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Governo publica MP com impostos extras para compensar recuo do IOF

O governo Lula publica medida provisória com aumentos em impostos para compensar o recuo do IOF. Confira!

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Benefícios

O governo Lula (PT) publicou nesta quarta-feira uma Medida Provisória (MP) que institui aumentos em diversos impostos, como forma de compensar o recuo anunciado no aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) ocorrido no mês passado. A decisão veio após forte pressão e críticas de setores produtivos e financeiros ao pacote inicial. A MP, que entrou em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, traz novas regras para apostas esportivas, instituições financeiras, investimentos e outros segmentos.

O que motivou a publicação da MP

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Imagem: José Cruz/Agência Brasil

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Com o objetivo de equilibrar as contas públicas sem comprometer ainda mais a retomada econômica, o governo publicou uma Medida Provisória que amplia a carga tributária sobre diversos setores. Essa iniciativa veio após a revogação parcial do aumento do IOF, promovida por meio de um novo decreto. A decisão de reduzir as alíquotas do imposto foi tomada diante das fortes reações negativas de segmentos produtivos, que consideraram os reajustes anteriores excessivos e nocivos ao ambiente econômico.

Principais mudanças na tributação

Apostas esportivas

As plataformas de apostas esportivas passam a recolher 18% sobre o rendimento das apostas — que é o valor restante após o pagamento dos prêmios e do Imposto de Renda sobre premiações. A medida entra em vigor quatro meses após a publicação da MP.

Unificação da alíquota de IR sobre aplicações financeiras em 17,5%

Hoje, diferentes aplicações financeiras têm alíquotas variáveis, conforme tipo e prazo. Com a MP, todas terão alíquota única de 17,5% a partir de janeiro de 2026.

Tipo de aplicaçãoAlíquota atualAlíquota após MP (a partir de 2026)
CDB (até 180 dias)22,5%17,5%
CDB (acima de 720 dias)15%17,5%
Ações15% (isentas até R$20 mil/mês)17,5%
Títulos de renda fixa isentos*0%5% (para emissões a partir de 2026)
* Para títulos como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas.

Tributação de ativos virtuais

Pessoas físicas, jurídicas isentas e optantes do Simples Nacional terão que pagar 17,5% sobre os rendimentos de ativos virtuais, incluindo criptomoedas e criptoativos.

Mudanças no IOF sobre VGBL

O patamar para incidência de IOF sobre aportes no VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) subiu de R$ 50 mil para R$ 300 mil até o final de 2025, e para R$ 600 mil a partir de 2026. As contribuições patronais ficam isentas de IOF.

Retorno do investimento estrangeiro direto isento de IOF

O decreto anterior havia instituído IOF de 0,38% sobre retorno de investimento estrangeiro direto, que agora volta a ser zerado. Também volta a zerar o IOF sobre investimentos em mercado financeiro e de capitais.

Contexto político e reação do Congresso

A MP publicada pelo governo Lula entra em um contexto delicado, marcado por cobranças do Parlamento por medidas fiscais mais estruturais, além de insatisfação com a forma e o timing das alterações tributárias.

O governo tenta equilibrar a necessidade de arrecadação com o impacto social e econômico das medidas, evitando agravamento da crise fiscal sem desestimular investimentos e consumo.

Impactos esperados

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Imagem: Rafastockbr / shutterstock.com

Para empresas e investidores

O aumento da tributação sobre apostas esportivas e fintechs representa um esforço para aumentar a arrecadação de setores que cresceram rapidamente e possuem maior potencial contributivo.

A unificação da alíquota do IR sobre aplicações pode simplificar o sistema, mas também pode desestimular investimentos de longo prazo e diversificação financeira.

Para o mercado financeiro

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A redução do IOF para operações de risco sacado e para crédito a pessoas jurídicas visa aliviar o custo do crédito para empresas, fomentando a circulação de capital e o funcionamento das cadeias produtivas.

Para o consumidor final

Mudanças podem se refletir indiretamente, com custos maiores para operações financeiras e menor oferta de produtos de investimento isentos ou com alíquotas menores.

FAQ — Perguntas frequentes

1. O que é a Medida Provisória publicada pelo governo?

É um ato com força de lei que institui mudanças fiscais e tributárias para compensar o recuo do aumento do IOF, aumentando outros impostos para equilibrar as contas públicas.

2. Quais setores são mais afetados?

Apostas esportivas, fintechs, instituições financeiras, investidores em títulos de renda fixa e ativos virtuais são os principais afetados.

3. A MP já está valendo?

Sim, mas ela precisa ser aprovada pelo Congresso para continuar valendo em definitivo.

Considerações finais

A Medida Provisória publicada pelo governo Lula representa uma tentativa de equilibrar a arrecadação diante do recuo no aumento do IOF, com uma série de ajustes tributários em diversos setores econômicos. Embora busque justiça fiscal e equilíbrio das contas públicas, as medidas enfrentam resistência política e podem impactar a dinâmica dos investimentos e do mercado financeiro brasileiro nos próximos anos.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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