O governo federal anunciou na última terça-feira (17) uma proposta que visa ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas que ganham até R$ 5.000 mensais. A medida atende a uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pretende beneficiar milhões de brasileiros com rendas mais baixas, aliviando a carga tributária para uma parcela significativa da população.
Quais rendimentos vão continuar isentos com a nova isenção do Imposto de Renda?
Governo Federal propõe ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, beneficiando milhões de brasileiros.
Segundo o projeto, além da isenção total para quem recebe até R$ 5.000 por mês, trabalhadores que ganham entre R$ 5.001 e R$ 7.000 poderão contar com um desconto progressivo, o que reduzirá o imposto a ser pago. A iniciativa visa garantir maior justiça tributária, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“Não se pretende nem arrecadar mais, nem arrecadar menos, se pretende fazer justiça. Se pretende garantir que as famílias até essa renda possam ter até o final do mês um alento, um aconchego maior”, declarou Haddad durante a cerimônia de anúncio.
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Tributação progressiva para rendas altas

Para compensar a perda de arrecadação gerada pela ampliação da isenção, o governo propôs a criação de um imposto mínimo de 10% para rendas anuais superiores a R$ 600 mil, chegando a até 10% para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano. A expectativa é que o novo sistema de cobrança atinja aproximadamente 141,4 mil contribuintes que hoje pagam menos imposto proporcionalmente.
A cobrança para essas rendas será aplicada a partir da declaração do Imposto de Renda de 2027, referente aos ganhos obtidos em 2026. A Fazenda esclareceu que o cálculo será feito somando todos os rendimentos anuais, incluindo salários, aluguéis, dividendos e outras fontes de renda. Se o total ultrapassar R$ 600 mil, a alíquota progressiva será aplicada.
Manutenção de deduções e isenções
O governo garantiu que nenhum dos benefícios previstos na legislação atual será extinto. Continuarão válidas as isenções para aposentados com doenças graves, rendimentos oriundos de cadernetas de poupança e deduções relacionadas a saúde, educação e dependentes.
Isenções mantidas
- Ganhos da caderneta de poupança.
- Rendimentos de títulos.
- Indenizações por danos morais, materiais e por acidente de trabalho.
- Aposentadorias e pensões por doenças graves.
- Outros rendimentos mobiliários isentos do IR.
Deduções do Imposto de Renda
- Dependentes: R$ 2.275,08 anuais (R$ 189,59 mensais).
- Educação: Limite anual de R$ 3.561,50.
- Desconto simplificado: Limite de R$ 16.754,34.
- Saúde: Sem limite de dedução.
- Aposentados e pensionistas a partir de 65 anos: R$ 24.751,74 anuais.
Doenças que garantem isenção do IR

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Os contribuintes aposentados por doenças graves mantêm o direito à isenção do IR sobre valores de aposentadoria e pensão, mediante apresentação de laudo emitido por médico perito do INSS. As doenças que garantem esse benefício incluem:
- Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida);
- Alienação mental;
- Cardiopatia grave;
- Cegueira (monocular incluída);
- Contaminação por radiação;
- Doença de Paget em estado avançado;
- Doença de Parkinson;
- Esclerose múltipla;
- Espondiloartrose anquilosante;
- Fibrose cística (Mucoviscidose);
- Hanseníase;
- Nefropatia grave;
- Hepatopatia grave;
- Neoplasia maligna;
- Paralisia irreversível e incapacitante;
- Tuberculose ativa.
Impactos esperados e previsão de arrecadação
A medida deve beneficiar cerca de 10 milhões de cidadãos com a nova faixa de isenção, que se somarão a outros 10 milhões de isentos já existentes, totalizando aproximadamente 20 milhões de contribuintes livres do pagamento do Imposto de Renda.
O custo estimado para os cofres públicos é de R$ 27 bilhões, valor que será compensado pela cobrança do imposto mínimo para os contribuintes de alta renda. Com isso, o governo classifica a proposta como “neutra” em termos de arrecadação.
A expectativa é que as mudanças tragam mais justiça fiscal, aliviando o peso tributário sobre quem ganha menos e garantindo uma contribuição justa daqueles com maior capacidade econômica. O projeto ainda deverá ser analisado pelo Congresso antes de sua implementação definitiva.
Imagem: Freepik e Canva
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