O uso de inteligência artificial no desenvolvimento de software deu um salto significativo dentro da Google. Segundo dados apresentados pela própria companhia em abril de 2026, cerca de 75% dos novos códigos de seus produtos já são gerados por IA e apenas revisados por engenheiros humanos.
IA já gera 75% do código do Google, afirma empresa
Google já gera 75% do código com IA. Entenda impacto no trabalho e o que fazem Microsoft e Meta.
O número representa uma evolução acelerada: no quarto trimestre de 2025, essa participação era de aproximadamente 50%. Em poucos meses, a empresa praticamente consolidou a IA como protagonista no processo de programação.
O anúncio foi feito no mesmo dia em que a gigante realizou um evento focado em inteligência artificial, reforçando a centralidade da tecnologia em sua estratégia global.
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Como funciona o novo modelo de desenvolvimento com IA
A mudança não significa que os engenheiros deixaram de ser importantes — mas sim que suas funções estão evoluindo.
Hoje, profissionais do Google utilizam modelos como o Gemini para gerar trechos de código automaticamente. A partir disso, cabe aos humanos revisar, ajustar e validar o que foi produzido.
Essa abordagem tem sido incentivada internamente. Segundo reportagens da Business Insider, alguns engenheiros passaram a ter metas específicas relacionadas ao uso de IA — inclusive com impacto direto nas avaliações de desempenho.
No Google DeepMind, dedicado à pesquisa avançada, houve até autorização para o uso do Claude Code, concorrente direto de soluções internas. A decisão, no entanto, gerou desconforto entre equipes, evidenciando disputas tecnológicas mesmo dentro da empresa.
Ganhos de produtividade já são evidentes
O principal argumento a favor da adoção massiva da IA é o ganho de eficiência.
De acordo com Sundar Pichai, uma migração de código considerada extremamente complexa foi realizada por agentes de IA em conjunto com engenheiros e concluída seis vezes mais rápido do que seria possível há apenas um ano.
Esse tipo de resultado reforça a tese de que a IA não apenas automatiza tarefas, mas amplia significativamente a capacidade produtiva das equipes.
Na prática, isso pode significar ciclos de desenvolvimento mais curtos, lançamentos mais rápidos e maior capacidade de inovação.
IA além da programação: impacto em toda a empresa
O uso de inteligência artificial no Google não se limita aos times técnicos.
Relatórios indicam que gestores têm incentivado funcionários de áreas administrativas e estratégicas a utilizarem IA em tarefas do dia a dia, como anotações em reuniões, organização de ideias e produção de documentos.
Essa tendência reflete um movimento mais amplo no mercado: a IA está deixando de ser uma ferramenta especializada e passando a integrar rotinas corporativas de forma transversal.
Parcerias estratégicas e novos investimentos em IA
Durante o evento, o Google também anunciou avanços importantes em infraestrutura, como o desenvolvimento de novos chips voltados para treinamento de modelos e inferência — etapas essenciais para o funcionamento de sistemas de IA em larga escala.
Além disso, foi confirmada a chegada de uma nova versão da assistente da Apple, a Siri, prevista para 2026 e desenvolvida em parceria com o Google.
O movimento sinaliza uma aproximação estratégica entre duas gigantes que historicamente competem em diversas frentes.
O que outras big techs estão fazendo com IA
O avanço do Google não é isolado. Outras empresas de tecnologia também estão acelerando o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de software.
Na Microsoft, por exemplo, entre 20% e 30% dos códigos de alguns projetos já são gerados com apoio de IA, segundo Satya Nadella.
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O CTO da empresa, Kevin Scott, foi ainda mais longe ao projetar que, em até cinco anos, cerca de 95% da programação poderá ser feita por inteligência artificial.
Já a Meta estabeleceu metas ambiciosas: pretende que até 55% das alterações de código tenham assistência de IA e que, até o segundo semestre de 2026, 65% dos engenheiros utilizem a tecnologia em pelo menos 75% do código produzido.
A empresa também explora usos mais inusitados, como o desenvolvimento de um “clone de IA” de Mark Zuckerberg para interagir com funcionários e reforçar a cultura organizacional.
O que muda para profissionais e o mercado de trabalho
A rápida adoção da IA levanta uma questão inevitável: o futuro das profissões ligadas à tecnologia.
Na prática, o que se observa até agora não é a substituição completa de engenheiros, mas uma transformação no perfil exigido. Habilidades como revisão crítica, pensamento lógico e capacidade de trabalhar com ferramentas de IA tornam-se cada vez mais valorizadas.
Para profissionais brasileiros, isso significa a necessidade de adaptação. Dominar ferramentas de IA, entender seus limites e saber utilizá-las de forma estratégica pode ser um diferencial competitivo importante.
Um novo padrão para a indústria de tecnologia
O avanço do Google e de outras big techs indica que a geração de código por inteligência artificial tende a se tornar padrão na indústria.
A combinação entre automação e supervisão humana cria um modelo híbrido que promete mais eficiência, mas também exige novos cuidados — especialmente em relação à qualidade, segurança e ética dos sistemas desenvolvidos.
Mais do que uma tendência, a IA já é parte central da engenharia de software moderna. E, ao que tudo indica, esse movimento está apenas começando.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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