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Google é a primeira big tech a entrar para o Conar, anuncia órgão

Google torna-se a primeira big tech no Conar, reforçando autorregulação e ética na publicidade digital.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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A entrada do Google Brasil no Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) é um avanço significativo para o setor. Pela primeira vez, uma big tech passa a integrar oficialmente o fórum que regula a ética publicitária no país.

Com isso, busca-se fortalecer a autorregulação, criar padrões claros para o ambiente online e responder às crescentes demandas por responsabilidade digital.

Leia mais: Google pode reduzir serviços no Brasil após decisão do STF

O que representa a adesão do Google

Google
Imagem: Simon / Pixabay

Em 24 de junho de 2025, o Conar anunciou a adesão do Google Brasil, saudando-a como “um avanço significativo na promoção da ética publicitária no país, nos diversos meios e formatos, incluindo o digital”. Até então, as plataformas digitais participavam apenas por meio da IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau). Agora, o Google passa a colaborar diretamente nos debates e decisões que regem a publicidade digital.

Papel do Conar e evolução do setor digital

O Conar, com sede em São Paulo, supervisiona práticas de publicidade à luz do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Ao longo dos últimos anos, criou guias específicos, como o de publicidade por influenciadores, revisou seu código e, em março, instituiu o Conselho de Conteúdo — instância com participação equilibrada entre anunciantes, agências, mídias e plataformas digitais.

Com esses movimentos, o Conar busca responder às transformações do ambiente digital, promovendo autorregulação eficiente e adaptada aos novos formatos.

Como o Google vai agir dentro do Conar

Ao se associar ao Conar, o Google terá acesso ao programa Google Priority Flagger, um canal exclusivo que permite à indústria sinalizar rapidamente eventuais violações das políticas publicitárias da plataforma. Essa integração facilita o diálogo e a resolução de conflitos entre anunciantes e os mecanismos do Google.

O presidente do Conar, Sérgio Pompilio, destacou:

“Este é um marco importante para a autorregulamentação publicitária brasileira, especialmente no ano em que celebramos os 45 anos do Conar.”

Já o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, afirmou:

“Junto ao Conar, trabalharemos ainda mais para construir um ecossistema publicitário cada vez mais saudável e confiável.”

Contexto jurídico e responsabilidade das plataformas

A incorporação do Google ao Conar ocorre em um momento de intensas discussões no STF sobre responsabilização de plataformas. Em julgamento sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet — que define quando plataformas respondem pelo conteúdo dos usuários —, sete dos oito ministros votaram pela responsabilização das redes sociais, com certo grau de intervenção judicial.

O ministro André Mendonça foi o único a defender a manutenção da exigência de ordem judicial para qualquer remoção. Os demais se dividiram entre restringir essa necessidade a crimes contra a honra (4 votos) ou eliminar completamente a exigência (3 votos).

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Coelho afirmou que o Google poderá limitar suas atividades no Brasil caso o Marco Civil sofra mudanças significativas, defendendo a manutenção da exigência judicial para certas remoções.

O impacto na publicidade digital

A entrada do Google no Conar sinaliza que o setor digital está se aproximando da autorregulação consolidada nos meios tradicionais. Isso gera impactos concretos:

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  • Padronização de normas: com grandes operadoras digitais envolvidas, o código do Conar se torna mais representativo da realidade online;
  • Agilidade no controle: canais como o Priority Flagger aceleram a correção de campanhas irregulares;
  • Transparência e confiança: anunciantes e consumidores passam a contar com mecanismos formais de denúncia e avaliação da publicidade digital.

Com isso, o mercado ganha previsibilidade e as práticas publicitárias ganham credibilidade, diferente do que muitas vezes se via no ambiente online.

Próximos passos na autorregulação

conar
Imagem: Divulgação

Com o Google oficial no Conar, abre-se caminho para envolver outras plataformas digitais relevantes no Brasil. A próxima meta? Tornar compulsório o uso de ferramentas de autorregulação, sem prejudicar a liberdade de expressão.

A própria criação do Conselho de Conteúdo em março, que envolve mídias tradicionais e plataformas, reforça esse movimento. O setor se aproxima de uma governança compartilhada, perfeitamente alinhada ao que ocorre globalmente.

Desafios e expectativas

É preciso monitorar se essa adesão vai gerar mudanças visíveis na chamada “regulação autorregulada”, como:

  1. Maior rigor na avaliação de anúncios digitais;
  2. Melhoria no processo de denúncias e remoções;
  3. Cooperação efetiva entre Conar e Google para elaboração de diretrizes claras.

Caso o Conar consiga agir de maneira efetiva nesses pontos, o ambiente publicitário digital pode ganhar mais legitimidade e responsabilidade — com regras claras, fiscalização adequada e respeito aos direitos dos consumidores.

Com informações de: Poder 360

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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