Com o avanço da tecnologia e a popularização da inteligência artificial (IA), criminosos virtuais têm se aproveitado das inovações para aplicar golpes cada vez mais sofisticados nas redes sociais.
Golpes com inteligência artificial disparam nas redes sociais
Golpes com IA crescem e usam deepfakes de políticos e artistas para enganar usuários nas redes sociais.
Um relatório recente da Agência Lupa, especializada no combate à desinformação, revela um crescimento significativo de fraudes online que utilizam ferramentas de IA, principalmente por meio de vídeos falsos conhecidos como deepfakes.
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O salto no uso de IA por golpistas

Embora não representem a maioria dos golpes registrados, os crimes digitais que envolvem IA vêm crescendo a um ritmo acelerado. Em 2023, foram detectados apenas três casos. Já em 2024, o número saltou para dez. E apenas entre janeiro e maio de 2025, pesquisadores da Agência Lupa identificaram 18 fraudes com uso de inteligência artificial.
Esses golpes utilizam imagens manipuladas de figuras públicas conhecidas — como políticos, jornalistas e empresários — para dar veracidade às mensagens fraudulentas e atrair vítimas. Como explica a pesquisadora Beatriz Farrugia:
“O padrão que notamos é o uso de personalidades, como jornalistas de TV, artistas e políticos, inclusive o presidente Lula e Bolsonaro. Eles são colocados em peças de deepfake como uma estratégia de aumentar a credibilidade do conteúdo.”
Golpes elaborados e com alto grau de sofisticação
Segundo o relatório, os golpes digitais funcionam como uma jornada complexa. Tudo começa com vídeos e áudios falsos, que atraem o público para sites igualmente fraudulentos. Nesses ambientes virtuais, o usuário é induzido a preencher formulários com dados pessoais — prática conhecida como phishing.
A sofisticada engenharia por trás dos golpes chama atenção: os sites simulam portais oficiais, como o Gov.br, e empresas renomadas, reproduzindo com perfeição identidade visual, logos, cores e até linguagem de comunicação.
“São jornadas muito fidedignas às de empresas ou do próprio governo. Alguns reproduzem sites de marcas ou do Gov.br, alguns até com chatbots. Da identidade visual à tipologia e ao tom da marca, é tudo muito bem reproduzido”, explica Beatriz.
Exemplos alarmantes de fraudes com deepfake
Um dos casos mais notórios analisados pelo relatório usou um deepfake do apresentador William Bonner, do Jornal Nacional. No vídeo falso, ele divulgava uma promoção de cervejas, vinculada a um site que simulava o portal G1. Ao clicar, a vítima era direcionada a uma página que imitava o site da Ambev e solicitava o preenchimento de dados para o recebimento de um kit promocional.
Outro golpe utilizava imagens manipuladas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra Marina Silva, do ministro Fernando Haddad e até do ex-presidente Michel Temer. Também foi usada a imagem do empresário Luciano Hang, dono da Havan. O objetivo? Levar o público a um site falso do Gov.br para suposto “saque de dinheiro acumulado no CPF”.
“Sim, gente, é verdade, agora você consegue sacar o valor acumulado de todas as compras que você já fez em seu CPF, mas preste atenção para não passar a data do saque, senão, todo o dinheiro volta para os cofres públicos”, dizia o vídeo com a imagem falsificada de Lula.
Fraudes mais comuns: promoções, programas sociais e golpes financeiros
O relatório da Agência Lupa destaca três categorias principais entre os golpes com IA:
- Promoções e brindes falsos — normalmente associados a grandes marcas e redes varejistas;
- Fraudes ligadas a programas sociais — como o Desenrola Brasil;
- Golpes financeiros — como investimentos milagrosos ou recuperação de dinheiro perdido.
Desde 2020, 77,5% dos golpes analisados utilizaram o nome de uma pessoa famosa ou de uma empresa conhecida. Em 2025, esse percentual aumentou para impressionantes 90%.
Crime organizado por trás dos golpes
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Os recursos utilizados pelos criminosos indicam que muitos desses esquemas não são ações isoladas. Investigações apontam para a atuação de organizações criminosas, capazes de bancar anúncios pagos nas redes sociais, manter sites no ar e até usar contas verificadas em aplicativos de mensagens como o WhatsApp.
“Qual o nível do golpista que tem como investir nos anúncios, pagar uma conta de WhatsApp verificada e colocar um site no ar?”, questiona Farrugia.
O relatório cita dados da Interpol que apontam para o envolvimento de facções latino-americanas, como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), do México.
“As mudanças na tecnologia e o rápido aumento na escala e no volume do crime organizado impulsionaram a criação de uma série de novas formas de fraudar pessoas inocentes, empresas e até governos”, afirmou o então secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock.
Como se proteger de golpes com IA nas redes

Diante desse cenário preocupante, especialistas recomendam atenção redobrada:
- Desconfie de ofertas irresistíveis ou de promessas ligadas a reembolsos ou saques em dinheiro;
- Evite clicar em links recebidos por mensagens ou que redirecionem para páginas que pedem seus dados;
- Verifique sempre a URL do site e se ele é realmente oficial;
- Não forneça informações pessoais em páginas suspeitas, mesmo que pareçam confiáveis visualmente;
- Mantenha antivírus e dispositivos atualizados;
- Busque fontes oficiais de informação sempre que receber uma proposta inusitada ou urgente.
O uso da inteligência artificial em golpes digitais representa um desafio crescente para a segurança online no Brasil.
Com deepfakes cada vez mais convincentes e esquemas elaborados por quadrilhas organizadas, os usuários precisam estar vigilantes e bem informados para não caírem em armadilhas virtuais. Educação digital e atenção às fontes de informação são as principais armas contra esse novo tipo de ameaça.
Com informações de: EXTRA
