O alto nível de endividamento das famílias brasileiras acendeu um alerta no governo federal em 2026. Diante do impacto direto no orçamento doméstico — e também no cenário político — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda medidas para reduzir os juros do cartão de crédito, principalmente no rotativo do cartão.
Lula propõe ajustes no rotativo do cartão de crédito
Governo estuda reduzir juros do cartão de crédito e do consignado. Entenda o impacto nas dívidas das famílias e o que pode mudar em 2026.
O tema vem sendo discutido em reuniões com a equipe econômica e ministros, com foco em encontrar soluções que aliviem o bolso do consumidor sem comprometer o funcionamento do sistema financeiro.
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Endividamento das famílias atinge nível histórico
Dados recentes do Banco Central mostram que as famílias brasileiras estão destinando cerca de 29% da renda mensal para pagamento de dívidas, o maior nível em pelo menos duas décadas.
Esse cenário preocupa porque:
- Reduz o poder de compra
- Aumenta a inadimplência
- Dificulta o crescimento econômico
Na prática, mesmo com aumento de renda e queda do desemprego, muitas famílias continuam sem dinheiro no fim do mês.
Rotativo do cartão de crédito é o principal problema
O crédito rotativo do cartão de crédito é apontado como o maior vilão do endividamento.
Taxas elevadas
- Juros médios de 14,81% ao mês
- Superior à taxa Selic anual (14,75%)
Alta inadimplência
- Cerca de 63,5% de inadimplência nessa modalidade
Isso acontece quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura e deixa o restante para o mês seguinte.
Regra atual não resolveu o problema
Desde 2024, existe uma regra que limita os juros totais do rotativo e do parcelamento.
Como funciona hoje
- A dívida não pode ultrapassar 100% do valor original
Exemplo:
- Dívida de R$ 100 pode chegar no máximo a R$ 200
Apesar disso, especialistas avaliam que a medida não foi suficiente para conter o problema.
O que o governo quer mudar
O governo estuda novas formas de reduzir os juros cobrados no crédito.
Possíveis medidas
- Criação de limites para juros considerados abusivos
- Revisão das regras do rotativo do cartão
- Redução das taxas do consignado privado
A ideia é estabelecer parâmetros mais claros para o mercado.
Consignado privado também entra na discussão
Outro foco das mudanças é o crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
O que pode mudar
- Definição de teto para juros
- Uso do FGTS como garantia
Essa medida pode reduzir o risco para os bancos e, consequentemente, as taxas cobradas.
Uso do FGTS como garantia pode baratear crédito
Uma das propostas em análise é permitir que o saldo do FGTS seja utilizado como garantia em empréstimos.
Vantagens
- Redução do risco de inadimplência
- Juros mais baixos
- Maior acesso ao crédito
Esse modelo já é utilizado em algumas modalidades e pode ser ampliado.
Cheque especial também pode sofrer mudanças
O governo também avalia possíveis alterações no cheque especial.
Atualmente, essa modalidade possui um teto de:
- 8% ao mês, definido pelo Banco Central
Mesmo assim, ainda é considerada uma linha de crédito cara.
Desafios para reduzir os juros
Apesar das intenções, a redução dos juros enfrenta desafios importantes.
Resistência do setor financeiro
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Bancos argumentam que:
- Juros refletem o risco de inadimplência
- Reduções forçadas podem limitar o crédito
- Pode haver cancelamento de cartões
Estudos anteriores indicaram que milhões de cartões poderiam deixar de ser oferecidos caso haja forte intervenção.
Impacto para o consumidor
Se as mudanças forem implementadas, o impacto pode ser significativo.
Benefícios esperados
- Redução do custo das dívidas
- Maior controle financeiro
- Menor risco de inadimplência
Possíveis efeitos colaterais
- Restrição de crédito para alguns perfis
- Critérios mais rigorosos para concessão
O que fazer enquanto as mudanças não chegam
Enquanto as novas regras não são definidas, especialistas recomendam cautela no uso do crédito.
Dicas práticas
- Evitar entrar no rotativo do cartão de crédito
- Priorizar o pagamento total da fatura
- Buscar opções com juros menores
- Negociar dívidas sempre que possível
Programas como o Desenrola ajudaram, mas não resolveram o problema estrutural.
Exemplo prático: impacto do rotativo
Uma dívida de R$ 1.000 no rotativo pode crescer rapidamente.
Com juros de cerca de 14% ao mês:
- Em poucos meses, o valor pode dobrar
Isso mostra o peso dessa modalidade no orçamento.
Considerações finais
O alto custo do crédito no Brasil, especialmente no rotativo do cartão, continua sendo um dos principais desafios econômicos e sociais em 2026.
As propostas do governo indicam uma tentativa de equilibrar o acesso ao crédito com a proteção do consumidor, mas ainda dependem de negociações e ajustes.
Para o cidadão, o momento exige atenção, planejamento financeiro e uso consciente do crédito, enquanto o país discute soluções para um problema que afeta milhões de famílias.
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