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Golpes com documentos dobram em 3 anos e acendem alerta nacional; entenda

Golpes com documentos dobraram no Brasil em 3 anos! Saiba quais são os documentos mais visados e as técnicas usadas. Proteja-se agora!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes11 min de leitura
golpes golpe

A consolidação do comércio on-line e das instituições financeiras digitais intensificou um dos crimes mais tradicionais da humanidade: golpes com documentos de terceiros. De 2022 a 2025, as tentativas de fraude documental no Brasil mais do que dobraram, saltando de cerca de 19 mil para mais de 51 mil no acumulado de 2025, um cenário que exige atenção redobrada de cidadãos e empresas.

O aumento exponencial não é apenas um dado estatístico; ele reflete a sofisticação dos criminosos e a crescente digitalização dos serviços, transformando documentos físicos em ativos valiosos no submundo virtual. O estudo detalhado que revela essa escalada foi conduzido pela Caf, uma empresa especializada em verificação inteligente de documentos, indicando uma falha sistêmica na proteção de dados pessoais.

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A escalada preocupante das tentativas de golpes com documentos 

A conclusão consta de levantamento da Caf, empresa especializada em verificação inteligente de documentos. Os dados mostram uma escalada contínua do problema, com picos notáveis que demonstram a vulnerabilidade do sistema brasileiro. O cenário revela que as táticas dos golpistas estão se tornando mais agressivas e eficientes em explorar as brechas de segurança.

Dados anuais de tentativas de fraude documental

O panorama de fraudes nos últimos anos mostra a rapidez com que a criminalidade se adapta ao ambiente digital, explorando novos métodos e tecnologias:

  • 2022: mais de 19 mil tentativas
  • 2023: mais de 66 mil tentativas
  • 2024: mais de 37 mil tentativas
  • 2025: mais de 51 mil tentativas (no acumulado do ano)

O ano de 2023 apresentou o maior número absoluto de ocorrências, um possível reflexo do aumento da oferta de crédito e da expansão de cadastros digitais pós-pandemia. Embora 2024 tenha registrado uma queda, o acumulado de 2025 já se mostra extremamente alarmante, superando o patamar de 2022 em mais de 168% e indicando que a tendência de alta se mantém, desafiando as medidas de segurança atuais contra golpes.

CNH: de documento secundário a preferido dos golpistas

Apesar da modernização, a carteira de identidade permanece como o documento mais visado pelos fraudadores. Em 2025, 84% das tentativas de fraude envolveram o Registro Geral (RG), que continua sendo amplamente utilizado e tem grande variedade de versões em circulação, dificultando a inspeção rápida e eficaz.

Por que o RG é ainda o mais atacado?

A grande variedade de modelos de RG em circulação no país é o principal catalisador do problema, criando um campo fértil para a falsificação e a adulteração. Como não existe um padrão único e recente que possa ser facilmente verificado por sistemas automatizados, muitos sistemas de cadastro e know your customer (KYC) ainda aceitam RGs muito antigos, aumentando a exposição ao risco de fraude e de golpes.

O avanço da CNH no cenário de fraudes

A Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no entanto, registrou um aumento significativo na participação das fraudes, passando de 8% dos casos em 2022 para 14% em 2025. Este salto é explicado por fatores como a padronização recente do documento e o fato de a CNH ser frequentemente usada como comprovante de endereço e de identidade em processos digitais. A versão eletrônica, embora mais segura, também se torna um alvo quando o acesso ao dispositivo do usuário é comprometido, facilitando o golpe.

A multiplicidade de modelos e o risco

Para o diretor de tecnologia da Caf, José Oliveira, a multiplicidade de modelos de RG ainda presentes no país amplia o risco de manipulação, num cenário em que a Carteira de Identidade Nacional (CIN) está sendo adotada de forma escalonada. A transição entre os documentos cria uma janela de vulnerabilidade que os criminosos exploram para aplicar golpes.

