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Governo pode perder R$ 35 bi por paralisação de auditores — entenda

Paralisação parcial dos auditores-fiscais da Receita Federal pode causar perda de até R$ 35,5 bilhões na arrecadação do governo em 2025.

Desde novembro de 2024, os auditores-fiscais da Receita Federal estão em paralisação parcial, com o Sindifisco Nacional apontando que a interrupção dos trabalhos pode resultar em perdas de até R$ 35,5 bilhões na arrecadação do governo em 2025. O movimento é uma resposta à falta de reajuste salarial da categoria, cujo salário-base atual é de R$ 22.921,71. A paralisação afetou diretamente as operações fiscais e trouxe impactos financeiros significativos para as contas públicas.

Contexto da paralisação e seus efeitos

IR receita governo
Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Os auditores-fiscais fizeram greve de novembro de 2024 até junho de 2025, quando o STJ determinou sua suspensão. Mesmo com a greve suspensa, parte dos setores da Receita Federal continua com operações reduzidas, em razão do impasse nas negociações por reajuste salarial.

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Estudo do Sindifisco e projeção de perdas

O Sindifisco Nacional realizou um levantamento apontando que, caso a categoria retome integralmente suas funções, a arrecadação extraordinária poderia aumentar em até R$ 35,5 bilhões. O sindicato afirma que a paralisação compromete diretamente ações que, somadas, poderiam destravar mais de R$ 53 bilhões nos próximos 12 meses.

Maria Regina Duarte, diretora de estudos técnicos do Sindifisco, enfatiza que a arrecadação não ocorre de forma espontânea, mas sim induzida pela atuação do fisco. Segundo ela, cerca de 7% da arrecadação total depende diretamente das ações dos auditores-fiscais, que atuam tanto diretamente na cobrança quanto indiretamente na prevenção de fraudes.

Origem das perdas estimadas na arrecadação

Principais áreas afetadas

O estudo do sindicato detalha as fontes das receitas extras que estão comprometidas devido à paralisação:

  • Grandes contribuintes: R$ 18 bilhões
  • Transações tributárias: R$ 6 bilhões
  • Malha fina de pessoas jurídicas: R$ 2,1 bilhões
  • Malha fina de pessoas físicas: R$ 2,4 bilhões
  • Combate a fraudes: R$ 4,1 bilhões
  • Glosas fiscais: R$ 1 bilhão
  • Julgamentos regionais: R$ 4,4 bilhões
  • Julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): R$ 15,4 bilhões

Consequências para as metas fiscais do governo

Cumprir as metas fiscais de 2025 tem se mostrado um desafio para o governo federal, diante de um cenário econômico cada vez mais pressionado. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estimou que, sem medidas adicionais, o déficit primário poderá atingir R$ 64,2 bilhões, agravando a situação econômica do país.

Negociações salariais e pressão do Sindifisco

receita federal
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Reivindicações da categoria

A categoria entende que a valorização é necessária para garantir a qualidade do serviço público e a eficiência da arrecadação tributária.

Estratégia do sindicato

Com os dados do estudo, o Sindifisco pressiona o governo a retomar o diálogo sobre reajustes. A entidade defende que valorizar a carreira dos auditores-fiscais não representa um custo, mas um retorno positivo para os cofres públicos, por meio do aumento da arrecadação e da redução do déficit fiscal.

FAQ

Qual a principal causa da paralisação dos auditores-fiscais?
A categoria reivindica reajuste salarial devido à perda de poder aquisitivo acumulada desde 2016.

Quais setores da Receita são mais impactados pela greve?
Setores ligados à malha fina, julgamentos fiscais e combate a fraudes são os mais afetados.

Qual é a estimativa de prejuízo financeiro para o governo por conta da paralisação?
O Sindifisco calcula que as perdas podem chegar a R$ 35,5 bilhões em 2025.

O que o governo tem feito para negociar com os auditores?
Até o momento, o governo mantém resistência em conceder reajustes, enquanto o sindicato pressiona pela retomada das negociações.

Considerações finais

Dessa maneira, para evitar perdas bilionárias e garantir a eficiência da Receita Federal, é fundamental que governo e auditores avancem nas negociações e encontrem um acordo que valorize os servidores e preserve as contas públicas.