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Golpes no WhatsApp: cibercriminosos usam contas verificadas para se passar por transportadoras

Descubra como se proteger dos novos golpes no WhatsApp com contas verificadas falsas. Saiba mais agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Imagem de um homem encapuzado e símbolo do WhatsApp em miniatura na frente do homem representando golpes

Nos últimos meses, uma nova modalidade de golpe digital vem preocupando especialistas em segurança: cibercriminosos estão utilizando contas “verificadas” no WhatsApp para se passar por transportadoras e enganar consumidores.

O alerta foi dado por uma análise recente da empresa de cibersegurança Kaspersky, que identificou mais de 50 domínios associados a esse tipo de fraude, a maioria registrada em julho de 2025.

A prática representa um avanço preocupante na sofisticação das fraudes digitais, pois transforma o selo azul de verificação — símbolo até então associado à confiabilidade — em uma ferramenta de manipulação emocional e social.

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Imagem: Canva

Contas verificadas como isca

Os golpistas criam contas de WhatsApp aparentemente legítimas, com selos de verificação e nomes de grandes transportadoras, como Correios, Jadlog, Total Express e outras. As mensagens são disparadas para vítimas previamente mapeadas, geralmente com base em dados obtidos em vazamentos de informações de e-commerces e operadores logísticos.

Uso de dados reais aumenta a credibilidade

O diferencial desse golpe está na personalização. As mensagens contêm detalhes reais de compras feitas recentemente pela vítima — número do pedido, valor e nome da loja. Isso faz com que a abordagem ganhe legitimidade e reduza a suspeita.

Segundo a Kaspersky, há fortes indícios de que essas informações estejam sendo obtidas a partir de falhas de segurança em empresas terceirizadas ou bancos de dados vazados.

Falsa taxa de entrega

O golpe se concretiza quando a vítima é induzida a pagar uma suposta “taxa de liberação” para que a entrega do produto seja realizada. O pagamento é sempre solicitado via PIX para uma conta em nome de empresa distinta, frequentemente vinculada a fintechs.

Impacto do golpe no Brasil

Crescimento exponencial em 2024

Dados da Kaspersky mostram que o Brasil teve um aumento de 267% em golpes via mensagens falsas em 2024, comparado ao ano anterior. Boa parte desse crescimento está relacionada à popularização do uso indevido de inteligência artificial por parte dos golpistas, que passaram a automatizar e sofisticar suas abordagens.

Facilitação da verificação em redes sociais

Outro fator preocupante é a flexibilização nos critérios para obtenção do selo de verificação em plataformas como WhatsApp e Instagram. Muitas redes passaram a permitir que qualquer usuário obtenha o selo mediante pagamento, sem verificação criteriosa de identidade ou legitimidade.

Essa política abre espaço para que contas criadas com finalidade fraudulenta passem a atuar com aparente credibilidade, dificultando a distinção entre perfis reais e falsos.

Técnicas antigas, novas roupagens

Golpes evoluem, mas seguem padrões conhecidos

Fábio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina, lembra que a tentativa de simular legitimidade não é nova. “Desde 2010, com a falsificação do cadeado de segurança nos navegadores, os criminosos tentam se apropriar de sinais de confiabilidade para enganar as vítimas”, afirma.

Outros exemplos citados incluem o uso indevido de short codes — números curtos geralmente usados por grandes empresas — e até números 0800 ou 400X, também empregados para dar aparência legítima a centrais falsas de atendimento.

Como se proteger dessas fraudes

1. Desconfie de contatos inesperados

Sempre que for abordado por uma conta que diz representar uma transportadora, especialmente se estiver pedindo pagamentos, pause e verifique a origem da mensagem por outros canais — como o SAC oficial da empresa de entrega ou da loja onde a compra foi feita.

2. Nunca pague taxas via PIX sem confirmação oficial

Transportadoras legítimas não cobram taxas adicionais por WhatsApp. Todo pagamento relacionado a frete é geralmente feito no momento da compra, dentro da própria plataforma do e-commerce.

3. Não confie apenas no selo de verificação

O selo azul não é mais um critério absoluto de confiabilidade. Verifique a existência da empresa, pesquise o número e, se necessário, entre em contato diretamente com a loja.

4. Evite clicar em links enviados por mensagens

Links podem direcionar para páginas falsas que imitam sites de empresas reais. Sempre digite o endereço manualmente no navegador ou use canais oficiais.

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Papel das fintechs e a responsabilidade compartilhada

Como contas são abertas para fins criminosos

Os pagamentos exigidos pelos golpistas são direcionados a contas bancárias vinculadas a empresas registradas legalmente. Muitas vezes, essas contas são abertas em fintechs que permitem abertura remota, com menos etapas de verificação do que bancos tradicionais.

Isso levanta um debate sobre a responsabilidade dessas instituições em implementar mecanismos mais rígidos de prevenção à fraude, como validação cruzada de CNPJ e comportamento de movimentação atípica.

Falta de rastreabilidade acelera os golpes

Uma vez que o dinheiro é transferido via PIX, ele é rapidamente movimentado entre diversas contas até desaparecer em saques ou transferências internacionais. A velocidade do sistema, embora benéfica para o consumidor, se torna um trunfo nas mãos de cibercriminosos.

O que as autoridades estão fazendo?

WhatsApp
Imagem: Canva – Edição: Seu Crédito Digital

Investigações em curso

A Polícia Federal e unidades de cibercrime das polícias civis já investigam quadrilhas especializadas nesse tipo de golpe. O uso de contas verificadas, dados vazados e selos falsos configura crimes como estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa.

Projetos de regulação em debate

Estão em discussão projetos que propõem maior regulamentação sobre o uso de selos de verificação em redes sociais, além da exigência de procedimentos mais robustos de KYC (Know Your Customer) por parte das fintechs.

Conclusão

O uso indevido de contas verificadas no WhatsApp para simular transportadoras e aplicar golpes é um reflexo direto do avanço da engenharia social e da fragilidade nos critérios de autenticação digital.

Em um cenário onde selos de verificação podem ser comprados e dados pessoais são facilmente acessíveis, cabe aos usuários desenvolverem um senso crítico constante.

A principal recomendação dos especialistas é simples, mas poderosa: desconfie, questione e verifique. Apenas a consciência digital poderá frear a escalada desse tipo de golpe.

Imagem: Maksim Shmeljov / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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