias podem ser feitas diretamente nas delegacias virtuais.
Conclusão: tecnologia sim, mas com responsabilidade
A biometria facial veio para ficar. Sua praticidade e segurança são inegáveis. No entanto, como qualquer tecnologia, ela pode ser usada para o bem ou para o mal.
Por isso, a educação digital, a vigilância ativa e o respeito à privacidade são os melhores caminhos para usar a biometria com responsabilidade e segurança. E quando houver dúvida, o melhor é sempre desconfiar e se informar.
Imagem: Freepik e Canva
