O Governo Central encerrou fevereiro com déficit primário de R$ 30,046 bilhões, resultado que reflete o desequilíbrio entre receitas e despesas públicas. Apesar do saldo negativo, o número representa uma melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o rombo foi maior.
Governo tem déficit de R$ 30 bilhões nas contas em fevereiro
Déficit de R$ 30 bilhões em fevereiro pressiona contas públicas, apesar de melhora e arrecadação maior no período.
O resultado envolve as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, sendo um dos principais indicadores da saúde fiscal do país.
Embora o resultado tenha vindo melhor do que o esperado pelo mercado financeiro, ele evidencia que as pressões sobre o orçamento continuam relevantes, especialmente diante do crescimento de gastos obrigatórios e programas sociais.
O que explica o déficit de R$ 30 bilhões?
Leia mais: Banco Central divulga déficit de R$ 16,4 bi nas contas públicas
O desempenho fiscal de fevereiro foi impactado por dois fatores principais: aumento da arrecadação e crescimento das despesas públicas.
Crescimento das receitas não foi suficiente
A receita líquida do governo somou R$ 157,8 bilhões no mês, com alta real de 5,6% acima da inflação. Esse avanço foi impulsionado principalmente por:
- Maior arrecadação de tributos como IOF e Cofins
- Crescimento das contribuições previdenciárias
- Aumento do emprego formal, que amplia a base de arrecadação
Apesar disso, houve queda em receitas não recorrentes, como dividendos de empresas estatais, o que limitou o avanço total da arrecadação.
Na prática, o governo arrecadou mais, mas ainda não o suficiente para cobrir todas as despesas do período.
Aumento dos gastos pressiona resultado
As despesas totais chegaram a R$ 187,7 bilhões, com crescimento real de 3,1%. O avanço dos gastos foi influenciado por políticas públicas, reajustes salariais e aumento do número de beneficiários de programas sociais.
Entre os principais aumentos, destacam-se:
| Área | Aumento em fevereiro |
|---|---|
| Educação | R$ 3,4 bilhões |
| Saúde | R$ 1,4 bilhão |
| Pessoal | R$ 2,2 bilhões |
| Previdência | R$ 1,7 bilhão |
O programa Pé-de-Meia, voltado ao incentivo educacional, teve impacto relevante nas despesas, assim como os reajustes concedidos ao funcionalismo público.
Resultado melhor que o esperado pelo mercado
Apesar do déficit, o resultado foi considerado positivo em comparação às expectativas.
Esse desempenho indica um leve alívio no curto prazo, sinalizando que o crescimento da arrecadação tem ajudado a conter parcialmente o avanço das despesas.
No entanto, especialistas apontam que o equilíbrio fiscal ainda depende de medidas estruturais, especialmente no controle de gastos obrigatórios.
Acumulado do ano ainda é positivo
Mesmo com o resultado negativo em fevereiro, o governo mantém superávit no acumulado do ano. Isso ocorre devido ao forte resultado de janeiro, tradicionalmente positivo por conta de receitas concentradas no início do ano.
Principais números do primeiro bimestre
- Superávit primário: R$ 56,85 bilhões
- Receita líquida: R$ 430,5 bilhões
- Despesas totais: R$ 373,6 bilhões
Esse saldo positivo ajuda a compensar o déficit de fevereiro, mas não garante que o equilíbrio será mantido ao longo do ano.
Meta fiscal e desafios para 2026
A meta fiscal estabelecida pelo governo para 2026 é alcançar superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
O novo arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância, o que significa que:
- O resultado pode variar entre zero e R$ 68,6 bilhões de superávit
- Algumas despesas podem ser excluídas do cálculo, como precatórios e certos gastos com saúde, educação e defesa
Apesar dessa flexibilidade, projeções oficiais indicam um cenário mais desafiador. Ao considerar todas as despesas públicas, a estimativa atual é de déficit de R$ 59,8 bilhões no ano.
Investimentos crescem e indicam retomada
Um ponto positivo das contas públicas foi o avanço dos investimentos. Nos dois primeiros meses do ano, os gastos com obras públicas e aquisição de equipamentos somaram R$ 9,527 bilhões.
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Isso representa um crescimento expressivo de 49,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação.
Esse aumento pode ter efeitos positivos sobre a economia, estimulando geração de empregos e crescimento, mas também pressiona o orçamento no curto prazo.
O que o déficit significa para o cidadão?
O déficit nas contas públicas pode impactar diretamente a vida da população, mesmo que de forma indireta. Entre os principais efeitos estão:
- Possibilidade de aumento de impostos no futuro
- Redução de investimentos públicos
- Pressão sobre juros e inflação
- Necessidade de ajustes fiscais
Por outro lado, parte dos gastos que geram déficit está ligada a políticas sociais e investimentos, que também têm impacto positivo na economia e na qualidade de vida.
Perspectivas para os próximos meses
O cenário fiscal brasileiro segue desafiador. A combinação de aumento de receitas e crescimento das despesas indica que o governo terá dificuldade em alcançar a meta sem ajustes adicionais.
A evolução das contas públicas dependerá de fatores como:
- Desempenho da economia
- Nível de arrecadação tributária
- Controle de gastos obrigatórios
- Avanço de reformas estruturais
O equilíbrio fiscal continuará sendo um dos principais temas da política econômica ao longo do ano.
Considerações finais
O déficit de R$ 30 bilhões em fevereiro reforça que, embora haja sinais de melhora, as contas públicas ainda enfrentam forte pressão. O crescimento da arrecadação ajuda, mas não é suficiente para neutralizar o avanço dos gastos.
O desafio do governo será equilibrar responsabilidade fiscal com a manutenção de investimentos e programas sociais, em um cenário de expectativas elevadas e limitações orçamentárias.
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