Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Governo avalia alta de impostos para 2026 e enfrenta resistência do setor produtivo

O governo propõe aumento de impostos em 2026 para equilibrar contas públicas. Setor produtivo critica medida e aponta riscos.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Impostos governo

O governo federal apresentou a MP 1.303, que prevê aumento de impostos sobre diversos setores da economia, como forma de equilibrar as contas públicas em 2026, ano eleitoral, e tentar evitar restrições mais severas aos gastos. A proposta, no entanto, encontra forte resistência de entidades do setor produtivo e do mercado financeiro.

Estratégia do governo para 2026

VR dia livre de impostos gasolina governo
Imagem: Billion Photos/Shutterstock.com

A MP 1.303 foi publicada em junho e tem validade até outubro, quando precisa ser votada pelo Congresso Nacional. Entre as medidas previstas, estão aumentos de tributação sobre empresas, fintechs, apostas online, criptoativos, cooperativas e títulos incentivados, como LCI e LCA.

Leia mais: Inflação abaixo de 5% cria oportunidades para investidores de renda fixa; confira

O governo estima que a aplicação da MP poderá gerar um incremento de arrecadação de R$ 21 bilhões em 2026.

Meta fiscal de 2026

A equipe econômica manteve a meta de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 31 bilhões, valor considerado desafiador pelo mercado. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, aponta que será necessário um esforço de R$ 80 bilhões para atingir o piso da meta fiscal, considerando déficit zero.

Caso a MP seja rejeitada total ou parcialmente, o governo precisará ajustar o orçamento para compensar a perda de arrecadação e manter o equilíbrio fiscal.

Ações anteriores para equilibrar o orçamento

O governo já recorreu a medidas semelhantes nos últimos anos, como:

  • Tributação de fundos exclusivos e offshores;
  • Alterações na tributação de incentivos concedidos por estados;
  • Aumento de impostos sobre combustíveis;
  • Limitação no pagamento de precatórios;
  • Retomada de votos de confiança no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Além disso, o governo aguarda a aprovação da PEC 66, que trata de precatórios e abre uma folga de R$ 12,4 bilhões no orçamento, permitindo incorporar despesas como o salário maternidade.

Principais medidas da MP 1.303

Setor/InstrumentoMudança propostaArrecadação estimada 2026
Bets (apostas online)Alíquota de 12% para 18%R$ 1,7 bilhão
Juros sobre capital próprio (JCP)15% para 20%R$ 5 bilhões
Títulos incentivados (LCI, LCA)0% para 5%R$ 2,6 bilhões
IR em aplicações financeirasUnificação para 17,5%Sem impacto fiscal
CriptoativosAlíquota de 17,5%Não divulgado
Fintechs9% para 15-20%R$ 1,6 bilhão
Cooperativas9% para 15%Incluso acima
Limitação de compensações tributáriasControle de créditos abusivosR$ 10 bilhões

Resposta do setor produtivo

O aumento de impostos gerou críticas de diversas entidades:

Confederação Nacional da Indústria (CNI)

A CNI destacou que a elevação do IR sobre juros sobre capital próprio e a tributação sobre títulos incentivados prejudicam investimentos. Ressaltou ainda que a carga tributária do Brasil, de 32,3% do PIB, é muito acima da média da América Latina, de 21,4%.

Federação Brasileira de Bancos (Febraban)

A entidade defende debate aprofundado no Congresso durante a tramitação da MP 1.303.

Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs)

Segundo a ABFintechs, a tributação elevada compromete a operação de fintechs, que já atuam com margens estreitas e não realizam intermediação financeira. O aumento de impostos pode levar ao fechamento de empresas e à redução da competição com grandes bancos.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

A entidade sugere que medidas de arrecadação venham acompanhadas de reforma do Estado e contenção de gastos.

Outros impactos e perspectivas

Caixa/servidores economia
Imagem: rafapress / shutterstock.com

Além do aumento de impostos, o governo pretende avançar em cortes de gastos, mas a agenda enfrenta dificuldades no Legislativo. Entre as propostas discutidas estão:

  • Contenção de gastos com servidores e reforma administrativa;
  • Alterações na Previdência;
  • Revisão de benefícios sociais, como abono salarial e seguro-desemprego;
  • Desvinculação de benefícios previdenciários e revisão dos pisos de saúde e educação, potencialmente gerando economia de até R$ 1,1 trilhão em 10 anos.

FAQ – Perguntas frequentes

O que é a MP 1.303?
A Medida Provisória 1.303 é uma proposta do governo federal que eleva impostos sobre empresas, fintechs, cooperativas, apostas online, criptoativos e títulos incentivados, visando aumentar a arrecadação em 2026.

Há limites para compensações tributárias na MP?
Sim, a MP busca coibir o uso abusivo de créditos tributários, o que deve gerar aumento de arrecadação de R$ 10 bilhões, mas também causa preocupação sobre segurança jurídica.

Considerações finais

O futuro da MP dependerá da tramitação no Congresso, e seu sucesso ou rejeição terá impactos diretos sobre o planejamento fiscal do país e sobre a percepção do Brasil no mercado internacional. O desafio do governo será, portanto, conciliar arrecadação, crescimento econômico e estabilidade jurídica, em meio a um cenário de incerteza política e econômica.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados