O avanço das tecnologias de inteligência artificial está alterando o modo como as pessoas acessam informações na internet e gerando impactos profundos no jornalismo digital.
Uso de IA no Google derruba visitas a portais de notícias em 20,6%
O Google reduziu 20,6% do tráfego para sites de notícias com IA. Entenda o impacto, a reação do Cade e o uso de conteúdo. Leia mais agora.
Um novo estudo revela que o Google reduziu em 20,6% o tráfego enviado a sites de notícias desde a adoção de um recurso que responde diretamente às dúvidas dos usuários.
A mudança reacende debates sobre transparência, remuneração e equilíbrio competitivo. Continue a leitura para entender os detalhes e o impacto dessa transformação no ecossistema de informação.
Leia mais: Treinamento em IA gratuito do Google: saiba como participar
Como o Google redefiniu a dinâmica das buscas
A ferramenta AI Overviews, implementada pelo Google, foi criada para oferecer respostas instantâneas no topo da página de resultados. Em vez de direcionar o usuário a links externos, a tecnologia fornece textos gerados por IA que já solucionam grande parte das dúvidas pesquisadas.
Esse modelo impulsiona o fenômeno conhecido como “zero clique”, no qual o usuário não acessa mais os sites listados no buscador. Segundo o estudo divulgado pela Folha, 35,3% das buscas relacionadas a temas jornalísticos no país já exibem respostas produzidas pela IA do Google.
Com isso, reportagens e análises que antes apareciam entre os primeiros resultados agora ocupam posições inferiores, recebendo menos visualizações. Para especialistas, esse movimento altera de maneira estrutural a forma como o público consome notícias e como os veículos dependem do tráfego orgânico para se manter.
Entidades denunciam uso de conteúdo jornalístico
O relatório enviado ao Cade por organizações como Foxglove, Instituto de Defesa do Consumidor e Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio aponta que o Google teria utilizado informações extraídas de sites de notícias para treinar sua IA sem autorização e sem remuneração.
Segundo o documento, os resumos exibidos pela ferramenta reproduzem conteúdo presente em reportagens originais — o que, na visão das entidades, representa uso indevido e potencial prejuízo econômico para o setor jornalístico.
A diretora jurídica da Foxglove, Stella Caram, destacou que o impacto tende a se agravar. Segundo ela, quanto mais o Google expande o uso do AI Overviews, maior será o número de buscas solucionadas pela própria plataforma, empurrando o jornalismo para posições menos visíveis.
O que o Google diz sobre a queda no tráfego
O Google, em nota publicada em seu blog oficial, afirmou que não comentaria diretamente os dados do estudo. No entanto, a empresa declarou que:
- O volume total de cliques orgânicos permaneceu estável em comparação ao ano anterior.
- Os chamados “cliques de qualidade” — quando o usuário passa mais tempo na página visitada — teriam aumentado após a adoção da IA.
- Veículos podem escolher se permitem ou não o uso de seus conteúdos para treinamento dos modelos do Google.
Mas, segundo a própria empresa, ao optar por restringir o uso do conteúdo, o site também deixa de aparecer nos resultados de busca convencionais, criando um dilema para os produtores de notícia.
Cade investiga possível vantagem econômica do Google
O estudo enviado ao Cade em novembro serviu como base para um inquérito que analisa se o Google teria obtido vantagens econômicas ao utilizar material jornalístico sem remuneração aos produtores.
A investigação ocorre porque o Google concentra cerca de 90% do mercado de buscas no Brasil, o que confere à empresa um poder significativo sobre o tráfego digital. A introdução da IA na plataforma, somada ao domínio de mercado, pode impactar diretamente o equilíbrio competitivo e reduzir a autonomia de veículos de comunicação.
Entre os pontos avaliados pelo Cade estão:
- Potencial prejuízo financeiro aos veículos;
- A dependência dos sites em relação ao tráfego gerado pelo Google;
- O impacto do “zero clique” no modelo de negócios jornalístico;
- A possível exploração de conteúdo sem compensação econômica.
Especialistas afirmam que esse debate deve se intensificar nos próximos anos, especialmente à medida que tecnologias de IA se tornam mais avançadas e amplamente utilizadas.
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O impacto no jornalismo e no ecossistema digital
A mudança no fluxo de tráfego tem efeitos diretos sobre o modelo de negócios da imprensa digital, que A redução de 20,6% no tráfego reflete uma mudança profunda que afeta não apenas a audiência, mas também o modelo econômico dos veículos de comunicação. Sites de notícias dependem da visibilidade nas buscas para atrair leitores e anunciantes — e o papel do Google nesse processo é central.
Entre os efeitos diretos da queda no tráfego estão:
- Perda de receita publicitária;
- Menor engajamento com reportagens e conteúdos especiais;
- Redução da influência dos veículos sobre o debate público;
- Maior dependência do próprio Google como intermediador.
Com a IA ocupando posições estratégicas na página de resultados, o jornalismo digital enfrenta a necessidade de adaptar suas estratégias de distribuição e buscar novas formas de alcançar audiência.
Transparência e o debate internacional
A discussão sobre o uso de conteúdo jornalístico por plataformas digitais não é exclusiva do Brasil. Países como Austrália, Canadá e membros da União Europeia já avançaram com legislações que obrigam empresas como o Google a negociar diretamente com veículos de comunicação pelo uso de reportagens.
No Brasil, especialistas defendem uma regulamentação que garanta remuneração justa e transparência nos mecanismos de busca, especialmente com a expansão da IA generativa.
Para o setor jornalístico, o debate vai além do tráfego: trata-se de preservar a sustentabilidade financeira e o papel social da informação confiável em um cenário dominado por algoritmos.
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Com informações de: Poder360
