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Governo indica corte nas taxas aplicadas ao VA e VR para beneficiar trabalhadores e empresas

Governo estuda cortar taxas do vale-alimentação e refeição para reduzir custos de intermediação e beneficiar trabalhadores e empresas em 2025.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
VR

O governo federal sinalizou nesta semana a intenção de implementar cortes nas taxas de intermediação aplicadas ao vale-alimentação (VA) e ao vale-refeição (VR), dois dos principais benefícios concedidos aos trabalhadores brasileiros.

A iniciativa, em análise pela equipe econômica e pelo Ministério do Trabalho, visa diminuir os custos operacionais do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), impactando positivamente tanto empresas quanto empregados.

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Mudanças no PAT buscam maior eficiência e redução de custos

vale-alimentação
Imagem: Robert Kneschke/shutterstock.com

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que as diretrizes para essa reformulação já estão definidas e foram encaminhadas à Casa Civil para análise final. Durante entrevista coletiva concedida na quarta-feira, 30 de abril de 2025, Haddad explicou que as alterações se concentrarão na cadeia de intermediação dos benefícios.

“As diretrizes já estão previstas pela Fazenda e pelo Trabalho. A coisa deve caminhar. […] Nesse momento são dois temas. Não vou adiantar porque será anunciado pelo ministro Marinho, mas são relativos aos custos de intermediação”, afirmou.

O PAT, criado nos anos 1970, permite que empresas deduzam do Imposto de Renda os valores gastos com a alimentação de seus funcionários, desde que cumpram certos requisitos. Isso inclui ofertar o benefício a todos os empregados, o que, em contrapartida, evita que o valor seja incorporado ao salário e gere encargos trabalhistas adicionais.

Vale-alimentação e vale-refeição: mais do que benefícios

Na prática, o VA e o VR representam uma importante fonte de renda complementar para milhões de trabalhadores, especialmente em tempos de alta nos preços dos alimentos. Por isso, qualquer mudança em sua estrutura de custos pode provocar impactos relevantes no bolso da população e no caixa das empresas.

Atualmente, empresas intermediadoras — como operadoras de cartões de benefícios — aplicam taxas sobre as transações realizadas com VA e VR, o que encarece o processo para estabelecimentos comerciais e reduz o valor efetivo do benefício. Segundo fontes do governo, o objetivo da medida seria justamente atacar essas taxas, barateando o custo operacional e ampliando o poder de compra dos trabalhadores.

Governo vê impacto na inflação dos alimentos

Além do alívio para trabalhadores e empregadores, o governo também vê na reestruturação do PAT uma oportunidade de enfrentar um desafio crônico: a inflação dos alimentos. Em declarações anteriores, Haddad já havia afirmado que melhorar a regulação do setor poderia abrir espaço para uma redução no preço dos alimentos adquiridos com VA e VR.

Em janeiro deste ano, o ministro declarou que ao “regular melhor a portabilidade” dos benefícios, haveria “espaço para uma queda do preço da alimentação, tanto do vale-alimentação quanto do vale-refeição”.

Setor questiona eficácia da portabilidade

Apesar do otimismo do governo, entidades representativas do setor de benefícios ao trabalhador manifestaram dúvidas sobre a efetividade da medida. Um dos principais pontos de crítica diz respeito à portabilidade dos benefícios, que o governo pretende incentivar.

Diferentemente da portabilidade bancária — onde o consumidor pode trocar de banco buscando melhores tarifas —, no caso do VA e do VR, a troca de operadora não garante, segundo as entidades, uma redução nos preços dos alimentos.

“Não é o trabalhador que escolhe diretamente onde usar seu vale, como acontece com a conta bancária. O mercado é mais restrito e tem características próprias”, comentou um representante do setor, em condição de anonimato.

As entidades também alertam que a queda nas taxas de intermediação precisa ser acompanhada de mecanismos que garantam a qualidade do serviço prestado e a ampliação da rede de aceitação, evitando assim prejuízos à usabilidade dos benefícios.

Interesse social e apelo político

Prato em cima da mesa com arroz, feijão, salada, batata frita e bife
Imagem: Gustavo Mellossa / Shutterstock

A decisão de revisar o PAT tem um pano de fundo político importante. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou 2025 com a intenção clara de conter a inflação e melhorar sua imagem perante a população. A alimentação, por seu caráter essencial, é um dos temas mais sensíveis no debate público e uma preocupação constante nas camadas mais vulneráveis da sociedade.

Segundo fontes do Planalto, o próprio presidente Lula teria demonstrado interesse direto no tema, como parte de uma estratégia para reforçar o compromisso do governo com a pauta social.

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Popularidade em jogo

Para um governo que se propõe a combater desigualdades e valorizar o trabalhador, medidas que aumentem o poder de compra, ainda que indiretamente, são fundamentais. Nesse contexto, revisar as taxas dos benefícios alimentares se torna mais do que uma ação econômica: é uma ação estratégica, com impacto direto na popularidade do governo e na percepção pública de sua atuação.

Próximos passos

Com as diretrizes já sob análise da Casa Civil, a expectativa é de que o anúncio oficial das mudanças ocorra ainda no primeiro semestre de 2025. A condução do processo está sob responsabilidade do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que deve apresentar os detalhes das medidas em breve.

Caso aprovada, a proposta pode entrar em vigor já nos próximos meses, a depender da regulamentação e da capacidade de adaptação dos agentes do setor de benefícios.

Conclusão

O corte nas taxas de intermediação do vale-alimentação e do vale-refeição é uma aposta do governo para enfrentar dois desafios simultâneos: aliviar os custos para trabalhadores e empresas e combater a inflação dos alimentos.

Ainda que entidades do setor manifestem dúvidas sobre a eficácia da medida, o debate avança como parte de uma estratégia mais ampla de valorização do trabalho e fortalecimento do poder de compra da população. Com o tema nas mãos da Casa Civil, resta saber se a promessa de um PAT mais justo e eficiente sairá do papel ainda em 2025.

Imagem: Viktoriia Hnatiuk / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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