O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) a suspensão em bloco de decisões liminares que vêm impedindo a aplicação integral das novas regras da Política de Alimentação do Trabalhador (PAT). As mudanças, previstas em decreto publicado em outubro do ano passado, começaram a valer nesta semana e afetam diretamente o mercado de vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR).
Empresas obtêm liminares contra mudança no vale-refeição
AGU pede ao TRF-3 suspensão de liminares que travam novas regras do vale-refeição no PAT e impactam empresas e lojistas.
A Advocacia-Geral da União (AGU) argumenta que as decisões judiciais produzem impactos sistêmicos e prejudicam a implementação de uma política pública que envolve renúncia fiscal estimada em aproximadamente R$ 30 bilhões por ano.
Leia mais:
Novo calendário do PIS/Pasep prevê até R$ 1.621
O que está em jogo no impasse judicial
O pedido da AGU não discute o mérito das ações movidas pelas empresas do setor, mas busca suspender os efeitos das liminares concedidas em favor de companhias como Ticket, VR, Pluxee, Vegas Card e UP Brasil. A Alelo também obteve decisão parcial favorável, mas seu processo não integra o pedido apresentado ao TRF-3.
O presidente do tribunal pode ouvir os autores das ações e o Ministério Público antes de decidir. Paralelamente, o governo avalia a possibilidade de ingressar com uma Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) no Supremo Tribunal Federal (STF) para reforçar sua competência regulamentar sobre o PAT.
Segundo a AGU, as decisões judiciais impedem a execução de medidas destinadas a aumentar a concorrência e reduzir a concentração econômica no setor de benefícios alimentares.
O que muda no vale-refeição com o novo decreto do PAT
O decreto regulamentador trouxe uma série de alterações estruturais no funcionamento do mercado de vales. O objetivo declarado pelo governo é beneficiar tanto os trabalhadores quanto os estabelecimentos comerciais.
Entre os principais pontos estão:
- Limitação das taxas cobradas dos comerciantes
- Redução do prazo de liquidação financeira
- Interoperabilidade plena entre cartões
- Obrigatoriedade de arranjo aberto para grandes operadoras
- Proibição de cláusulas de exclusividade
Algumas dessas regras já começaram a valer, enquanto outras possuem prazos mais longos de implementação.
Limitação das taxas cobradas dos lojistas
Um dos pontos mais sensíveis envolve a fixação de teto para as taxas.
Teto para taxa de desconto
O decreto estabelece limite de 3,6% para a taxa de desconto cobrada dos estabelecimentos. Atualmente, segundo dados apresentados pela AGU no processo, as taxas médias praticadas variam entre 6% e 9%. Em comparação, a taxa média do cartão de crédito gira em torno de 2,34%.
Na prática, um restaurante que recebe R$ 40 mil mensais em vouchers e paga 8% de taxa desembolsa R$ 3.200. Com o teto de 3,6%, o custo cairia para R$ 1.440.
Limite para tarifa de intercâmbio
Também foi fixado teto de 2% para a tarifa de intercâmbio entre emissora e credenciadora do cartão.
O governo argumenta que a redução das taxas pode estimular mais estabelecimentos a aceitarem VA e VR.
Redução do prazo de pagamento
Outro ponto relevante é a redução do prazo de liquidação financeira, que passa de 30 para 15 dias corridos.
Para pequenos comerciantes, especialmente no setor de alimentação, o prazo menor reduz a necessidade de capital de giro e melhora o fluxo de caixa.
Segundo estimativas apresentadas pela equipe econômica, a combinação de redução de taxas e encurtamento do prazo pode gerar economia anual de cerca de R$ 8 bilhões no sistema.
Interoperabilidade entre cartões
O decreto também determina interoperabilidade plena entre cartões VA e VR.
O que isso significa na prática
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Todos os cartões deverão ser aceitos em qualquer maquininha habilitada no PAT, desde que o estabelecimento esteja credenciado.
Hoje, muitos comerciantes precisam contratar maquininhas específicas de determinadas operadoras, o que aumenta custos e dificulta a expansão da rede.
A Fazenda projeta que a rede credenciada pode crescer de 743 mil para cerca de 1,82 milhão de estabelecimentos com as mudanças.
Arranjo aberto e fim da exclusividade
Empresas que atendam mais de 500 mil trabalhadores deverão adotar modelo de arranjo aberto.
O que é arranjo aberto
Nesse modelo, diferentes instituições financeiras e credenciadoras podem operar na mesma rede, ampliando a concorrência.
O decreto também proíbe cláusulas de exclusividade entre operadoras de vale e estabelecimentos comerciais, prática que, segundo o governo, reforçava a concentração de mercado.
Por que as empresas recorreram à Justiça
As chamadas “tiqueteiras” alegam que o governo excedeu seu poder regulamentar ao impor obrigações que, segundo elas, não estariam previstas na lei que instituiu o PAT.
As liminares concedidas permitem que parte das exigências não seja aplicada enquanto o mérito das ações não for julgado.
Para a AGU, porém, a lei que criou o programa estabeleceu comandos abertos, delegando ao Executivo a tarefa de regulamentar os detalhes operacionais.
Imagem: Canva
Com informações de: InfoMoney
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:

