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Governo decide não voltar com o horário de verão; entenda a decisão

Governo anunciou que o horário de verão não será retomado em 2024, apesar das recomendações do ONS. Saiba!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Horário de Verão ons

O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (16) que o horário de verão não será adotado em 2024, apesar das recomendações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O ONS havia sugerido a volta da medida devido à seca que afeta o país, argumentando que a mudança no relógio poderia ajudar a reduzir a demanda de energia nos horários de pico.

No entanto, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou a necessidade de implementar o horário de verão neste ano.

Por Que o Governo Optou por Não Adotar o Horário de Verão?

Horário de Verão
Imagem: Steklo/ Shutterstock.com

A decisão foi baseada em uma avaliação detalhada da situação dos reservatórios de água e da matriz elétrica do Brasil. De acordo com Silveira, mesmo com a seca, as ações adotadas ao longo do ano garantiram que os reservatórios atingissem níveis satisfatórios, afastando o risco imediato de escassez de energia.

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O ministro destacou que a possibilidade de reconsiderar o horário de verão em anos futuros permanece, caso as circunstâncias se alterem. Ele afirmou que, para o período atual, não há necessidade de implementar a medida, pois as condições garantem a operação segura do sistema elétrico sem ajustes no horário.

O Que Dizem os Especialistas sobre a Decisão?

A recomendação do ONS de retomar o horário de verão baseava-se na possibilidade de melhorar a eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente entre 18h e 20h, quando a demanda de energia aumenta devido à menor geração de energia solar. Um relatório do ONS estimou que a adoção da medida poderia resultar em uma redução de até 2,9% da demanda máxima, economizando cerca de R$ 400 milhões em custos operacionais entre outubro e fevereiro.

No entanto, alguns especialistas argumentam que os benefícios econômicos e ambientais do horário de verão têm diminuído ao longo dos anos. Luiz Carlos Ciocchi, consultor e ex-diretor-geral do ONS, sugeriu que as economias geradas pela medida não seriam suficientemente significativas para justificar a mudança. Ele acredita que o foco deveria ser em uma revisão estrutural da matriz elétrica do Brasil.

Por outro lado, Luiz Eduardo Barata, ex-diretor-geral do ONS, defende que o horário de verão ajudaria a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, já que diminuiria a necessidade de ativar usinas termelétricas. Para ele, a medida representa uma ferramenta de eficiência energética que o país poderia aproveitar.

Setores Impactados pelo Horário de Verão

A adoção do horário de verão sempre gerou opiniões divididas em diferentes setores da economia. Alguns segmentos, como comércio, turismo e lazer, tendem a apoiar a medida, pois a luz natural adicional no fim do dia pode estimular o consumo em bares, restaurantes e eventos ao ar livre.

Por outro lado, setores como transporte aéreo e indústria frequentemente enfrentam desafios para se ajustar às mudanças no relógio. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) expressou preocupação em relação aos impactos da alteração nos horários de voos, já que as passagens são vendidas com meses de antecedência. De acordo com a Abear, é necessário um prazo mínimo de seis meses para ajustar os horários de voo, garantindo que não haja transtornos para os passageiros.

O Horário de Verão e a População Brasileira

A decisão do governo reflete também a divisão entre os próprios brasileiros em relação ao horário de verão. De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, 47% da população é favorável ao horário de verão, enquanto 47% se opõem, e 6% se dizem indiferentes. Este nível de polarização nunca foi tão evidente desde o início da série histórica em 2017.

Um dos principais argumentos contra a medida é a mudança no padrão de consumo de energia. Com a crescente popularização de aparelhos de ar-condicionado e outros eletrodomésticos, os picos de consumo passaram a ocorrer em diferentes momentos do dia, reduzindo a eficiência do horário de verão como uma estratégia para economizar energia.

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História do Horário de Verão no Brasil

O horário de verão foi implementado pela primeira vez no Brasil em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas, como uma forma de economizar energia elétrica. Desde então, foi adotado de maneira intermitente até 1967. A partir de 1985, o horário de verão passou a ser adotado de forma mais regular, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, onde a variação na duração dos dias é mais significativa.

Em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro aboliu o horário de verão, justificando a decisão com base em estudos que mostravam uma redução na eficácia da medida para gerar economia de energia. Os estudos indicavam que as mudanças nos padrões de consumo, associadas ao aumento do uso de ar-condicionado e a distribuição irregular de cargas ao longo do dia, haviam diminuído os benefícios anteriormente observados.

A Volta do Horário de Verão Ainda é Possível?

Horário de verão Lula
Imagem: New Africa / Shutterstock.com

Embora o governo tenha decidido não adotar o horário de verão em 2024, a possibilidade de sua reintrodução em anos futuros não está descartada. A decisão de não implementá-lo neste ano foi motivada pelas circunstâncias atuais, mas uma eventual piora nos níveis dos reservatórios ou a necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa poderia colocar o horário de verão de volta à pauta.

A discussão sobre a viabilidade da medida envolve não apenas aspectos técnicos, mas também o impacto social e econômico. À medida que a matriz energética do Brasil se torna cada vez mais diversificada, com o aumento da participação de fontes renováveis como a solar e a eólica, a necessidade de adotar o horário de verão como uma estratégia para economizar energia pode diminuir.

Considerações finais

A decisão do governo de não retomar o horário de verão em 2024 é uma resposta a um contexto de relativa tranquilidade no setor elétrico, apesar da seca que atinge o país. Mesmo com o posicionamento favorável do ONS, as ações implementadas ao longo do ano foram suficientes para garantir a estabilidade dos reservatórios, dispensando a necessidade de alterar os relógios.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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