A explosão de golpes financeiros envolvendo o Pix no Brasil ganhou um novo aliado: anúncios fraudulentos nas redes sociais da Meta. Um estudo recente do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou quase 1.800 anúncios enganosos promovendo desinformação sobre o sistema de pagamentos instantâneos. A pesquisa apontou que criminosos digitais estão utilizando inteligência artificial para manipular imagens de figuras públicas e atrair vítimas para sites fraudulentos.
Golpes com PIX crescem impulsionados por anúncios fraudulentos no Facebook e Instagram
Estudo revela aumento de golpes com Pix impulsionados por anúncios fraudulentos no Facebook e Instagram, explorando desinformação.
Os dados levantados entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025 mostram como a falta de fiscalização eficaz nas plataformas facilita a disseminação desse tipo de golpe, que se aproveita de brechas regulatórias e do desconhecimento da população sobre transações financeiras.
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Criminosos usam deepfakes para aumentar credibilidade dos golpes

Uma das principais táticas usadas pelos golpistas é a manipulação de imagens de políticos e jornalistas para dar maior credibilidade às fraudes. De acordo com o relatório, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos alvos mais recorrentes desse tipo de esquema, com um aumento de 234% no uso de sua imagem em anúncios fraudulentos.
A prática de deepfake—tecnologia que permite alterar rostos e vozes em vídeos e imagens—tem sido utilizada para enganar os usuários das redes sociais. Muitas das propagandas fraudulentas envolviam figuras públicas anunciando supostas novas regras do Banco Central ou incentivos financeiros governamentais, levando os usuários a clicarem em links maliciosos.
Pix e desinformação: golpes exploram políticas públicas reais e fictícias
O estudo do NetLab revelou que os criminosos frequentemente se baseiam em políticas públicas, tanto reais quanto fictícias, para dar uma aparência de legitimidade aos golpes. Entre os principais temas utilizados para atrair vítimas estão:
- Programa “Valores a Receber”: Muitos anúncios enganosos afirmavam que os usuários teriam dinheiro disponível para saque via Pix, levando-os a acessar sites fraudulentos.
- Mudanças nas normas da Receita Federal: A recente revogação de uma regra que ampliava o monitoramento de transações financeiras foi explorada pelos criminosos. Esse evento resultou em um aumento de 35% nos golpes publicitários, demonstrando como fraudadores se aproveitam de mudanças regulatórias.
- Falsas campanhas do Banco Central: Alguns anúncios alegavam que o Banco Central havia liberado novos benefícios ou regras especiais para transferências via Pix.
A combinação de desinformação e engenharia social faz com que muitas vítimas, ao acreditarem que estão seguindo um procedimento oficial, acabem inserindo dados pessoais ou realizando transferências diretamente para os criminosos.
Como o Facebook e o Instagram impulsionam os golpes
O relatório aponta que as ferramentas de segmentação de anúncios do Facebook e do Instagram são um dos principais fatores que permitem o sucesso desses golpes. A Meta, controladora das plataformas, oferece aos anunciantes a possibilidade de direcionar campanhas publicitárias para públicos específicos com base em interesses, localização e comportamento online. No entanto, segundo os pesquisadores, a empresa não tem transparência suficiente sobre os anúncios veiculados e falha no combate à publicidade enganosa.
“O alcance das fraudes foi maximizado pela utilização das ferramentas de marketing da Meta, que permitem a compra de anúncios segmentados. No entanto, a empresa não oferece controle adequado sobre esse tipo de publicidade, tornando suas plataformas ambientes propícios para golpes digitais”, diz o estudo.
Além disso, o relatório ressalta que países do Sul Global, como o Brasil, sofrem ainda mais com a falta de fiscalização por parte das gigantes da tecnologia. Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, onde há regulações mais rígidas sobre publicidade digital, na América Latina e em outras regiões emergentes, as redes sociais são menos rigorosas no combate a práticas fraudulentas.
Como se proteger dos golpes com Pix nas redes sociais

Diante do crescimento dessas fraudes, especialistas recomendam algumas medidas para evitar cair em armadilhas digitais:
1. Desconfie de anúncios que prometem dinheiro fácil
Se uma oferta parece boa demais para ser verdade, provavelmente é um golpe. O Banco Central não libera valores de forma automática e não exige transferências para resgatar dinheiro.
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2. Verifique a fonte das informações
Sempre confira informações diretamente em canais oficiais, como o site do Banco Central, da Receita Federal ou de instituições bancárias.
3. Não clique em links suspeitos
Anúncios e mensagens que redirecionam para sites desconhecidos podem estar tentando roubar seus dados. Sempre digite o endereço do site manualmente no navegador.
4. Ative a autenticação em dois fatores
Habilitar a autenticação em dois fatores nas redes sociais e em aplicativos bancários adiciona uma camada extra de proteção contra invasões e tentativas de fraude.
5. Denuncie anúncios fraudulentos
Se você identificar anúncios suspeitos no Facebook ou Instagram, denuncie a publicação para que a plataforma tome providências e evite que mais pessoas sejam enganadas.
Imagem: Reprodução
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