O impacto da diversidade de RGs

Oliveira afirma que soluções tecnológicas vêm se tornando essenciais para a detecção de irregularidades. “O Brasil convive com inúmeras versões de RG em circulação, o que amplia a superfície de fraude. Isso torna inviável depender apenas de inspeção visual ou de processos manuais”, enfatiza o especialista em segurança. A capacidade de processar diferentes padrões é um desafio constante para as empresas.

Inteligência artificial como defesa

O diretor explica que sistemas baseados em inteligência artificial conseguem identificar sinais de adulteração digital com maior precisão do que o olho humano, em uma escala muito maior. Esses sistemas são capazes de analisar padrões de pixels, tipografia e elementos de segurança invisíveis. Ele destaca, contudo, que a combinação entre tecnologia e análise humana ainda oferece o índice mais elevado de eficácia, chegando a 98% de acerto na detecção de fraudes, um índice crucial para a proteção de instituições financeiras e plataformas digitais contra golpes.

O poder da documentoscopia inteligente

O levantamento utilizou uma tecnologia denominada Documentoscopia, que é a ciência dedicada a examinar documentos para determinar sua autenticidade ou detectar fraudes. No contexto digital, essa técnica foi aprimorada e escalonada com o uso de inteligência artificial.

O processo de análise detalhada

O método de análise da Caf combina diversas etapas para garantir a máxima precisão na validação:

  • Verificação Automatizada: Checagem de templates e elementos de segurança do documento em segundos.
  • Captura Assistida: Guiando o usuário a tirar a foto ideal para evitar reflexos e cortes que comprometam a análise.
  • Extração de Dados por OCR: O Reconhecimento Óptico de Caracteres extrai as informações do documento para conferência com bancos de dados.
  • Análise Especializada: Revisão humana para os casos mais complexos ou suspeitos que requerem julgamento de um perito.

Apenas em 2025, mais de 11 milhões de documentos foram analisados pela plataforma da empresa, demonstrando a escala do desafio e a necessidade de ferramentas robustas para processar esse volume de dados com agilidade e segurança contra golpes.

A importância da validação de identidade no mundo digital

A Caf, fundada em 2019, atua no desenvolvimento de tecnologias antifraude com soluções de verificação biométrica, reconhecimento documental e validação de identidade usadas principalmente em sites e aplicativos. A missão da empresa é criar um ambiente digital mais seguro para transações financeiras e cadastros, reduzindo a incidência de golpes.

As soluções tecnológicas no combate à fraude

As ferramentas desenvolvidas pela Caf e outras empresas de Identity Verification se tornam indispensáveis para a proteção de diversos processos:

  • Onboarding Digital: Abertura de contas bancárias, contratação de serviços e cadastros em plataformas digitais.
  • Prevenção a Lavagem de Dinheiro (PLD): Verificação da identidade do cliente para cumprir rigorosas regulamentações internacionais.
  • Segurança em Transações: Confirmar que o portador do documento é de fato quem realiza a transação, prevenindo uso indevido e golpes.

A integração de biometria facial com a análise documental eleva o nível de segurança, tornando a fraude de identidade muito mais difícil e cara para os golpistas, exigindo que eles superem múltiplas camadas de proteção.

O papel da Carteira de Identidade Nacional (CIN)

A transição para a CIN é vista como um passo crucial na unificação e modernização da identidade civil no Brasil. O novo documento possui um QR Code que permite a validação eletrônica e tem o CPF como número único de registro, eliminando a multiplicidade de RGs estaduais.

Os benefícios e desafios da CIN

Apesar dos benefícios evidentes, a adoção escalonada da CIN cria um período de transição complexo. Enquanto milhões de RGs antigos ainda estiverem válidos e em circulação, a superfície de fraude e de golpes permanecerá ampla. É essencial que as empresas de verificação de identidade estejam equipadas para lidar com a coexistência de ambos os modelos de documentos por um período.

Benefício:

  • Maior dificuldade de falsificação devido aos elementos de segurança.

Desafio:

  • A convivência temporária com o RG antigo.

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A tecnologia precisa atuar como a ponte segura durante essa transição, garantindo que a diferença entre a CIN e o RG não seja explorada por golpistas.

