Em uma ação significativa em defesa da privacidade digital, o governo brasileiro, através da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), lançou um processo contra o TikTok, destacando irregularidades no tratamento de dados de crianças e adolescentes. A investigação, que expõe falhas preocupantes na verificação de idade na plataforma, pode resultar em sanções severas, incluindo multas. O objetivo é garantir que os direitos dos menores sejam devidamente protegidos no ambiente digital.
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Medidas exigidas pelo governo

Na última segunda-feira (4), a ANPD ordenou que o TikTok adote uma série de mudanças para sanar as irregularidades identificadas em sua operação no Brasil. A principal exigência é a desativação do recurso “feed sem cadastro” em até dez dias úteis.
Este recurso permite que usuários não registrados acessem conteúdos da plataforma, o que, segundo a ANPD, facilita o acesso de crianças e adolescentes sem a devida verificação de idade.
Impactos da coleta irregular de dados
Os técnicos da ANPD alertaram que a abertura do feed para não usuários contraria a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Adicionalmente, a exclusão dos dados pessoais que foram coletados de forma inadequada pode enfrentar dificuldades, pois esses dados já podem estar integrados a sistemas de personalização da plataforma.
“Portanto, é crucial que a empresa adote medidas corretivas imediatas, não apenas para evitar sanções, mas também para garantir que os dados e os direitos de crianças e adolescentes sejam adequadamente protegidos”, destacou a nota técnica da ANPD.
Verificação de idade e planos de conformidade
Além da desativação do feed, a ANPD exige que o TikTok apresente, em um prazo de 20 dias úteis, um plano de conformidade que demonstre como a plataforma pretende melhorar os mecanismos de verificação de idade e garantir a participação de pais ou responsáveis no processo.
Violações à LGPD
A investigação identificou quatro violações principais à LGPD relacionadas ao TikTok:
- Falta de mecanismos eficazes para garantir o consentimento parental;
- Inexistência de comprovação de medidas de segurança;
- Deficiências no bloqueio de menores durante o cadastro;
- Descumprimento do dever de responsabilidade e prestação de contas na proteção de dados de crianças e adolescentes.
Além dessas questões, o procedimento também irá investigar se a plataforma coleta e utiliza dados de crianças de forma inadequada, o que poderá resultar em sanções adicionais.
Conclusão

O processo iniciado pela ANPD contra o TikTok é uma medida necessária para reforçar a proteção de dados de crianças e adolescentes no Brasil. A iniciativa busca não apenas responsabilizar a plataforma, mas também garantir que mudanças efetivas sejam implementadas para a segurança dos menores no ambiente digital.
A fiscalização, que teve início em 2021, agora se desdobra em ações que podem transformar a forma como a rede social opera no país, ressaltando a importância da proteção de dados em um mundo cada vez mais conectado.
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