A partir desta terça-feira, 1º, a Receita Federal do Brasil (RFB) dá início ao aguardado projeto-piloto da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que substituirá o PIS e a Cofins no contexto da Reforma Tributária do Consumo. A iniciativa visa testar, validar e aprimorar os sistemas eletrônicos que serão a base operacional da nova cobrança.
Receita Federal inicia fase de testes da CBS com 500 empresas nesta terça-feira (1º)
Receita Federal inicia piloto da CBS com até 500 empresas para testar o novo sistema da contribuição da Reforma Tributária do Consumo.
Com apoio do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), os testes ocorrerão em ambiente restrito, com participação de até 500 empresas selecionadas por critérios técnicos, institucionais e econômicos. O projeto é considerado uma etapa crucial para garantir a eficácia e a segurança da transição ao novo modelo tributário.
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O que é a CBS e por que ela é importante?
A Contribuição sobre Bens e Serviços faz parte da primeira fase da reforma tributária, aprovada em 2023. Ela tem como objetivo simplificar a estrutura de tributos federais sobre o consumo, substituindo PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que são amplamente criticados por sua complexidade e cumulatividade.
Com a CBS, espera-se:
- Unificação das alíquotas
- Simplificação das obrigações acessórias
- Redução de litígios tributários
- Transparência nas cadeias de produção
Para garantir que essa transformação ocorra de forma organizada e funcional, a Receita aposta na participação do setor privado já na fase inicial de testes.
Seleção das empresas: critérios e objetivos
A escolha das empresas participantes seguiu critérios técnicos definidos pela Receita Federal, com foco em organizações capazes de contribuir efetivamente para o desenvolvimento das soluções da CBS. Entre os critérios estão:
Categorias de empresas selecionadas
1. Termo de cooperação com a RFB
Empresas que já possuem acordos de cooperação formalizados com a Receita, incluindo aquelas do Programa Confia (Conformidade Cooperativa Fiscal) e participantes de homologações do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped).
2. Indicações do pré-Comitê Gestor do IBS
O pré-comitê do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) também teve papel importante ao indicar empresas com conhecimento técnico e porte econômico relevante.
3. Representantes do setor de tecnologia
Fornecedoras de software fiscal com atuação em larga escala foram incluídas, visando testar a integração dos sistemas empresariais com as plataformas da Receita.
4. Indicações de entidades de classe
Associações empresariais e sindicatos patronais também participaram das indicações, para assegurar diversidade de setores e abrangência regional.
Entrada escalonada e cronograma
A entrada das empresas será escalonada ao longo do segundo semestre de 2025, conforme o avanço do ambiente de testes. Isso permitirá identificar falhas de forma controlada e ajustar processos sem comprometer a operação das companhias envolvidas.
Início oficial e cronograma de julho

O primeiro grupo de empresas, composto por organizações com termo de cooperação vigente com a Receita Federal, teve seus nomes divulgados no Diário Oficial da União (DOU) em 27 de junho de 2025, por meio do Extrato de Adesão.
Entre 1º e 4 de julho, a Receita Federal realizará lives técnicas com as empresas, explicando:
- Escopo do piloto
- Funcionamento do ambiente de produção restrita
- Recursos do Portal da Reforma Tributária do Consumo
- Formas de suporte e atendimento especializado
A partir de 7 de julho, o ambiente de testes estará liberado para uso pelas empresas participantes.
Ambiente de produção restrita: o que será testado?
O ambiente de produção restrita é um espaço virtual controlado, onde as empresas poderão simular a emissão de documentos fiscais, apuração de tributos e envio de declarações conforme os parâmetros da CBS. Este espaço:
- Não gera efeitos reais na arrecadação
- Permite validação de funcionalidades e regras de negócio
- Possibilita feedback em tempo real às equipes da Receita
O Serpro será responsável por garantir a estabilidade da infraestrutura tecnológica e implementar os ajustes recomendados pelas empresas participantes.
Impactos esperados no mercado
O projeto-piloto é visto por especialistas como uma medida estratégica para evitar os erros cometidos em outras reformas, como no caso do eSocial e da NF-e. Ao permitir que as empresas testem previamente os sistemas, a Receita busca:
- Reduzir riscos de falhas operacionais
- Facilitar a curva de aprendizagem das empresas
- Evitar insegurança jurídica no momento da transição
Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa também reforça o modelo de cooperação entre fisco e contribuinte, cada vez mais adotado em países desenvolvidos.
Benefícios para as empresas participantes
- Antecipação na adaptação aos novos requisitos
- Diagnóstico interno sobre processos e sistemas
- Redução de riscos de autuação futura
- Participação ativa na construção das regras
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Benefícios para a Receita Federal
- Recebimento de sugestões de melhorias
- Correção de erros antes da produção definitiva
- Testes de desempenho e escalabilidade
- Criação de materiais de apoio mais adequados
Transparência e inclusão do mercado
Para garantir transparência, a Receita Federal anunciou que manterá um painel público de acompanhamento do piloto da CBS em seu site oficial. Esse painel incluirá:
- Lista atualizada de empresas participantes
- Funcionalidades já testadas
- Ajustes realizados com base nos testes
- Agenda de eventos e capacitações
Mesmo empresas que não participam diretamente do projeto poderão se preparar com base nas informações disponibilizadas.
A transição para a CBS e os próximos passos da Reforma Tributária
A CBS é o primeiro passo prático da Reforma Tributária do Consumo, que também prevê a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) de competência estadual e municipal, em substituição ao ICMS e ao ISS.
Prazos e cronograma previsto
Segundo o Ministério da Fazenda, a CBS deve entrar em vigor gradualmente entre 2026 e 2027, com período de transição de alíquotas e regras cumulativas. Já o IBS será implementado até 2033.
Como a CBS vai funcionar na prática
A CBS incidirá sobre operações com:
- Venda de bens
- Prestação de serviços
- Importações
A base de cálculo será o valor da operação, e a alíquota final ainda será definida por lei complementar. Empresas terão direito a crédito do tributo pago nas etapas anteriores, reduzindo a cumulatividade.
O que especialistas dizem

Economistas e tributaristas veem com bons olhos o projeto-piloto da CBS. Para eles, o sucesso da reforma depende de uma implementação tecnológica eficiente, e não apenas da aprovação legislativa.
“A CBS tem tudo para ser um divisor de águas, mas se a transição não for bem conduzida, pode gerar insegurança e perda de arrecadação”, afirmou um especialista da FGV em tributos indiretos.
Entidades empresariais também elogiaram a abertura ao diálogo e a possibilidade de influenciar a construção dos sistemas, mas alertam para a necessidade de clareza nas regras e capacitação das empresas menores.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