O risco para empresas e consumidores

A escalada dos golpes com documentos tem consequências graves tanto para as empresas quanto para os consumidores. Instituições financeiras e plataformas de e-commerce sofrem perdas financeiras diretas, além de danos à reputação. O consumidor, por sua vez, é vítima da apropriação de sua identidade e de todo o estresse associado à recuperação de seus dados.

Prejuízos para o setor corporativo

As perdas causadas por fraudes documentais e golpes representam milhões de reais. Além dos prejuízos diretos com a concessão de crédito ou o envio de produtos para golpistas, as empresas enfrentam custos operacionais elevados com processos de contestação e chargebacks, impactando diretamente o balanço financeiro e a confiança do mercado.

O custo emocional e financeiro para o cidadão

Quando a identidade é roubada, o cidadão pode ter seu nome negativado, empréstimos contraídos em seu nome, e enfrentar uma longa e desgastante jornada para provar que foi vítima de golpe. A prevenção, portanto, é a melhor defesa contra a apropriação de dados pessoais e documentos, reduzindo o custo emocional e financeiro para o usuário lesado.

Cinco passos para a proteção contra fraude documental

Diante do cenário alarmante, a proteção de documentos e dados pessoais é fundamental. Algumas práticas simples e de fácil adoção podem reduzir drasticamente o risco de se tornar uma vítima. A conscientização é a primeira linha de defesa no ambiente digital contra a ação de criminosos e golpes.

1. Cuidado com compartilhamento de documentos

Nunca compartilhe fotos de seus documentos em redes sociais ou em aplicativos de mensagens com remetentes desconhecidos ou em situações suspeitas. Se precisar enviar o documento, censure informações sensíveis que não são essenciais, como a filiação ou o número do título de eleitor, para evitar que o golpista utilize esses dados.

2. Atenção aos sinais de adulteração

Para quem lida com documentos, aprender a identificar sinais básicos de adulteração (rasuras, fontes diferentes, inconsistências em fotos) é um primeiro passo crucial. No entanto, para processos de alto risco, a confirmação sempre deve ser feita por sistemas robustos e automatizados, capazes de identificar alterações sutis que o olho humano pode ignorar.

3. Utilize senhas fortes e autenticação de dois fatores

Proteja seus dispositivos móveis e contas de e-mail com senhas complexas e ative a autenticação de dois fatores em todos os serviços possíveis. Muitos golpes documentais começam com o acesso indevido à caixa de entrada do e-mail do usuário, onde documentos digitalizados podem estar armazenados.

4. Monitore seu CPF

Utilize serviços de monitoramento de CPF para receber alertas sempre que seu nome for consultado em órgãos de proteção ao crédito (como SPC e Serasa) ou houver movimentações suspeitas em serviços financeiros. Esse monitoramento pode sinalizar rapidamente que seu documento foi usado indevidamente em golpes.

5. Adote a CIN o mais rápido possível

Sempre que possível e disponível em sua região, substitua seu RG antigo pela Carteira de Identidade Nacional (CIN), usufruindo dos novos elementos de segurança que ela oferece, como o QR Code de validação e o número único baseado no CPF.

O dobro de golpes com documentos em apenas três anos é um indicador claro de que a digitalização traz consigo a necessidade urgente de aprimoramento da segurança. A batalha contra a fraude documental é um esforço contínuo que exige a união de tecnologias avançadas, como a Documentoscopia e a inteligência artificial, e a conscientização de cada cidadão sobre o valor de sua identidade.

Enquanto a CIN não se torna universal, a vulnerabilidade do RG e o crescente interesse pela CNH exigem que empresas de todos os setores invistam em soluções que vão além da inspeção visual, protegendo seus clientes e suas operações. A chave para reverter essa estatística alarmante reside na implementação de processos de validação de identidade que alcancem os 98% de precisão citados pelo especialista, garantindo um futuro digital mais seguro para todos os brasileiros. A responsabilidade é compartilhada: cabe à tecnologia prover as ferramentas e ao usuário adotar a cautela necessária para evitar ser vítima de golpes.

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Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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