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Governo vai injetar R$ 180 bi em 2026 com novas medidas fiscais e de crédito

O governo federal planeja injetar R$ 180 bilhões na economia em 2026 com novas medidas fiscais e de crédito. Saiba mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Décimo Governo

O governo federal anunciou um pacote de medidas fiscais e de crédito que deve injetar cerca de R$ 179,7 bilhões na economia brasileira em 2026, segundo análise do Itaú Unibanco divulgada em 25 de novembro de 2025. O impacto estimado corresponde a 0,67 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano.

De acordo com os economistas do banco, as políticas anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem atuar como estímulo ao consumo, mesmo com a manutenção de uma taxa de juros contracionista pelo Banco Central.

Medidas de maior impacto no PIB

Leia mais: Itaú Unibanco lucra R$ 11,9 bilhões no 3º trimestre de 2025, alta de 11,3%

Isenção do IRPF para quem ganha até R$ 5.000

A medida mais significativa do pacote é a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem recebe até R$ 5.000 mensais. O Itaú projeta que essa iniciativa deve liberar R$ 35 bilhões para consumo direto, resultando em um aumento estimado de 0,3 ponto percentual no PIB de 2026.

Segundo Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, os recursos liberados tendem a estimular o consumo das famílias, impulsionando setores como varejo e serviços.

Expansão do crédito consignado

Outra medida de destaque é a ampliação do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada. A expectativa é que a iniciativa gere até R$ 80 bilhões adicionais de crédito, contribuindo com 0,2 ponto percentual para o crescimento do PIB.

Essa política busca não apenas aumentar o consumo, mas também oferecer acesso a crédito com juros mais baixos, reduzindo o endividamento a curto prazo das famílias.

Outras medidas fiscais e sociais

Aumento do Bolsa Família

O Itaú ainda considera que a possível elevação do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 650 pode impactar o PIB em 0,10 ponto percentual, liberando cerca de R$ 11,4 bilhões na economia. Caso o governo opte por elevar o benefício médio para R$ 700, a injeção de recursos seria ainda mais significativa.

Mesquita avalia que, somadas, essas políticas têm potencial de gerar um crescimento do PIB de 1,7% em 2026, podendo alcançar 2% se os riscos se materializarem, mantendo um desempenho semelhante ao previsto para 2025.

Impulso fiscal nos estados

O banco também projeta que os estados devem acelerar obras públicas, motivados pelo calendário eleitoral, o que poderá gerar efeito multiplicador na economia local e nacional. O impulso fiscal regional é visto como um complemento importante às medidas federais.

Inflação e taxa de juros

Expectativa de inflação

O Itaú estima que a inflação de 2026 deve ficar em 4,2%, dentro do intervalo de tolerância, porém acima do centro da meta, definido em 3%. Para Mesquita, o Banco Central terá papel central na condução da política monetária, buscando estabilizar os preços.

Perspectiva da Selic

O economista-chefe destaca que o Banco Central poderá iniciar a flexibilização da taxa básica de juros (Selic) a partir de janeiro de 2026, dependendo da comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro. Caso a primeira reunião não resulte em corte, a redução poderá ocorrer na reunião seguinte, prevista para março.

A manutenção de juros elevados, mesmo com estímulo fiscal, reflete a estratégia do Banco Central de controlar pressões inflacionárias sem desestimular o crescimento econômico.

Contas públicas e dívida

Ajuste fiscal gradual

Pedro Schneider, economista do Itaú, afirmou que o ajuste fiscal será gradual. O banco projeta déficits primários de 0,6% do PIB em 2025 e 0,8% em 2026. A dívida bruta deve subir de 79,4% do PIB em 2025 para 85% em 2026.

Exceções ao teto de gastos

Schneider alerta para os “furos” nas regras fiscais. Entre 2023 e 2026, o governo teria gasto R$ 399 bilhões acima dos limites legais. O economista ressalta que o aumento de exceções pode comprometer a credibilidade da política fiscal e impactar a trajetória da dívida pública.

Desafio da credibilidade

Mesquita afirma que o Brasil precisaria de superávits primários de aproximadamente 3% do PIB ao ano para estabilizar a dívida e recuperar o grau de investimento. Segundo ele, a trajetória atual exige atenção redobrada sobre a execução orçamentária e controle de exceções.

Impacto setorial e social das medidas

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Setor de consumo

Com a isenção do IRPF e a expansão do crédito consignado, espera-se aumento no consumo de bens duráveis e serviços, beneficiando comércio, transporte e serviços financeiros.

Programas sociais

O aumento do Bolsa Família terá efeito direto sobre famílias de baixa renda, ampliando o poder de compra e promovendo maior inclusão social.

Obras públicas

Investimentos nos estados tendem a gerar empregos temporários e melhorar infraestrutura, com efeito multiplicador sobre a economia regional.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Qual será o impacto da medida de isenção do IRPF?
O aumento da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000 mensais deve liberar R$ 35 bilhões para consumo, impactando o PIB em 0,3 ponto percentual.

2. Quem poderá acessar o crédito consignado ampliado?
Trabalhadores da iniciativa privada terão acesso ao crédito consignado, podendo gerar até R$ 80 bilhões em novos empréstimos.

3. Como o Bolsa Família será afetado em 2026?
O benefício pode subir de R$ 600 para R$ 650 ou R$ 700, liberando até R$ 11,4 bilhões e impulsionando a economia de baixa renda.

4. Qual a previsão de crescimento do PIB?
O Itaú projeta crescimento entre 1,7% e 2% em 2026, considerando todas as medidas fiscais e sociais.

Considerações finais

O pacote de medidas fiscais e de crédito anunciado pelo governo em 2026 deve injetar aproximadamente R$ 180 bilhões na economia, estimulando consumo, crédito e investimentos públicos. Apesar do efeito positivo sobre o PIB, especialistas alertam para desafios na gestão fiscal e necessidade de manter a credibilidade das contas públicas.

O equilíbrio entre estímulo econômico e controle inflacionário será determinante para o desempenho do país, com impactos diretos sobre emprego, renda e poder de compra das famílias.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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