O governo Lula (PT) publicou nesta quarta-feira uma Medida Provisória (MP) que institui aumentos em diversos impostos, como forma de compensar o recuo anunciado no aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) ocorrido no mês passado. A decisão veio após forte pressão e críticas de setores produtivos e financeiros ao pacote inicial. A MP, que entrou em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, traz novas regras para apostas esportivas, instituições financeiras, investimentos e outros segmentos.
Governo publica MP com impostos extras para compensar recuo do IOF
O governo Lula publica medida provisória com aumentos em impostos para compensar o recuo do IOF. Confira!
O que motivou a publicação da MP

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Com o objetivo de equilibrar as contas públicas sem comprometer ainda mais a retomada econômica, o governo publicou uma Medida Provisória que amplia a carga tributária sobre diversos setores. Essa iniciativa veio após a revogação parcial do aumento do IOF, promovida por meio de um novo decreto. A decisão de reduzir as alíquotas do imposto foi tomada diante das fortes reações negativas de segmentos produtivos, que consideraram os reajustes anteriores excessivos e nocivos ao ambiente econômico.
Principais mudanças na tributação
Apostas esportivas
As plataformas de apostas esportivas passam a recolher 18% sobre o rendimento das apostas — que é o valor restante após o pagamento dos prêmios e do Imposto de Renda sobre premiações. A medida entra em vigor quatro meses após a publicação da MP.
Unificação da alíquota de IR sobre aplicações financeiras em 17,5%
Hoje, diferentes aplicações financeiras têm alíquotas variáveis, conforme tipo e prazo. Com a MP, todas terão alíquota única de 17,5% a partir de janeiro de 2026.
| Tipo de aplicação | Alíquota atual | Alíquota após MP (a partir de 2026) |
|---|---|---|
| CDB (até 180 dias) | 22,5% | 17,5% |
| CDB (acima de 720 dias) | 15% | 17,5% |
| Ações | 15% (isentas até R$20 mil/mês) | 17,5% |
| Títulos de renda fixa isentos* | 0% | 5% (para emissões a partir de 2026) |
Tributação de ativos virtuais
Pessoas físicas, jurídicas isentas e optantes do Simples Nacional terão que pagar 17,5% sobre os rendimentos de ativos virtuais, incluindo criptomoedas e criptoativos.
Mudanças no IOF sobre VGBL
O patamar para incidência de IOF sobre aportes no VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) subiu de R$ 50 mil para R$ 300 mil até o final de 2025, e para R$ 600 mil a partir de 2026. As contribuições patronais ficam isentas de IOF.
Retorno do investimento estrangeiro direto isento de IOF
O decreto anterior havia instituído IOF de 0,38% sobre retorno de investimento estrangeiro direto, que agora volta a ser zerado. Também volta a zerar o IOF sobre investimentos em mercado financeiro e de capitais.
Contexto político e reação do Congresso
A MP publicada pelo governo Lula entra em um contexto delicado, marcado por cobranças do Parlamento por medidas fiscais mais estruturais, além de insatisfação com a forma e o timing das alterações tributárias.
O governo tenta equilibrar a necessidade de arrecadação com o impacto social e econômico das medidas, evitando agravamento da crise fiscal sem desestimular investimentos e consumo.
Impactos esperados

Para empresas e investidores
O aumento da tributação sobre apostas esportivas e fintechs representa um esforço para aumentar a arrecadação de setores que cresceram rapidamente e possuem maior potencial contributivo.
A unificação da alíquota do IR sobre aplicações pode simplificar o sistema, mas também pode desestimular investimentos de longo prazo e diversificação financeira.
Para o mercado financeiro
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A redução do IOF para operações de risco sacado e para crédito a pessoas jurídicas visa aliviar o custo do crédito para empresas, fomentando a circulação de capital e o funcionamento das cadeias produtivas.
Para o consumidor final
Mudanças podem se refletir indiretamente, com custos maiores para operações financeiras e menor oferta de produtos de investimento isentos ou com alíquotas menores.
FAQ — Perguntas frequentes
1. O que é a Medida Provisória publicada pelo governo?
É um ato com força de lei que institui mudanças fiscais e tributárias para compensar o recuo do aumento do IOF, aumentando outros impostos para equilibrar as contas públicas.
2. Quais setores são mais afetados?
Apostas esportivas, fintechs, instituições financeiras, investidores em títulos de renda fixa e ativos virtuais são os principais afetados.
3. A MP já está valendo?
Sim, mas ela precisa ser aprovada pelo Congresso para continuar valendo em definitivo.
Considerações finais
A Medida Provisória publicada pelo governo Lula representa uma tentativa de equilibrar a arrecadação diante do recuo no aumento do IOF, com uma série de ajustes tributários em diversos setores econômicos. Embora busque justiça fiscal e equilíbrio das contas públicas, as medidas enfrentam resistência política e podem impactar a dinâmica dos investimentos e do mercado financeiro brasileiro nos próximos anos.
