O Governo Federal prepara um pacote de medidas para amenizar os impactos econômicos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Pacote do governo contra o tarifaço pode aliviar a pressão inflacionária, dizem economistas
Medidas do governo Lula contra tarifaço imposto por Trump podem aliviar a pressão inflacionária no Brasil, segundo economistas.
A iniciativa, segundo economistas, pode ter um efeito indireto de contenção da inflação, sobretudo no curto prazo, caso não haja escalada nas tensões comerciais entre os dois países.
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Contexto da medida

O anúncio das tarifas partiu do governo de Donald Trump, que decidiu sobretaxar uma série de produtos brasileiros, afetando diretamente setores estratégicos, como o agronegócio e a indústria de transformação. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que sua equipe econômica elaborasse um conjunto de ações para proteger a economia nacional e manter a competitividade das empresas brasileiras.
Entre as medidas previstas, está a oferta de crédito subsidiado pelo Tesouro Nacional, condicionada à manutenção dos postos de trabalho nas empresas beneficiadas. A expectativa é que o pacote seja divulgado oficialmente ainda nesta semana.
Efeito esperado na inflação
Para o economista Samuel Pessôa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o pacote tem potencial para aliviar a pressão inflacionária. Isso porque, com a redução das exportações para os EUA devido ao aumento das tarifas, parte da produção nacional que antes era destinada ao mercado americano passará a ser ofertada internamente, aumentando a oferta de determinados produtos e, consequentemente, reduzindo seus preços no mercado doméstico.
“Vejo, talvez, para café e carnes algum impacto positivo de médio prazo. Claro, tudo isso é transitório; a longo prazo, a estrutura de oferta se ajusta e não sobra impacto”, explicou Pessôa.
Curto prazo e médio prazo
No curto prazo, a maior disponibilidade de produtos como carne bovina, suína e café no mercado interno tende a conter reajustes de preços, contribuindo para manter a inflação dentro da meta definida pelo Banco Central.
No médio prazo, caso as tarifas se mantenham e o mercado interno absorva essa produção extra, os efeitos positivos podem se prolongar, embora devam perder força à medida que a cadeia produtiva se ajusta à nova realidade.
Risco de retaliação e impacto político
O economista pondera, porém, que o cenário favorável à contenção da inflação depende de um ponto crucial: o governo brasileiro não retaliar as medidas norte-americanas com a imposição de tarifas sobre produtos importados dos EUA.
“Daqui a um ano e três meses, teremos uma eleição. Nesse horizonte de tempo, se o governo brasileiro não retaliar e não impuser tarifas sobre as exportações dos EUA, o efeito líquido desse imbróglio todo será uma redução da inflação”, afirmou Pessôa.
Caso opte por retaliar, o Brasil pode enfrentar uma guerra comercial, o que traria riscos adicionais à economia, como aumento de custos para a indústria e repasse de preços ao consumidor final.
Medidas previstas no pacote
Embora o pacote ainda não tenha sido anunciado oficialmente, fontes do Ministério da Fazenda indicam que ele deve incluir:
- Crédito subsidiado para empresas afetadas, com exigência de manutenção de empregos.
- Ampliação de linhas de financiamento para exportadores que busquem diversificar mercados.
- Incentivos fiscais temporários para determinados setores estratégicos.
- Apoio logístico e diplomático para abertura de novos mercados internacionais.
Manutenção de empregos como contrapartida
A exigência de preservação dos postos de trabalho é vista como uma estratégia dupla: proteger o mercado interno de uma possível onda de demissões e manter o consumo interno em patamares estáveis, evitando retração econômica.
Impactos setoriais

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O agronegócio é um dos setores mais afetados pelas tarifas impostas por Trump. Produtos como carne, café e soja enfrentam aumento de custos para exportar aos EUA, o que reduz sua competitividade.
Carne e café: os mais beneficiados no curto prazo
De acordo com Pessôa, o mercado de carnes pode ser o mais beneficiado pela medida, já que a maior oferta interna tende a conter os preços, impactando diretamente o índice de inflação. O mesmo vale para o café, que, ao perder espaço no mercado norte-americano, pode ter preços mais estáveis no Brasil.
Indústria de transformação
Para a indústria de transformação, o impacto é misto. De um lado, a redução das exportações para os EUA representa perda de receita; de outro, o crédito subsidiado e a possibilidade de buscar novos mercados podem amenizar as perdas no médio prazo.
Repercussão no mercado financeiro
Analistas do mercado financeiro avaliam que o pacote pode trazer um alívio momentâneo para os índices de inflação e ajudar o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares mais baixos, favorecendo o crédito e o consumo. Contudo, alertam que medidas paliativas não substituem uma estratégia de longo prazo para diversificação da pauta exportadora brasileira.
Desafios para o governo
Apesar do otimismo moderado de alguns economistas, o governo enfrenta desafios importantes:
- Evitar a escalada do conflito comercial com os EUA.
- Garantir a eficácia das medidas de estímulo econômico sem ampliar o déficit fiscal.
- Gerir expectativas do setor produtivo e da população em ano pré-eleitoral.
Imagem: RHJPhtotos/shutterstock.com

