O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autorizou a compra direta de alimentos afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos. A medida busca dar destino adequado aos produtos brasileiros que perderam competitividade internacional por conta da sobretaxa imposta pelo país norte-americano. A ação, publicada por meio de portaria interministerial, permitirá que esses gêneros alimentícios reforcem a merenda escolar, sejam encaminhados a hospitais e até mesmo às Forças Armadas. A iniciativa integra o plano de contingência estabelecido pela Medida Provisória nº 1.309/2025, que flexibiliza regras de compras governamentais diante da emergência econômica causada pelo impacto tarifário.
Alimentados afetados por taxação de Trump podem ir para merenda escolar
Governo Lula autoriza compra direta de alimentos afetados pelo tarifaço dos EUA. Produtos poderão reforçar merenda escolar, hospitais e Forças Armadas.
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Quais alimentos estão incluídos na compra direta

Lista de produtos autorizados
Segundo a portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União, poderão ser adquiridos pela União, Estados e municípios:
- Açaí (fruta, purês e preparações)
- Água de coco
- Castanha de caju (com ou sem casca, sucos e extratos vegetais)
- Castanha do Brasil (conhecida como castanha-do-pará, fresca ou seca, sem casca)
- Manga (fresca ou seca)
- Mel
- Pescados (como corvina, pargo, tilápia e outros)
- Uva fresca
Destinação dos alimentos
Esses produtos terão prioridade em três áreas estratégicas:
- Merenda escolar: reforço da alimentação em escolas públicas estaduais e municipais.
- Hospitais: apoio nutricional em unidades de saúde públicas.
- Forças Armadas: fornecimento para quartéis e estruturas militares.
Como funcionará o sistema de compra especial
Flexibilização inédita
O modelo de aquisição direta rompe com as tradicionais exigências burocráticas. A medida provisória autoriza:
- Dispensa de licitação.
- Apresentação simplificada do termo de referência.
- Eliminação de estudos técnicos preliminares.
Excepcionalidade e caráter emergencial
O governo destaca que os procedimentos têm caráter emergencial, aplicáveis apenas a produtores e empresas exportadoras diretamente impactadas pela sobretaxa dos EUA.
Impacto do tarifaço dos Estados Unidos
Contexto internacional
O tarifaço americano impôs tarifas adicionais a determinados produtos brasileiros, dificultando sua entrada no mercado dos EUA. Essa medida reduziu a competitividade dos exportadores nacionais, afetando diretamente setores agrícolas e agroindustriais.
Efeitos no Brasil
- Perda de contratos internacionais.
- Estoque excedente de produtos antes destinados ao mercado externo.
- Pressão sobre pequenos e médios produtores.
Benefícios esperados da medida

Apoio a produtores e exportadores
Com a autorização da compra direta, exportadores terão a possibilidade de escoar sua produção internamente, evitando perdas econômicas ainda maiores.
Reforço de políticas sociais
A medida também dialoga com a política social do governo, ao direcionar os alimentos para áreas sensíveis como escolas e hospitais.
Garantia de segurança alimentar
A aquisição desses gêneros garante que alimentos nutritivos, como mel, pescados e castanhas, cheguem a quem mais precisa, fortalecendo a política de segurança alimentar.
Regras de habilitação para exportadores
Documentos exigidos
Para participar do sistema de compra, os exportadores deverão apresentar:
- Declaração de perda na exportação do produto.
- Declaração única de exportação para os Estados Unidos referente ao produto alvo, datada a partir de janeiro de 2023.
Critérios de participação
Somente produtores e pessoas jurídicas que comprovarem impacto direto do tarifaço poderão vender por meio do programa emergencial.
O papel dos ministérios envolvidos
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Responsável por coordenar a implementação da medida e articular a destinação dos produtos para Estados e municípios interessados.
Ministério da Agricultura
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Encarregado de acompanhar a logística, a qualidade e a segurança dos alimentos adquiridos.
Anúncio oficial
O detalhamento sobre a operacionalização do sistema deve ser anunciado em coletiva de imprensa, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, nesta segunda-feira (25).
Possíveis desafios da medida
Questões logísticas
A distribuição dos alimentos exige uma rede de transporte eficiente para atender escolas, hospitais e quartéis em diferentes regiões do país.
Transparência e controle
Embora a dispensa de licitação agilize o processo, especialistas alertam para a necessidade de mecanismos rígidos de fiscalização para evitar fraudes ou desvios.
Limite temporal
Por se tratar de uma medida emergencial, há incerteza quanto à duração da autorização especial e ao futuro dos setores exportadores prejudicados pelo tarifaço.
Perspectivas futuras

Apoio continuado ao setor exportador
O governo avalia novas medidas de apoio para produtores afetados por barreiras comerciais internacionais, incluindo possíveis linhas de crédito específicas.
Expansão para outros setores
Caso o modelo se mostre eficaz, poderá servir de referência para futuras políticas de contingência em situações de crise econômica.
Conclusão
A decisão do governo Lula de autorizar a compra direta de alimentos afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos representa uma tentativa de equilibrar os impactos de barreiras internacionais com as demandas sociais internas. Ao mesmo tempo em que ajuda exportadores prejudicados, reforça políticas públicas essenciais, como a merenda escolar e a segurança alimentar em hospitais.
O sucesso da medida dependerá da capacidade do Estado em garantir eficiência logística, transparência nas compras e continuidade de apoio ao setor produtivo. Ainda assim, a iniciativa é vista como um passo importante diante da crise gerada pelo tarifaço.
