Um vídeo no TikTok publicado pelo criador de conteúdo André Merli viralizou ao demonstrar como arquivos armazenados no Google Drive podem ser encontrados por qualquer pessoa por meio do buscador do Google. O conteúdo gerou alvoroço, levando muitos internautas a se questionarem: será que meus documentos estão em risco?
Google Drive tem brecha que expõe documentos de usuários; confira o que foi achado
Descubra como arquivos no Google Drive podem ser acessados por desconhecidos, entenda o Google Hacking e saiba como proteger sua privacidade digital.
A gravação não fala sobre técnicas ilegais de invasão ou falhas no sistema da nuvem da gigante de tecnologia. Em vez disso, ela destaca um recurso conhecido por especialistas em cibersegurança como Google Hacking — uma forma avançada de pesquisa com base em parâmetros específicos do buscador.
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Compartilhamento público é o verdadeiro problema
Ao contrário do que o vídeo possa sugerir à primeira vista, o acesso a arquivos no Drive ocorre apenas quando o proprietário torna o conteúdo público. Isso significa que não há brechas de segurança na infraestrutura do Google.
O que existe, na verdade, é o uso de uma funcionalidade legítima e acessível: o compartilhamento de arquivos com qualquer pessoa por meio de um link público. Quando isso é feito, e se o link for publicado em redes sociais, fóruns ou páginas indexadas, os arquivos podem aparecer em pesquisas com os comandos corretos.
O que é Google Hacking?
Origem e propósito
O Google Hacking — também chamado de Google Dorking — é uma técnica de pesquisa avançada que explora comandos específicos do buscador para localizar informações de difícil acesso. Ela não é ilegal e é frequentemente usada por jornalistas, pesquisadores e profissionais de segurança da informação.
Como funciona?
A técnica utiliza operadores como site:, filetype:, intitle:, entre outros, para refinar os resultados. No caso do Google Drive, é possível buscar arquivos com:
vbnetCopiarEditarsite:drive.google.com "nome do arquivo"
Se o documento tiver sido compartilhado publicamente e o link estiver em algum site indexado pelo Google, ele pode aparecer entre os resultados.
Exemplos reais
Na investigação realizada pelo TecMundo, com base no vídeo viral, foram encontrados:
- Episódios do seriado Chaves
- Vídeos de um homem atravessando um rio em cima de uma bicicleta com boia
- Selfies e fotos antigas de um jovem feitas nos EUA
- Arquivos digitalizados do Ministério da Justiça da Argentina, incluindo declarações patrimoniais
Esses achados ocorreram sem qualquer técnica de invasão, apenas com o uso da busca avançada.
O que diz o Google?
Responsabilidade do usuário
O TecMundo procurou a assessoria do Google, que respondeu por meio de nota:
“Os usuários são os únicos responsáveis por controlar suas configurações de compartilhamento no Drive. O conteúdo salvo no Drive é privado para todos, a menos que o usuário opte por compartilhá-lo.”
Ou seja, a empresa responsabiliza exclusivamente o usuário pela exposição de seus arquivos.
Como proteger seus arquivos no Google Drive
Evite o compartilhamento irrestrito
A forma mais segura de manter seus documentos longe de olhares indesejados é garantir que nenhum deles esteja com acesso público.
Passo a passo no computador:
- Acesse o Google Drive
- Clique com o botão direito sobre a pasta ou arquivo que deseja proteger
- Selecione Compartilhar
- Em Acesso geral, altere de “Qualquer pessoa com o link” para Restrito
Passo a passo no celular:
- Abra o app do Google Drive
- Toque nos três pontos ao lado do nome do arquivo ou pasta
- Vá em Gerenciar pessoas e links
- Altere o acesso geral para Restrito
Compartilhamento consciente
Se precisar compartilhar com alguém, insira manualmente o e-mail da pessoa e defina o tipo de acesso: “Leitor”, “Comentador” ou “Editor”. Evite enviar links amplamente divulgados.
Por que alguns arquivos estão públicos?

Uso corporativo
É comum que empresas compartilhem releases, imagens de produtos ou documentos técnicos publicamente por meio do Drive. Esses arquivos são deliberadamente indexados para facilitar o acesso da imprensa e do público.
Desatenção ou desconhecimento
Já no caso de usuários comuns, o problema geralmente ocorre por desatenção ao configurar o compartilhamento. Muitos não percebem que marcar “Qualquer pessoa com o link” pode expor os dados se o link for parar em algum site público.
Riscos do uso indevido
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Quando o Google Hacking é mal utilizado
Embora o Google Hacking seja legal, pode ser usado para fins maliciosos. Em 2021, o pesquisador brasileiro Pedro Antônio (conhecido como Pedr4uz) denunciou que dados sensíveis estavam abertamente disponíveis nos sites da Caixa, do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e da USP.
A descoberta foi feita justamente com técnicas similares às vistas no vídeo de Merli. Apesar das denúncias, muitas dessas vulnerabilidades decorriam de falhas humanas na publicação de arquivos sensíveis com acesso irrestrito.
O que podemos aprender com isso?
Privacidade é responsabilidade do usuário
A lição principal é que a segurança digital começa com o usuário. Não basta confiar nos padrões da plataforma; é preciso revisar constantemente as permissões e configurações.
Além disso, o episódio mostra como técnicas simples e legais podem ser usadas para expor dados sem que haja qualquer invasão. Por isso, o controle sobre o que é compartilhado deve ser prioridade para todos os que usam serviços em nuvem.
A responsabilidade é sua
Medidas adicionais de segurança
Embora o Google forneça mecanismos de privacidade eficazes, ele também oferece liberdade de compartilhamento. Cabe ao usuário entender as implicações dessas escolhas.
Para quem quer reforçar ainda mais a segurança, o ideal é:
- Usar autenticação em duas etapas
- Revisar a aba “Compartilhamento” periodicamente
- Utilizar serviços adicionais de proteção, como criptografia de arquivos antes do upload
E quanto a serviços concorrentes?

Proton Drive como alternativa mais segura
Alternativas como Proton Drive vêm ganhando espaço por oferecer privacidade mais rígida. O serviço suíço, por exemplo, promete criptografia de ponta a ponta e maior controle sobre o acesso, o que pode ser interessante para quem precisa de máxima proteção.
No entanto, o Google Drive ainda lidera em funcionalidades, integração e facilidade de uso, especialmente para usuários do ecossistema Android e Gmail.
Conclusão
O vídeo de André Merli cumpre um papel importante ao trazer à tona a necessidade de educação digital. Embora não haja falha técnica na plataforma, o episódio revela que a combinação entre funcionalidades abertas e desconhecimento do usuário pode criar situações de exposição perigosa.
Para garantir sua segurança, é essencial revisar periodicamente as configurações de compartilhamento do Google Drive e adotar boas práticas de cibersegurança. Afinal, na era da nuvem, privacidade é responsabilidade de quem compartilha.
